Política
24/11/2014 - 05h18

Brasília, 19 horas, A Voz do Brasil


O horário das 19 às 20 horas nas rádios brasileiras, historicamente ocupado pela Voz do Brasil, é muito cobiçado pela Abert (Associação Brasileira de Rádio e Televisão). Agora, a entidade encontrou até aliados no Palácio do Planalto.
 
A Senadora Ana Rita (PT-ES), relatora de um projeto em tramitação que torna a Voz do Brasil Patrimônio Cultural Imaterial do Povo Brasileiro, em função da importância desse espaço jornalístico para a informação de amplas parcelas do povo brasileiro, sobretudo em rincões do interior do país, deu parecer contrário.
 
Informações fidedignas assinalam que, pressionada, a Senadora admitiu que não só não conhecia em detalhes o projeto como recebeu a orientação do Palácio do Planalto para o veto. Depois de muita conversa, Ana Rita tirou o mesmo de pauta. Não quis mudar de opinião para não se atritar com o Palácio do Planalto.
 
Agora, o Senador Roberto Requião pediu visto do projeto e pretende apresentar em breve um substitutivo para aperfeiçoá-lo. O tema é muito sério e não está sendo acompanhado devidamente pela opinião pública porque paira total silêncio. A Abert seguindo o velho e surrado esquema do pensamento único e preopcupada sobremaneira com o lucro, impede aprofundar até de informar a defesa da ideia da manutenção do horário da Voz do Brasil.
 
Os proprietários de emissoras de rádio seguem na tentativa de conseguir a todo custo a flexibilização do horário da Voz do Brasil. Aproveitaram o embalo dos jogos da Copa do Mundo, quando a Presidência baixou norma permitindo excepcionalmente a transmissão da Voz do Brasil em outro horário para não prejudicar as transmissões de partidas. E investiram pesado em favor do voto pela flexibilização.
 
Pressionaram o quanto puderam no sentido de o Parlamento votar o projeto da flexibilização. O voto não aconteceu em função das eleições de outubro de 2014. Agora, quando se está praticamente no fim da legislatura resultante da eleição de 2010, possivelmente à próxima legislatura, recém eleita, se ocupará novamente do tema.
 
A história dos trâmites que visam flexibilizar o horário da Voz do Brasil e que na prática resultarão no fim do programa iniciado em 1935 e que já teve a denominação de A Hora do Brasil, tem várias fases.
 
Em 2006 foi apresentado projeto no sentido de ampliar a Voz do Brasil para a televisão. A grita dos proprietários da concessão das emissoras foi grande. O projeto não só saiu de pauta como apareceu outro flexibilizando o horário.
 
Depois de marchas e contramarchas, a Abert não conseguiu emplacar o seu projeto, que seguiu em pauta no Congresso. A oportunidade agora para por um ponto final no tema flexibilização é o contraponto tornando a Voz do Brasil Patrimônio Cultural Imaterial do Povo Brasileiro.
 
O tema é de interesse do chamado baixo clero do Congresso que tem como um dos poucos espaços para informar às suas bases o que fazem no Congresso, exatamente o espaço da Voz do Brasil.
 
Como, lamentavelmente, a composição do Parlamento eleito em 2014 é ainda mais conservador do que o de 2010, é bem possível que a Abert tente novas investidas para a aprovação do que na prática representaria o início do fim da Voz do Brasil. Mas isso só acontecerá se a sociedade brasileira aceitar passivamente que isso ocorra. Se houver mobilização e o tema seja informado à sociedade brasileira, é bem possível que seja mantido o horário histórico das 19 horas, acompanhado por milhões de brasileiros nos mais diversos rincões, sobretudo os mais distantes das cidades grande e médias.




 
Mário Augusto Jakobskind, jornalista e escritor, correspondente do jornal uruguaio Brecha; membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (TvBrasil). Seus livros mais recentes: Líbia – Barrados na Fronteira; Cuba, Apesar do Bloqueio e Parla , será lançado dia 17, no Rio de Janeiro.
 

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