Educação
23/08/2017 - 07h43

Estudantes da Fiocruz protestam contra corte de verbas do governo Temer


Falta de recursos pode comprometer desenvolvimento de pesquisas sobre zika, febre amarela e hanseníase

 
Estudantes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) fizeram uma paralisação nesta terça-feira (22) em todas as unidades do instituto, promovendo discussões públicas e passeatas contra cortes nas bolsas concedidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
 
Mayara de Mattos, aluna de mestrado e representante dos alunos de pós-graduação da Fiocruz, aponta que, com os cortes promovidos pelo governo de Michel Temer, diversas pesquisas correm o risco de ser paralisadas. "Quando você corta bolsa dos alunos, acaba atrasando a pesquisa, porque não vai ter ninguém pra fazer", conta, em entrevista à Rádio Brasil Atual.
 
O corte de 30% do orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicação, somados aos 40% contingenciados pelo governo (dos R$ 730 milhões destinados ao CNPq, R$ 672 milhões foram gastos até o final de julho) afetará, entre outras, pesquisas na área de arboviroses (doenças transmitidas por insetos), como as voltadas para febre amarela, zika, chikungunya e dengue, causando um grande impacto na saúde pública.
 
"Estudos sobre febre amarela e zika serão atingidos. Temos também estudos sobre hanseníase, doença de Chagas, coisas que atingem a população mais pobre, doenças negligenciadas, que a indústria farmacêutica não tem interesse e quem desenvolve é a universidade. Então, se isso parar, uma parcela da população poderá ser afetada", denuncia a estudante. 
 
Segundo dados do CNPq, houve uma redução de 45% na concessão de bolsas de mestrado e doutorado em 2017 em relação ao total de bolsas pagas em 2015 nessas modalidades. Nos dados totais, a agência pagou, até 27 de julho de 2017, 49,29% menos bolsas.
 
Mayara conta que a Fiocruz tem 992 bolsistas do CNPq e nenhum conseguirá se manter caso aconteçam mais cortes. "A gente perguntou quantos conseguirão permanecer sem a bolsa e todos disseram que não."


Rede Brasil Atual
 

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