Saúde
11/09/2017 - 04h52

As batalhas que ainda precisamos vencer contra o cigarro


O Brasil deve proibir o uso de aditivos que tornam o aroma e o sabor do cigarro mais agradáveis, usados para atrair os mais jovens
 
O número de fumantes passivos no país caiu quase pela metade nos últimos oito anos, segundo nova pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde nas 26 capitais e no Distrito Federal. Os dados revelam que a taxa caiu de 12,7%, em 2009, para 7,3%, em 2016. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o fumo passivo é a terceira principal causa de morte evitável no mundo, só ficando atrás do próprio consumo de cigarro e do abuso do álcool.
 
A redução dos fumantes passivos no Brasil está intimamente relacionada à diminuição do número de pessoas que fumam. Com menos fumantes, é natural que menos gente se exponha passivamente à fumaça do cigarro. Um levantamento feito por telefone e divulgado no ano passado sugere que o número de tabagistas no Brasil caiu 35% em dez anos. Passou de 15,7%, em 2006, para 10,2%, em 2016. Entre as causas desse fenômeno estão a maior conscientização da população sobre os malefícios do cigarro, a proibição de propagandas, a maior taxação e melhor acesso aos tratamentos para largar o fumo. Além disso, as leis que proibiram o uso de cigarro em ambientes fechados de uso comum (trabalho, bares, restaurantes) também tiveram um papel central na queda do fumo passivo.
 
O Brasil é considerado como modelo nas iniciativas que buscam uma diminuição do número de fumantes. Mas ainda há estratégias importantes, já testadas em outros países, que merecem ser implantadas por aqui, para acelerar ainda mais essa queda. Um dos pontos delicados que o Brasil precisa enfrentar é proibir o uso de aditivos que tornam o aroma e o sabor do cigarro mais agradáveis e exercem um papel importante de atração sobre os jovens. Mais de 90% dos fumantes adultos experimentaram o cigarro antes dos 15 anos, fase em que o risco de dependência é muito maior. Em 2015, quase 20% dos alunos do 9º ano das capitais brasileiras já tinham fumado pelo menos uma vez na vida. Uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de 2012, restringia os aditivos. Mas a indústria do tabaco conseguiu uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2013, que manteve o uso até que o caso fosse julgado em definitivo, o que ainda não aconteceu. 
 
Outra medida importante é aumentar o preço dos maços e controlar o contrabando de cigarros. De acordo com o ministro da Saúde, Ricardo Barros, uma elevação de 50% no preço evitaria nos próximos dez anos mais de 136 mil mortes, 507 mil infartos, 100 mil acidentes vasculares cerebrais e 64 mil casos de câncer. Uma estratégia usada em muitos países é proibir embalagens chamativas de cigarros, o que diminuiria o desejo dos jovens de experimentar. Como se vê, ainda há muito trabalho a ser feito e muitas resistências e interesses a ser vencidos.
 
 
Jairo Bouer
 

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