Saúde
28/03/2017 - 04h08

Tosse de fumante pode esconder doenças graves


Denominada oficialmente como doença pulmonar obstrutiva crônica, enfermidade atinge mais de sete milhões de pessoas no Brasil
 
A chamada tosse do fumante é muito comum, tanto em quem ainda fuma quanto nos que pararam há pouco tempo com o tabagismo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 210 milhões de pessoas em todo o planeta sofrem desse mal, cujo nome oficial é doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
 
A DPOC é um perigo porque pode reunir uma série de doenças crônicas pulmonares, como enfisema e bronquite. Por conta disso, o Departamento de Saúde Pública do Reino Unido iniciou recentemente uma campanha para alertar sobre os riscos da tosse recorrente em fumantes.
 
O objetivo do órgão britânico é o de fazer as pessoas pararem de aceitar a tosse recorrente como algo que pode ser tolerado, encarando este sintoma como um alerta para procurar ajuda médica. Afinal, quanto antes for diagnosticado o DPOC, mais fácil será barrar a progressão da doença que ainda não tem cura, apenas tratamento que garante qualidade de vida ao paciente.
 
– Não existe tosse normal. A tosse é um sinal claro de que algo não vai bem no pulmão do fumante – enfatiza o pneumologista e professor da faculdade de Medicina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Oliver Nascimento, ressaltando ainda que quem é diagnosticado com a doença deve parar com o cigarro imediatamente.
 
Da mesma forma, o fumante não pode encarar com normalidade os efeitos do tabagismo no pulmão. Quem fuma aspira substâncias químicas altamente nocivas e tem o sistema respiratório afetado seriamente pela alta temperatura da fumaça. [2]
 
Pedro Genta, pneumologista do HCor (Hospital do Coração) e do Hospital das Clínicas de São Paulo, explica que o DPOC pode ter duas causas diferentes. Uma delas é a bronquite crônica que afeta as vias respiratórias nos brônquios (ou mais raramente nos bronquíolos). A outra é relacionada ao enfisema, uma destruição e alargamento dos alvéolos pulmonares.
 
Nos casos de enfisema, o problema está nos alvéolos pulmonares – as ramificações dos pulmões altamente vascularizadas e responsáveis pela troca gasosa entre o pulmão e a corrente sanguínea. Isso faz com que os alvéolos sejam destruídos, aprisionando o ar e reduzindo a quantidade de troca gasosa nos pulmões. Neste momento aparece a dificuldade para respirar. [2,3]
 
Na bronquite crônica, o revestimento das vias aéreas fica mais denso conforme o indivíduo vai fumando e inflamando os brônquios. As muitas formas de muco espesso nas vias aéreas tornam a respiração muito mais difícil. [2,3]
 
– De qualquer forma, enquanto a pessoa vai fumando, a inflamação nos brônquios vai aumentando, criando buraquinhos nos alvéolos pulmonares, que aprisionam o ar, trazendo muita dificuldade de respiração – afirma o pneumologista Nascimento.
 
A DPOC tem algumas outras consequências bem graves:
 
– Por englobar mais que enfisema, bronquite e até mesmo o câncer, ela acaba não sendo uma doença apenas pulmonar. Como a inflamação acontece justamente no pulmão, onde é feita a troca de oxigênio e gás carbônico entre pulmão e corrente sanguínea, é comum que pacientes tenham muitas outras inflamações – detalha o pneumologista Genta.
 
Pesquisas apontam que um em cada quatro adultos fumantes com mais de 40 anos tem uma diminuição no fluxo de ar que sai dos pulmões. No Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Portadores de DPOC, são mais de 7 milhões de pessoas com a doença. Somente 12% dos pacientes são diagnosticados e destes, apenas 18% recebem tratamento.
 
– É um problema de saúde pública. Mesmo que não seja reversível, existe tratamento que melhora muito a qualidade de vida do paciente. A primeira coisa é largar o cigarro. Depois, é preciso realizar atividade física com acompanhamento profissional para reabilitar o pulmão ­– recomenda Genta.
 
O médico afirma ainda que a alimentação dos pacientes também deve ser balanceada, pois a falta de ar torna as pessoas mais sedentárias. Além disso, há o uso de broncodilatadores e corticoides, já que estes pacientes costumam ter mais infecções, principalmente no inverno. Uma hábito alimentar adequado faz a diferença nesses casos.
 
Fontes:
 
1 - Organização Mundial da Saúde (OMS) – Estudo "Chronic Respiratory Disease"
 
2 - Pneumologista Oliver Nascimento – CRM 95200
 
3 - Pneumologista Pedro Genta – CRM 87176
 
 
 
Da Redação
 

Comentários (0)


Fala Santos
E-mail: contato@falasantos.com.br
© 2010 Fala Santos. Todos os direitos reservados. site criado por