Cultura e Entretenimento
10/07/2017 - 05h27

Marco da noite santista, bar Torto encerra as atividades em setembro


Um dos motivos seria o custo do aluguel, que no mês passado chegou a R$ 10 mil

 
Um dos mais tradicionais bares de Santos fechará as portas. Depois de 33 anos de muita música, badalação e histórias, o Torto Bar encerrará as atividades em setembro.
 
Os donos do estabelecimento, fundado em 23 de agosto de 1984, terão de entregar o imóvel alugado ao proprietário. Eles não entraram em acordo para a renovação do contrato de locação e não tinham como continuar arcando com os R$ 8 mil mensais de aluguel, em razão da crise. O último boleto cobrava R$ 10 mil.
 
“O ideal seria reduzir um pouco o valor por um período, até que a economia desse uma reagida, porque o dinheiro sumiu do mercado. Nós tentamos de tudo quanto é forma adequar o valor da locação para a realidade que a gente vive hoje, mas todas as propostas foram negadas”, disse o sócio-proprietário do Torto, Michel Pereira.
 
Ele contou que a compra do imóvel chegou a ser discutida, mas o valor pedido inicialmente – R$ 600 mil – é “alto e completamente fora da nossa realidade”. O dono do espaço também não queria mais alugá-lo e tem a intenção de vendê-lo, segundo Michel.
 
Com o contrato encerrado em 1º de maio, os donos do Torto receberam uma intimação judicial de despejo e combinaram com o proprietário de entregar o imóvel em 20 de setembro. A última noitada será no dia 17 daquele mês, finalizando uma programação especial que começa desde já.
 
“Queremos abrir a maior quantidade de dias possível, trazendo todo mundo que passou pela casa e tem interesse de se despedir do palco. Vamos tentar fazer com que todo mundo que esteve aqui possa se despedir e quem não esteve possa entender o porquê dessa comoção”, projetou Michel, que faz parte da direção do Torto desde 1989.
 
No Facebook, o anúncio do fechamento do bar, publicado às 17h44 de ontem, teve 1,8 mil reações, 665 compartilhamentos e 660 comentários até as 22h30. É uma prova do quanto aquele espaço apertado mas aconchegante no prédio inclinado da esquina do Canal 4 com a avenida da praia fará falta para o público na noite santista.
 
Perda
 
Um dos fundadores do Torto, o músico Julinho Bittencourt classificou o fechamento como uma “perda enorme”. Ele saiu da administração do bar no início dos anos 2000, mas continuou frequentando e tocando lá.
 
“O Torto é um bar em que é tudo errado, o palco vem antes do balcão, não é um lugar muito cômodo, não tem onde sentar... o grande patrimônio é a boa música”, exaltou Julinho. Os outros dois fundadores são Roberto Biela e Alfredo Rosato.
 
Para o músico, o fechamento do Torto é consequência de duas crises: “Tem a crise econômica, que é inegável e quem é da noite sabe o que é acumular dívida, e a crise do bom gosto. Lugares que oferecem a música que o Torto tem estão perdendo espaço no País”.
 
A Reportagem não conseguiu contato com o dono do imóvel do Torto até o fechamento desta matéria.
 
 
Gabriel Oliveira / A Tribuna On-line
 

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