Sindical
16/03/2017 - 15h25

Atos contra reformas têm confronto, estivadores feridos e detidos


Operadores portuários e homens do Baep se enfrentaram. PM usou bombas de gás lacrimogêneo

 
Um confronto entre policiais do Batalhão de Ações da Polícia Militar (Baep) e trabalhadores portuários deixou pelo menos seis pessoas feridas na manhã desta quarta-feira (15), em Santos, durante ato que começou em frente ao Terminal da Brasil Terminal Portuário, na Alemoa. Outros três portuários foram presos.
 
Cerca de 300 trabalhadores participavam da manifestação pacífica, quando foram surpreendidos pela chegada da tropa. Bombas de gás lacrimogêneo foram atiradas em direção ao grupo, que precisou suspender, temporariamente o movimento. 
 
Desde o início da manhã, os trabalhadores portuários participavam de atos no Município em apoio ao movimento nacional contra as reformas trabalhista e da Previdência. No início do dia, o grupo estava concentrado em frente ao Posto 1 de escalação do Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo-Santos). De lá, eles seguiram até o terminal, onde também chegaram a bloquear parcialmente parte da Via Anchieta. 
 
Presidente do Sindicato dos Estivadores, Rodnei Oliveira da Silva, o Nei, afirma que houve truculência por parte da Polícia Militar. “O coronel chegou atropelando todo mundo. Onde já se viu fazer isso? O trabalhador está em uma manifestação ordeira. Ninguém aqui fez nenhuma arruaça e a polícia já chegou atirando em todo mundo, nem conversou com ninguém”. 
 
A equipe de A Tribuna acompanhava o protesto quando viaturas do Baep chegaram ao local. A Reportagem contou 11 homens com escudos e cacetetes, que começaram a disparar bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o movimento. Houve pânico e alguns trabalhadores, na tentativa de se proteger, saíram correndo em direção ao Valongo. Alguns deles chegaram a arremessar pedras em direção à corporação. Na sequência, o grupo liberou a pista de acesso ao terminal. 
 
Na fuga, os trabalhadores montaram barricadas pelo caminho, usando pneus e pedaços de madeira. Uma delas foi incendiada para afastar ainda mais os homens do Baep. Um trabalhador foi atingido por uma das bombas atiradas pela corporação. Ele sofreu ferimentos em uma das pernas.  
 
O confronto chegou ao Centro da Cidade. Portuários se concentraram nas imediações da Bolsa do Café, onde, novamente, encontraram policiais do Baep. Os trabalhadores seguiram pelas ruas Riachuelo e XV de Novembro, chegando à Praça Mauá. Com medo, comerciantes acabaram fechando as portas. Horas depois, o comércio já funcionava normalmente. 
 
A Cavalaria da Polícia Militar foi acionada. Quando chegou ao local, o Baep dispersou. Portuários, então, se dividiram em grupos. Um se concentrou na Praça Mauá e outro no cais santista, na altura do Centro.
 
Houve novo confronto em frente à Prefeitura de Santos, que chegou a ser fechada por questão de segurança. A Reportagem conversou com um estivador, que afirma ter sido atingido pela corporação com um tiro de bala de borracha. 
 
Reinaldo Ribeiro, de 45 anos, contou que o disparo acertou seu braço esquerdo. “Eles vieram de lá (BTP) atacando bomba. Do nada pararam e já chegaram jogando bomba em nós”, comentou. 
 
O sindicato da categoria afirma que, ao todo, seis trabalhadores ficaram feridos e outros três foram detidos durante o confronto. Ainda conforme o presidente do Sindicato dos Estivadores, um tenente da Polícia Militar “pediu desculpas aos trabalhadores” após a chegada dos policiais do Baep.
 
“Fomos pegos de surpresa pela tropa, que já chegou atropelando os trabalhadores, jogando bombas de gás lacrimogêneo. Houve um desacato total por parte da corporação, que deveria ter respeito pelos trabalhadores. Isso é uma vergonha. Os trabalhadores não quebraram nada. Não houve nenhum ato de violência para essa truculência toda. A mando de quem agiram assim”, questiona.
 
Por volta do meio-dia, após uma manhã de protestos, servidores municipais, estaduais e petroleiros se uniram aos Estivadores na Praça Mauá. O grupo se dispersou pouco tempo depois. 
 
Após a mobilização em frente à Prefeitura, os trabalhadores seguirão em passeata pela Avenida Perimetral. Eles retornarão ao terminal da BTP, onde um novo ato será realizado. 
 
Sopesp
 
Em nota, o Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp) informa que não recebeu qualquer comunicado oficial das categorias profissionais ligadas às atividades portuárias a respeito da paralisação em curso nesta quarta-feira. Apenas soube pela mídia, por meio de notícias veiculadas, que o movimento desta data se refere a protesto sobre o descontentamento dos trabalhadores com referência às reformas previdenciária e trabalhista.
 
O Sopesp também recebeu informes de que, após o período das 13 horas o atendimento à requisição de trabalhadores avulsos será plenamente normalizado.
 
Reflexos
 
Em razão do protesto, a Via Anchieta, na entrada de Santos, chegou a apresentar congestionamento entre o km 60 e o km 65. A mobilização também causou reflexos na Avenida Martins Fontes, na entrada de Santos. Por volta das 10 horas, todo o tráfego já estava normalizado.
 
Polícia justifica postura
 
Procurada, a assessoria de imprensa da Polícia Militar informou que o Comando de Policiamento do Interior - 6, por meio de seus batalhões subordinados, reforçou a presença de policiamento ostensivo para garantir a segurança dos cidadãos e a ordem pública. 
 
Segundo a corporação, houve a necessidade de uso progressivo da força, por meio de técnicas de intervenção de baixa letalidade, garantindo o desbloqueio das vias que foram ocupadas por manifestantes e causaram grande congestionamento na Via Anchieta.


José Cláudio Pimentel / A Tribuna On-line
 

Comentários (0)


Fala Santos
E-mail: contato@falasantos.com.br
© 2010 Fala Santos. Todos os direitos reservados. site criado por