Mundo
20/03/2017 - 02h13

Na terra de Don Corleone, bispo proíbe mafiosos de serem padrinhos


Líder religioso siciliano veta participação de criminosos em batismos em sua diocese

 
Se o clássico "O poderoso chefão" — romance de Mario Puzo adaptado no filme homônimo de Francis Ford Coppola — tem o nome original "O padrinho", a Igreja Católica da própria Sicília quer o fim desta fama. Um bispo siciliano proibiu mafiosos proeminentes de serem padrinhos em batismos nas igrejas de sua diocese. Michele Pennisi, arcebispo de Monreale, perto de Palermo, anunciou ter emitido o decreto para desafiar qualquer ideia de que os chefes do crime organizado "tenham um lado paternalista".
 
— A máfia sempre tomou o termo "padrinho" da igreja para dar a seus patrões um ar de respeitabilidade religiosa, enquanto de fato os dois mundos são completamente incompatíveis — afirmou.
 
A diocese de Pennisi inclui Corleone, no interior de Palermo que é o berço de Don Corleone, o "Padrinho" vivido por Marlon Brando.
 
Em fevereiro, o bispo tomou as manchetes italianas ao criticar um padre que permitiu que o filho de um dos mais famosos mafiosos da Sicília, Salvatore "Totò" Riina, atuasse como padrinho no batismo. O episódio motivo o decreto desta semana, que ele admitiu que seria complicado fazer cumprir, dada a cultura de lei do silêncio que dificulta os esforços da Itália para controlar o crime organizado no Sul.
 
— Se alguém não foi condenado, não podemos julgar as pessoas em rumores, sem provas — ressaltou ele, enfatizando que seu decreto não fechou a porta para figuras da máfia que procuram demonstrar arrependimento. — Se um deles admite ter cometido um erro, pede perdão pelo mal que fez, nesse caso podemos discutir um caminho de conversão.
 
 
Em um post anterior, em 2008, Pennisi recebeu ameaças de morte de uma multidão depois de proibir funerais religiosos para gângsters proeminentes.


Agências Internacionais 
 

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