Portos
04/08/2016 - 06h53

Cidade que tem um porto ou porto que tem uma cidade?


Vamos abandonar os conceitos separados! Vamos lutar pela consciência de que somos uma cidade portuária!

 
Certa vez verifiquei, numa matéria jornalística, um entrevistado dizer que o Porto de Santos era especial porque tinha uma cidade, imaginando que estaria fazendo um grande elogio.
 
Esta declaração seguia o mesmo entendimento de muitas pessoas que defendem a obrigação da cidade em relação ao porto. Este grupo entende que a cidade só tem obrigações junto ao porto. Alguns chegam a dizer que a cidade também deve sempre agradecer por ter um porto instalado em seu território. Este grupo valoriza o conceito de que temos uma relação porto-cidade. 
 
Esta entrevista me fez lembrar que também conhecemos um grupo de pessoas que defendem posições opostas.
 
Alegam que o porto deve agradecer a estrutura natural e a população da cidade, pois entendem que o porto não seria o que é sem a cidade de Santos.
 
Defendem que a cidade deve possuir o porto. A cidade deve ser a condutora do porto. Defendem que a administração do porto deve ser descentralizada, com base no conceito de poder, e não de melhoria na gestão. Este grupo entende que temos uma relação cidade-porto, posicionando a cidade à frente do porto. 
 
Estes dois grupos demonstram as dificuldades e desafios que vivenciamos nas relações entre a cidade e o porto - ou vice-versa. Estes dois grupos se confrontam com posicionamentos extremados. Uns alegando que a cidade é ingrata com o porto e outros protestam que o porto precisa interromper algumas operações e não pode mais ocupar novas áreas. Estas visões extremistas são resultados de visões segregacionistas nas relações do porto e cidade.  
 
Não devem existir visões separadas. A verdade é que o porto não tem uma cidade e esta cidade não tem o porto. Mundialmente, a relação entre estes dois entes tem sido melhorada sem envolver conceitos de propriedade. A base da solução está em entendermos e defendermos qual é a real classificação de nossa cidade. 
 
As cidades que possuem o turismo como sua principal atividade não têm nenhuma dúvida sobre a sua classificação. Sabem que precisam conviver com as realidades e consequências de uma cidade turística. Este é o segredo para o início da solução destes desnecessários embates: Assumirmos que somos uma cidade portuária.  Não somos cidade-porto. Uma cidade portuária sabe que essa principal atividade tem características próprias e mútuas responsabilidades. 
 
Quando assumimos que somos uma cidade portuária, passamos a analisar os temas com a necessidade de soluções conjuntas. 
 
O porto passa a pensar sua atividade com a preocupação de seus reflexos sobre a região e população onde está inserido. A população, da cidade e região, passa a pensar seu desenvolvimento e planejamento com atenção especial para sua principal atividade. 
 
Uma cidade portuária defende a descentralização, da gestão e administração, objetivando a melhoria do complexo portuário, e não com a preocupação sobre o direito de indicar diretores. 
 
Vamos abandonar os conceitos separados! Vamos lutar pela consciência de que somos uma cidade portuária!


Sérgio Aquino, advogado e administrador de empresas, é presidente da Federação Nacional dos Operadores Portuários (FENOP)
 

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