Esportes
02/10/2017 - 05h13

Há 40 anos, a bola dava adeus ao rei do futebol


Pelé foi o protagonista do amistoso internacional festivo disputado em Nova Jersey, no Giants Stadium

 
O árbitro assinala a falta. O goleiro começa a armar a barreira, mas o cobrador age rápido. Manda um tiro de longe, que entra no canto. Gol. O último dele, o de número 1.283. E, logo contra o clube que se tornou quase uma extensão de seu nome. Pelé fazia seu último tento contra o Santos há exatos 40 anos, completados neste domingo (1º.), na sua despedida dos gramados.
 
Mas, como querer mal a quem só lhe trouxe carinho? Amor, sentimento gritado a plenos pulmões pelo Rei antes da bola rolar, também sintetiza a relação dele com o Peixe. Ao jogar o primeiro tempo da partida no Giants Stadium, em Nova Jersey, se vislumbrava que o gol derradeiro viria com a camisa alvinegra. Não foi o que aconteceu. 
 
O placar foi de 2 a 1 para o time nova-iorquino. O último ato de uma carreira de 21 anos como profissional não poderia ter emocionado mais. Lágrimas não faltaram. Pudera: a fama de Pelé de emotivo é bem conhecida. Daquela vez, foi no ombro de Carlos Alberto Torres, com quem jogou no Santos, no próprio Cosmos, além, claro, da mítica seleção tricampeã de 1970. “Depois do discurso no centro do campo, em que o Pelé gritou ‘Love! Love! Love!’ (Amor!Amor! Amor!), ele não parava de chorar. Como eu estava ao lado, encostou no meu ombro e continuou”, lembrou o Capita, para o caderno especial de 70 anos de Pelé, em 2010. 
 
A Tribuna, por sinal, acompanhou de perto a jornada do adeus definitivo de Pelé ao futebol. Coube ao jornalista Ouhydes Fonseca o relato daquele dia especial. “(...)‘Somos os maiores de todos os tempos’”, disse o boxeador Muhamad Ali a Pelé, que respondeu: ‘Você está certo, somos os melhores’, observou, em certo trecho. Encontro de gigantes, que se admiravam. 
 
Celebração
 
Muhamad Ali não era o único astro internacional presente ao Giants Stadium. Dividia espaço com o ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, Henry Kissinger, cantores, como Roberta Flack e atores, como Telly Savallas, o eterno Kojak. Enfim, era um evento concorrido.
 
Mas nenhuma presença dizia tanto a Pelé como a de Dondinho e Celeste, seus pais, assim como de Waldemar de Brito, o homem que o trouxe de Bauru para Santos. Dondinho recebeu a camisa do Cosmos, e Britto, a do Santos. Também estavam lá a então esposa Rosemeri, os irmãos Zoca e Maria Lúcia, e os filhos Edinho e Kelly Cristina. 
 
O Atleta do Século 20, no discurso que antecedeu o jogo, tentou expressar o que sentia, em inglês, mas com discurso absolutamente universal – como ele. “Quero aproveitar esta oportunidade, em que todo mundo me vê, para dedicar o jogo às crianças do mundo, porque acredito que o amor é ainda a coisa mais importante que podemos ter em nossa vida”.
 
O jornalista Lemyr Martins acompanhou a despedida para a revista Placar. Era a quarta do Rei a que comparecia – já havia estado na despedida do Santos, em 1974, e as duas da Seleção, contra Áustria, no Morumbi, e Iugoslávia, no Maracanã, ambas em 1971. Mas a emoção, garante, era ímpar. 
 
“Era emocionante porque estava sendo testemunha do final da carreira, algo que ninguém queria. Mas o tempo é inexorável. O final coroado num país escolhido onde não existia futebol”. Mas que soube coroar, para sempre, o seu Rei.
 
 
Anderson Firmino / A Tribuna On-line
 

Comentários (0)


Fala Santos
E-mail: contato@falasantos.com.br
© 2010 Fala Santos. Todos os direitos reservados. site criado por