Entrevistas
11/10/2016 - 07h34

'Eu nunca tinha feito um bolo na vida', diz fundadora da Sodiê Doces


Cleusa Maria fez seu primeiro bolo quando uma antiga patroa pediu sua ajuda; hoje, ela é dona de rede que conta com 266 franquias no Brasil

 
A dona da Sodiê Doces, Cleusa Maria, já foi boia-fria e empregada doméstica. Hoje, comanda uma das maiores redes de franquias do País, com 266 unidades espalhadas por 13 Estados. O segredo do sucesso? Muita perseverança, foco e persistência. E não desistir facilmente do negócio, pois o retorno não vem no curto prazo. Para 2017, a empresária planeja lançar uma rede de franquias de salgadinhos com o objetivo de chegar aos municípios com menos de 100 mil habitantes. 
 
Conte-nos um pouco sobre sua trajetória pessoal
 
 - Nasci em uma família muito pobre e desde cedo precisei ajudar a minha mãe. Trabalhei como boia fria e empregada doméstica. Um dia, uma antiga patroa precisou de ajuda para fazer um bolo. Mas eu nunca tinha feito um bolo na vida. Ela me ensinou os detalhes e comecei a fazer bolos e doces e vender no bairro. Naquela época, há 19 anos, eu comprei mesas, uma vitrine e comecei a vender bolo em Salto, interior de São Paulo. Foi a minha primeira loja. Como surgiu a Sodiê Doces? O que levou a abrir uma empresa no setor de confeitaria? A Sodiê – junção dos nomes dos meus filhos, Sofia e Diego – surgiu puramente por necessidade. A escolha em empreender no setor de confeitaria foi por acaso. Primeiramente, a empresa se chamava Sensações Doces e depois passou a se chamar Sodiê. Para o negócio se estruturar e virar franquia, trabalhei arduamente por dez anos; várias vezes trabalhando até de madrugada. Quando o negócio deu certo, comecei a abrir outras lojas e tornei a empresa uma franqueadora. Hoje, já são 266 lojas em 13 Estados.
 
O que o empreendedor precisa saber em relação à gestão do negócio?
 
- Nenhuma pessoa nasce sabendo fazer gestão. É necessário se aprimorar. Em primeiro lugar, o empreendedor precisa ter o foco em fazer o melhor produto ou serviço do mercado. Só assim, ele poderá competir com os concorrentes. Não dá para produzir nada “meia boca”. E para fazer uma gestão adequada, é necessário buscar informações, fazer cursos, procurar ajuda. O Sebrae e outras entidades, por exemplo, são fundamentais para quem quer abrir ou já tem um negócio. Muitos clientes do Sebrae-SP têm dúvidas em relação de quanto cobrar pelo trabalho de confeitaria e produtos. Como se deve calcular o preço? O preço precisa ser definido em cima do que foi gasto, como os ingredientes, insumos de produção e também impostos. E não exagere no valor de sua mão de obra embutida no preço final. Seja coerente. Se o preço do produto estiver muito alto, o cliente só comprará uma vez. Se a pessoa demorou duas horas para fazer um bolo, cobre por duas horas de mão de obra, e não pelo dia todo de trabalho. 
 
E como é administrar uma rede de franquias? Quanto custa se tornar um franqueado da Sodiê? 
 
- Eu tenho muito respeito e profissionalismo com os empreendedores que abriram uma franquia da Sodiê. A administração não é fácil e simples, pois eu primo sempre pela excelência. Os nossos franqueados precisam sempre oferecer os melhores produtos e serviços aos clientes. Para ter uma franquia nossa, o custo vai de R$ 350 mil a R$ 450 mil. Este valor já inclui o investimento total para abrir a loja e mais a taxa de franquia.

E qual é o futuro da Sodiê? Tem alguma novidade?
 
- A Sodiê hoje está em praticamente todas as cidades de São Paulo com mais de 100 mil habitantes. Mas para o ano que vem temos: vamos abrir uma franquia de salgadinhos. Nosso objetivo é atingir as cidades menores. O custo da franquia também será mais barato, em torno de R$ 200 mil. 
 
Qual é a mensagem que você deixa para quem quer abrir um negócio ou já é empreendedor?
 
- Eu acho que o principal é ter foco e persistência. E não desistir facilmente. O começo é muito difícil, cheio de obstáculos. Mas a pessoa precisa ter em mente que o retorno não é imediato e nem vem em curto prazo. É preciso estruturar o negócio e gostar do que faz. Por um bom tempo, tive que abrir mão de coisas pessoais e até da vida social para conseguir juntar dinheiro para expandir o negócio. Hoje colho os frutos por isso.


Estadão PME
 

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