Polícia
20/03/2017 - 02h05

Carne Fraca: entenda o que pesa contra cada frigorífico


Megaoperação da PF para desmantelar esquema de venda de carne ilegal e fraude na fiscalização sanitária atinge BRF, JBS, Peccin e Larissa

 
Considerada a maior operação da história da Polícia Federal, a Carne Fraca, deflagrada nesta sexta-feira, desmantelou um esquema de pagamento de propina envolvendo funcionários do Ministério da Agricultura e empresários do ramo alimentício para relaxar a fiscalização e conseguir a liberação de licenças. A operação teve como alvos frigoríficos de pequeno porte e as gigantes BRF e JBS, que sentiram reflexos em seu valor de mercado — suas ações tiveram uma forte desvalorização na Bolsa de Valores ao longo do dia.
 
Diante das informações de que produtos estragados estavam sendo liberados ao consumo, o governo precisou se mobilizar para tranquilizar a população e avisar que “não há razão para pânico”, pois nem todos os frigoríficos do país estavam envolvidos nos casos investigados. Por fim, tomou como providências a interdição de três fábricas — um da BRF e dois da Peccin — e o afastamento de 33 funcionários. Entenda o que pesa especificamente sobre cada empresa.
 
BRF
 
A empresa se tornou alvo por irregularidades no frigorífico de Mineiros (GO), fabricante de carne de aves, e pelo envolvimento no esquema do seu gerente de Relações Institucionais, Roney Nogueira dos Santos, alvo de mandado de prisão preventiva. A ele foram atribuídos os crimes de corrupção, passiva e ativa, concussão, peculato, prevaricação, advocacia administrativa, falsificação e adulteração de substância ou produtos alimentícios e lavagem de dinheiro.
 
O inquérito traz indícios — não muito claros — de que material impróprio foi utilizado na produção de alimentos da BRF. É citado especificamente um diálogo entre Santos e um fiscal do Ministério da Agricultura, em julho de 2016,  em que ele fala sobre “reprocessar” aproximadamente 700 quilos de mortadela considerada inadequada.
 
Diálogos interceptados pela PF também mostram o envolvimento de outro diretor da BRF — André Baldissera. Ele aparece conversando com um interlocutor identificado como Fabrício sobre a retenção de contêineres na Europa. Com base nos áudios, a investigação concluiu que as autoridades sanitárias da Europa haviam identificado no carregamento “traços de uma das variações da bactéria salmonella” e, por isso, havia vetado a entrada dos alimentos.
 
O que diz a BRF 
 
A empresa divulgou uma nota, ressaltando que “cumpre as normas” e tem “rigorosos processos e controles”. “A BRF informa que (…) está colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos. A companhia reitera que cumpre as normas e regulamentos referentes à produção e comercialização de seus produtos, possui rigorosos processos e controles e não compactua com práticas ilícitas. A BRF assegura a qualidade e a segurança de seus produtos e garante que não há nenhum risco para seus consumidores, seja no Brasil ou nos mais de 150 países em que atua”, diz o texto.
 
Mandados
 
Roney Nogueira dos Santos (gerente de Relações Institucionais e  Governamen-
tais): prisão preventiva
 
André Baldissera (diretor): prisão preventiva
 
José Roberto Pernomiam Rodrigues Júnior (vice-presidente): prisão preventiva
 
Luis Guaraná (funcionário): condução coercitiva
 
Sede da empresa: mandados de busca e apreensão
 
Unidade de Mineiros (GO): interdição
 
 
Veja.com
 

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