Judiciário
26/06/2017 - 07h43

Ainda há juízes em Brasília


Sabemos o caminho que isso vai tomar, e, portanto, já estou me posicionado antes. Sou contra o que se quer fazer aqui lá na frente

 
Embora falte o voto de quatro ministros, e os sete que já votaram ainda possam mudar os seus, o Supremo Tribunal Federal (STF) parece ter sepultado o mais duro golpe que poderia ser aplicado à Operação Lava Jato, e ao combate à corrupção até aqui.
 
Está em julgamento -, suspenso, na última quinta (22), para ser retomado nesta quarta (28) – a anulação da delação dos executivos do Grupo JBS que alcançou em cheio o presidente Michel Temer, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e outros políticos.
 
O ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato, corria o risco de perder a relatoria da delação da JBS que havia homologado. A anulação da delação abriria as portas para que todos os acordos semelhantes fossem revistos no futuro, o que condenaria ao fracasso parte da Lava Jato.
 
Tais propósitos não vingaram, pelo menos por enquanto. Fachin fez com correção o seu trabalho como relator, segundo sete ministros. O instituto da delação premiada é legítimo e permanece de pé. O interesse público foi preservado. Isso não quer dizer que para sempre será.
 
Em discussão com o colega Gilmar Mendes, o ministro Luís Roberto Barroso disparou um alerta preocupante:
 
- Sabemos o caminho que isso vai tomar, e, portanto, já estou me posicionado antes. Sou contra o que se quer fazer aqui lá na frente. Então eu não quero que se faça lá na frente. Já estou dizendo agora que não aceito.
 
Barroso quis dizer: há ministros no STF desejosos de salvar a pele de políticos encrencados na Lava Jato por meio da revisão de acordos de delação firmados pelo Ministério Público Federal. E eles não desistirão do seu intuito nem tão cedo. Toda a atenção com isso é pouca.
 
 
Ricardo Noblat / O Globo
 

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