Ciência
21/10/2016 - 13h25

Condenado por ser homossexual, cientista Alan Turing se matou em 1954


Britânico quebrou o código de comunicação nazista durante a Segunda Guerra Mundial e, com seus estudos sobre os algoritmos, tornou-se um dos criadores do computador

 
Em novembro de 2009, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, fez um pedido oficial de desculpas em nome do governo do Reino Unido aos parentes do matemático e cientista Alan Turing, um herói de guerra que também entrou para a história como vítima do violento tratamento dispensado pelas autoridades britânicas aos homossexuais antes da descriminalização da prática, nos anos 60. Turing, famoso por ter liderado os esforços para a quebra do Enigma, o código utilizado para as comunicações militares alemãs durante a Segunda Guerra Mundial, suicidou-se em 7 de junho de 1954, dois anos após ser processado por indecência.
 
Além de ter a carreira arruinada, pois foi impedido de continuar trabalhando para o serviço secreto britânico, o cientista passou por um bárbaro tratamento de castração química para a redução de sua libido — prescrição prevista pela legislação da época, que considerava o homossexualismo uma doença mental. De acordo com estudos de grupos gays, pelo menos outros 100 mil homossexuais britânicos teriam sido submetidos à castração química.
 
A campanha em prol da reabilitação de Turing envolveu nomes como o cientista Richard Dawkins e o escritor Ian McEwan. Milhares de assinaturas foram enviadas tanto para o premier quanto para a rainha Elizabeth II. Os organizadores propunham que Turing recebesse um um titulo póstumo de "Sir". Matemático e criptonalista, o cientista desempenhou dois papéis fundamentais na História moderna. Ao quebrar o Enigma, permitiu que os Aliados antecipassem as ações dos militares nazistas, facilitando a derrocada de Hitler. E seus estudos de algoritmos permitiram a criação do computador.
 
Em 1952, ao tentar registrar queixa contra um roubo em sua casa, Turing acabou admitindo manter um relacionamento com o autor do crime. Julgado por “vícios impróprios” — a lei vigente na Inglaterra, no início dos anos 50, datava da era vitoriana — foi condenado ao tratamento com hormônios femininos. Humilhado publicamente, o cientista se matou comendo uma maçã enveneada com cianeto de potássio.
 
 
G1 RJ
 

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Fala Santos
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