Entrevistas
08/07/2016 - 11h55

Entrevista com a Psicóloga da Portuguesa Santista - Amanda Farisco


Amanda fala da importância do trabalho de psicologia com os mais jovens e como agregar valores aos futuros craques da bola
 
A psicologia está cada vez mais frequentemente aplicado às categorias de base do futebol. Pensando nisso, o gestor da base da Portuguesa Santista Wladimir Mattos contratou uma profissional para cuidar desde os meninos dos 11 anos até 17 anos. Trata-se de Amana Farisco que cuida do emocional dos jovens da Briosa há mais de três anos. Amanda fala da importância do trabalho de psicologia com os mais jovens e como agregar valores aos futuros craques da bola.
 
Como o futebol entrou na sua vida?
 
Amanda Farisco: "Desde criança, acompanho futebol por conta do meu pai. Como sou filha única, ia com ele no estádio, tinha camisa de time, assistia alguns jogos na TV. Com o tempo, me desinteressei mas quando terminei o curso de Psicologia, voltei a acompanhar com mais freqüência os jogos, resultados, campeonatos, etc. Sempre fui a menina da turma que conversava mais sobre futebol do que outros assuntos que no geral, as mulheres preferem. Em 2011, optei por cursar a especialização em Psicologia do Esporte, tendo em vista o futebol como meu grande interesse de atuação nos esportes coletivos e no final do ano de 2013, tive a oportunidade de fazer meu primeiro contato com a Portuguesa Santista e com o Wladimir (Mattos). Desde então, o futebol deixou de ser apenas um interesse e se tornou meu ambiente de trabalho".
 
Como é o trabalho de Psicologia no futebol de base?
 
AF: "O trabalho que procuramos realizar e eu coloco no plural, pois conheço outros profissionais que seguem nesta mesma linha, é sempre visando o desenvolvimento integral do indivíduo. Direcioná-lo no conhecimento de si mesmo, trab alhando questões que permeiam tanto o jogo em si como o extra-campo. Adolescentes, em sua grande maioria, possuem suas emoções mais a flor da pele e situações que aconteçam no âmbito particular, refletem diretamente no trabalho em campo. Trabalhar pontos como controle de ansiedade, concentração, raciocínio lógico, trabalho em equipe, integração, entre outros, nos permite ver resultados comportamentais que melhoram a performance no momento do jogo, mas estes pontos precisam ser trabalhos em outras esferas da vida de cada jovem, para que estes tenham estrutura emocional o bastante para conseguirem alcançar seus objetivos. O trabalho de acolhimento é essencial no momento em que percebemos que o atleta não está conseguindo lidar com a pressão ou frustração que sofre (interna e externa) e trazê-lo para mais próximo nestes mom entos é essencial para resgatarmos sua auto-estima e mantermos seu equilíbrio emocional, novamente, pensando no bem estar integral do adolescente."
 
Como é a rotina de um psicologo com meninos que sonham em se tornar jogadores profissionais?
 
AF: "Nossa rotina de atividades se mistura entre atividades coletivas, como dinâmicas de grupo ou situacionais, vídeos, atividades lúdicas que envolvam elementos que pretendemos atingir, debates, técnicas reflexivas, etc e encontros individuais, onde trabalhamos de forma mais assertiva pontos de atenção específicos de cada atleta. Em parceria com a comissão técnica, e caso contrário se torna inviável nosso trabalho, entendemos as demandas que são trazidas muitas vezes através destes profissionais e pensamos no melhor momento de abordar o atleta ou o grupo para trab alharmos determinadas questões. Algumas vezes, os próprios atletas nos sinalizam situações que os estejam preocupando e conseguimos trabalhar de forma ainda mais clara a queixa do adolescente. Basicamente, nosso trabalho se torna uma extensão do trabalho realizado dentro de campo.
 
Quem é a psicologa da Portuguesa Santista Amanda Farisco?
 
AF: Tenho 31 anos, sou casada e moro em São Paulo. Me formei em Psicologia na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2007 e desde então, minha área de atuação sempre foi em Recursos Humanos. Em 2011, optei por realizar a Especialização em Psicologia do Esporte e Exercício no CEPPE, com o Professor João Ricardo Cozac, também psicólogo esportivo com grande experiência no futebol. Desde outubro de 2013 trabalho com as categorias de Base da P ortuguesa Santista. Até ano passado, atendi as quatro categorias - sub 11 ao sub 17. Este ano, voltei a trabalhar apenas com as categorias Sub 15 e Sub 17. Em paralelo, realizei um trabalho junto a um projeto que se chama AlphaBrasil Academy, com viés de futebol voltado para educação e não alto rendimento. Estive com eles durante o segundo semestre de 2015. Em parceria com minha amiga e psicóloga Paloma Vilhena, criamos a TriPsi Consultoria e realizamos um trabalho de acompanhamento das categorias de base feminina e masculina do Rio Branco Rugby Club durante todo o ano de 2015.
 
Tem algumas experiências de jovens que mudaram após as visitas da psicóloga?
 
AF: "Para a gratificação de meu trabalho, sim! Alguns casos, mais marcantes e visíveis do que outros mas no geral, percebemos uma mudança no grupo como um todo, pois a partir do momento em que parte do grupo começa a se conscientizar de algumas questões, estes indivíduos "contaminam positivamente" os demais. Já vivenciei algumas situações, que nitidamente percebemos melhoras na comunicação do atleta junto ao grupo após diversas atividades voltadas para melhoria deste ponto. Em outros casos, também percebemos o desenvolvimento da confiança, liderança e segurança após trabalharmos estas demandas juntos aos goleiros, para que pudêssemos ter um desempenho mais efetivo no momento do jogo. Outra questão que conseguimos observar em alguns casos, é referente ao controle emocional e melhoria comportamental que percebemos tanto no campo, quanto fora deste.
 
Muitas vezes, este retorno é observado por quem acompanha de perto a rotina destes atletas e conhece sua forma de agir. Os próprios a dolescentes nos dão este feedback quando percebem que estão tendo um ganho qualitativo no momento do jogo por estarem colocando em prática exercícios e ferramentas que ensinamentos durante nossos encontros."
 
Apesar de não ser uma ciência exata, o quanto a psicologia pode ajudar o atleta conseguir extrair o máximo de seu rendimento?
 
AF: "O trabalho do psicólogo não pode ser visto como "mágica". Não é em uma conversa ou em uma atividade que resolvemos todos os problemas e encontramos soluções para as queixas que acolhemos. É importante que se observe o trabalho numa linha do tempo, onde gradativamente vamos conseguindo mudanças nas mais diversas questões. Nossos insights são muito mais assertivos quando conhecemos o atleta ou o grupo, logo num primeiro momento, nosso trabalho &ea cute; muito mais diagnóstico do que efetivo. É muito importante que os Clubes e Instituições entendam nosso papel dentro do time/equipe para que os resultados consigam ser observados".


AssCom Portuguesa Santista
 

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