Entrevistas
02/02/2016 - 06h33

Entrevista com o presidente da Codesp Alex Oliva


O maior porto da América Latina completa 124 anos nesta terça (2). Confira o que pensa o atual presidente Alex Oliva referente a assuntos importantes relacionados ao complexo portuário


 
Mesmo em tempos de crise,  o Porto de Santos seguiu superando recordes. Como analisa este cenário? Qual projeção faz para este ano?
 
O Porto de Santos conta com uma condição que lhe permite superar períodos de maior dificuldade econômica: sua diversidade no atendimento. É um porto de extrema polivalência. Atua nos três grandes segmentos de carga: granéis sólidos, líquidos e carga geral, aí incluído o contêiner. Além  disso, tem uma  participação consolidada nos dois fluxos comerciais, exportações e importações e opera com modernas instalações em grande parte de seus terminais. Essa diversidade garante ao Porto uma forte demanda mesmo em períodos de crise econômica. Para este ano, diante do cenário econômico nacional e internacional e com base nas informações fornecidas pelos terminais portuários, projeta-se um movimento em torno de 119,6 milhões t.
 
A eficácia do Porto está ligada diretamente a logística de acesso. O que a nova gestão da Codesp tem como proposta para eliminar os gargalos, aumentando ainda mais a competitividade e eficiência do Porto?
 
Não temos registrados grandes congestionamentos durante os períodos de escoamentos das safras agrícolas, em decorrência das obras já implantadas e do sistema de agendamento da chegada de caminhões aos terminais portuários. A eliminação dos últimos gargalos no sistema viário interno do Porto passa pela  conclusão da avenida Perimetral. Além das obras em andamento no trecho Alemoa/Saboó, o empreendimento será iniciado no trecho entre o canal 4 e a Ponta da Praia, inclusive, com implantação de viaduto para conexão, sem interferência rodoferroviária, dos terminais situados na região.
 
O projeto do Túnel Santos-Guarujá. Como a gestão atual vê os projetos?
 
O túnel interligando as duas margens do estuário é uma obra importante não só para o Porto de Santos como para a Baixada Santista. A posição da Codesp a respeito de sua localização é que, sob o ponto de vista logístico do fluxo de cargas, a opção mais satisfatória é a que interliga a região da Alemoa (margem direita) à Ilha do Barnabé,na área continental de Santos, (margem esquerda), para interface com sistema rodoviário existente (Rodovias Anchieta-Imigrantes e Rodovia Cônego Domênico Rangoni).
 
Outra questão é que mesmo superando recordes a cada mês, o Porto vive um momento de demissões nos terminais. Como o Sr. analisa este cenário?
 
A questão das demissões demanda uma leitura apurada, uma vez que o contingente maior atingiu o setor de contêiner, que foi ampliado com a entrada em operação de dois grandes terminais que impuseram um novo share no setor. Dessa forma, verificou-se um redimensionamento de efetivo, em função do novo cenário.
 
Como o senhor analisa a questão da modernização dos terminais portuários. Não seria algo a ser tratado com prioridade tendo em vista os recentes acidentes?
 
O Porto de Santos passou por um  amplo programa de modernização iniciado na segunda metade dos anos 90 e em curso até hoje. De modo geral, os terminais contam com instalações, equipamentos e metodologia avançadas. Quanto aos acidentes, terminais, Autoridade Portuária, Antaq, Defesa Civil, prefeituras, Corpo de Bombeiros, Cetesb, Capitania dos Portos e outros setores estão se reunindo para ampliar a prevenção, o controle e atendimento em caso de acidentes.
 
– O que realmente está fazendo com que tantos acidentes ocorram em curtos espaços de tempo.? (Terminais de açúcar, Ultracargo e agora a LocalFrio, que já ocasionou inclusive a morte de uma senhora e a suspeita de outras duas pessoas). O que pode ser feito e o que já está sendo realizado para prevenir este tipo de acidente e como melhorar as ações pós-acidente?
 
Os integrantes do Plano de Auxílio Mútuo do Porto de Santos (PAM) estão mobilizados para apresentação  de proposta visando a alteração de sua estrutura de funcionamento  e o aprimoramento dos procedimentos de prevenção e atendimento a situações de emergência na área do Porto Organizado. Estão representados no PAM a Codesp, a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros, as prefeituras de Santos e Guarujá, a Cetesb, o Ibama, a Capitania dos Portos e os terminais portuários.
 
Para tornar mais eficaz o trabalho preventivo e o atendimento às emergências a proposta envolve a divisão do Porto em sete áreas: Alemoa, Saboó,  Outeirinhos A, Outeirinhos B, Ponta da Praia, Ilha do Barnabé e Margem Esquerda do Estuário. Cada uma delas contará com um coordenador. A divisão das áreas foi determinada pela proximidade entre os terminais e tipo de cargas operadas, facilitando a definição das melhores estratégias para a solução de problemas decorrentes de acidentes. Em cada uma dessas áreas está prevista a realização de exercícios simulados de combate a incêndios.
 
A reestruturação prevê, também, avaliação de performance dos terminais na prevenção de acidentes e auditorias para verificação dos itens de segurança. Será feita, ainda, classificação dos brigadistas, em conformidade com o treinamento recebido, objetivando agilizar seu encaminhamento, de acordo com cada situação de emergência. Outra medida a ser tomada é a padronização dos registros de materiais e ações, visando conhecer e controlar a quantidade exata de material e recursos humanos disponíveis para serem utilizados em situações de emergência.
 
O PAM passa por constante aprimoramento e, através dos simulados, procura-se identificar e corrigir falhas para que em situações reais as respostas sejam rápidas e eficientes. A reestruturação do Plano de Auxílio Mútuo vai revisar os protocolos de segurança, definindo planos de ação, rotas de fuga e de acesso, bem como pontos de encontro, tanto para os trabalhadores dos terminais e órgãos de segurança, quanto para brigadistas e também população do entorno.
 
Encontra-se em fase de aprovação novas orientações sobre segurança a serem implementadas através de instrumento normativo que será baixado pela Autoridade Portuária. Enquanto isso, a coordenação do órgão atua no planejamento dos simulados previstos e nas avaliações de desempenho.
 
Como  atual gestão analisa também a polêmica dos terminais de grãos na Ponta da Praia? Quais medidas o Sr. acredita serem necessárias para solucionar esta questão?
 
A solução passa, necessariamente, por ações de controle pelos terminais. A Codesp mantém equipamentos de varrição e limpeza operando diariamente na Avenida Mário Covas. Os órgãos de controle e fiscalização têm mantido um rigoroso acompanhamento da situação. Acreditamos que a questão será solucionada com os investimentos previstos nos novos contratos de arrendamento viabilizados através do leilão ocorrido no dia 9 de dezembro último. Esses investimentos envolvem a implantação de equipamentos de alta geração que contam com sistemas eficazes para conter a emissão de partículas.
 
Gostaria de saber como estão os projetos de hidrovia na Região. Em 2015, houve a apresentação do início de um estudo interligando as cidades pelos rios com transporte de passageiros. Já a Codesp tem estudo para cargas. Como estão estes estudos? Qual a importância de realizar este tipo de transporte?
 
A utilização da bacia hidrográfica da região, como via de transporte de carga, é um projeto em estudo pela Codesp, SEP e setor privado. Com a Carbocloro, por exemplo, estuda-se a implantação de um dolfim para a movimentação de sal por hidrovia até as instalações da empresa em Cubatão. O navio atraca no dolfim, descarrega para uma barcaça e o produto é transportado até a empresa.
 
O propósito é desocupar os berços, hoje utilizados por navios que transportam sal para a Carbocloro, e disponibilizá-los para outras cargas, além de agregar dolfins  que, quando vagos, poderão ser utilizados para outras operações, como abastecimento de navios, por exemplo. A iniciativa promove ganhos para todos: comunidade, ao se tirar caminhões da estrada; Carbocloro, que terá uma logística mais barata e Porto, que amplia sua capacidade. Outra concepção para utilização do modal é o estabelecimento de uma linha regular de navegação por barcaças circulando no estuário, com foco no transporte de contêineres entre as margens.
 
Como está o andamento do projeto de aprofundamento do canal de navegação? 
 
Novos projetos de aprofundamento do canal de navegação vão depender dos resultados dos estudos contratados para avaliar o potencial de alargamento e aprofundamento. A avaliação da capacidade da atual configuração do canal de acesso, o estudo do comportamento do canal com 15 metros de profundidade, a possibilidade geométrica para navegação de embarcações com 360 e 400 metros de comprimento, bem como quais as obras de proteção necessárias para evitar processos erosivos e deposição de sedimentos, objetivando otimizar o volume de sedimentos a serem dragados e as investigações das restrições que devem ser superadas para uma profundidade de 17 metros, bem como a capacidade máxima do canal em termos de atracações são os principais tópicos a serem abordados no estudo.
 
Dentro desta negociação com a USP foi acordado que um modelo reduzido do estuário de Santos será construído em uma de nossas oficinas. O laboratório estará à disposição da cidade de Santos como um centro permanente de pesquisa. Os cientistas poderão realizar experiências em escala reduzida neste modelo físico. Esta estrutura estará muito próxima do porto, permitindo uma interação entre o modelo reduzido e a realidade. Faremos convênios com todas as outras universidades da Baixada Santista, para que haja aqui um grande laboratório, embrião de um centro de pesquisa para o Porto de Santos e para a região.
 
Quais as vantagens do aprofundamento do canal de navegação e o que representará para a Economia do Porto?
 
A ampliação da profundidade para garantir acesso a navios de maior calado garantirão à Santos a condição de crescimento imposta pelas projeções de demanda em médio e longo prazos. Trata-se do principal equipamento portuário do país, imprescindível para viabilizar o crescimento da balança comercial brasileira.


Boqnews
 

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