Política
22/05/2017 - 02h03

Não às ameaças das forças armadas!


 
Raul Jungmann, ministro da Defesa no governo golpista, publicou em sua conta no Facebook um texto dizendo que os militares podem intervir na situação política diante da crise. Trata-se de uma ameaça de golpe militar mal dissimulada. Segundo Jungmann, os militares: “Estão preocupados com a perspectiva de, não revertido o quadro de deterioração em curso, se verem convocados a intervir em nome da Garantia da Lei e da Ordem – GLO, art. 142, caput, da CF.”
 
Jungmann chegou a anunciar sua saída do governo na quinta-feira (17), mas voltou atrás mais tarde. O outro ministro do PPS no governo, o golpista Roberto Freire, deixou a pasta da Cultura. O recuo aconteceu depois de uma reunião entre Jungmann e os comandantes das forças armadas. Na manhã de sexta-feira, o ministro apareceu com uma ameaça de golpe militar, uma clara ameaça contra o povo brasileiro e o congresso
 
A ameaça, portanto, parte das própria forças armadas. A crise do golpe se agrava com a permanência de Michel Temer no poder depois de ter sido demitido pelos donos do golpe. O governo Temer foi reduzido a pó pela resistência dos trabalhadores contra as reformas golpistas. Para tentar contornar esse problema, a própria direita golpista tratou de derrubá-lo para substituí-lo e continuar com o programa de alteração do regime político para fazer os trabalhadores pagarem pela crise econômica.
 
Diante da crise do golpe e da dificuldade da direita para aplicar o programa do imperialismo para o Brasil, os golpistas apresentam a possibilidade de uma solução de força para a crise e para impor sua política contra os trabalhadores, a população em geral e o país. O problema do golpe consiste em excluir a classe operária do regime político e tirar qualquer influência dos trabalhadores sobre as decisões do governo. Esse objetivo não foi alcançado e a crise tende a se aprofundar. A cartada do golpe militar seria para impor uma derrota ao conjunto da classe operária à força.
 
Abaixo, segue íntegra da ameaça publicada por Jungmann:
 
O principal juízo dos militares sobre a crise parte da constatação de que os atores políticos, legitimados pelo voto para apontar e construir os caminhos da solução, abdicaram do papel que o grave momento nacional lhes reserva e reduziram as enormes dificuldades que se abatem sobre nós a mera luta pelo poder, na sua expressão mais primária. E ao esforço de preservação de biografias que a cada dia se mostram mais indefensáveis.
 
Reclamam, em síntese, da inexistência de vontade política para o enfrentamento efetivo dos problemas e, em consequência, da incompreensível subordinação das razões de Estado às conveniências político-partidárias.
 
A visão que eles têm da crise atual pode ser assim resumida:

1.
Estão fechados com o que diz a Constituição e seu papel por ela definido. Nas suas palavras, nada farão fora do que diz o “livrinho” – nem para por, nem para tirar ninguém. Também não aceitarão ou apoiarão aventuras institucionais de qualquer das partes envolvidas;
 
2. Entendem, tendo em vista o aprofundamento social e econômico da crise, que cabe aos políticos sua rápida resolução, antes que ela se agrave ainda mais; e
 
3. Estão preocupados com a perspectiva de, não revertido o quadro de deterioração em curso, se verem convocados a intervir em nome da Garantia da Lei e da Ordem – GLO, art. 142, caput, da CF.
 
Convenhamos, a conjuntura lhes dá razão quanto ao temor de um descontrole. O crescente desemprego, a recessão, inflação, colapso fiscal de estados e municípios justifica a preocupação. Ademais, a perspectiva inédita de três anos de recessão, associada à vertiginosa perda de legitimidade do sistema político, de corrupção endêmica do governo e de parte do parlamento, somadas a amplas manifestações via redes sociais, torna cinzento nosso futuro.
 
Esse quadro poderia ser saneado se a política não fosse refém dela própria, como já dissemos anteriormente.


Diário Causa Operária
 

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