Cultura e Entretenimento
08/11/2017 - 05h25

Clarinetista da Banda Sinfônica de Cubatão vence concurso nacional


Suzane Raquel recebeu o prêmio de 1ºlugar no Concurso "Jovens Solistas" da Semana Eleazar de Carvalho, neste domingo (5), na Capital. Festival é um dos mais importantes do Brasil

 
Muitos dizem que para viver da música, o artista precisa ingressar cedo na atividade, seja ela qual for. Mas uma musicista da Banda Sinfônica de Cubatão provou esta semana que força de vontade e dedicação podem fazer toda a diferença e mudar a história de uma vida. Suzane Raquel começou a estudar música aos 16 anos de idade e hoje, aos 25, a clarinetista da Banda Sinfônica de Cubatão foi premiada com o 1º lugar no Concurso Jovens Solistas, da Semana Eleazar de Carvalho. A cerimônia de premiação aconteceu neste domingo (5), na Sala São Paulo, na Capital.
 
Ela competiu com jovens talentos de todo o Brasil, já que o Concurso acontece nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. Nesta etapa final, os vencedores de cada região se enfrentam. Além do certificado de 1ª colocação, Suzane retorna em 2018 ao Festival, na condição de solista, participando de duas apresentações de gala com orquestras convidadas.
 
Esta é a primeira vez que a musicista participa de um concurso e conta que a experiência está sendo incrível. "O Festival Eleazar de Carvalho é super importante e bem conceituado no meio musical erudito. Reúne gente de todo o Brasil e a troca de experiências de temos nesses dias de competição é algo insubstituível. Espero que esse prêmio seja um exemplo para outros que, como eu, tem o sonho de viver da música. É uma realidade muito difícil, ainda mais nos dias de hoje", afirma.
 
A declaração tem a ver, principalmente, com os alunos do Programa Banda Escola de Cubatão - BEC, onde Suzane dá aulas como monitora. Com uma semana repleta de atividades - sempre musicais, Suzane cursa piano na Escola Técnica de Música e Dança de Cubatão e faz Faculdade de Música na Universidade FIAM-FAAM, na Capital: "Passo meus dias entre Cubatão e São Paulo. Durmo na casa de parentes, amigos, é uma correria muito grande. Mas hoje percebo que todo esforço está valendo a pena".
 
A história de amor entre Suzane Raquel e a música teve início em Peruíbe, cidade em que ela nasceu e cresceu. Aos 10 anos de idade, teve o primeiro contato com a música em um projeto escolar. "Foram apresentados vários instrumentos musicais, mas eu só me lembrava do clarinete (risos). Acho que essa paixão vem desse tempo...", comenta. Na época, morava longe do colégio e não teve condições de ingressar no projeto que ensinava música no contraturno escolar.
 
Somente seis anos depois teve a oportunidade de iniciar os estudos na música. Foi quando ingressou na Banda Musical de Peruíbe, porém, novamente, as dificuldades fizeram a jovem paralisar as atividades por mais dois anos. Em 2010, finalmente Suzane se matriculou na Banda Escola de Cubatão. Algumas vezes por semana percorria os 82 quilômetros que separam Peruíbe e Cubatão para se aperfeiçoar no que sempre foi a sua paixão. No BEC, se formou clarinetista e, nesse meio de tempo, começou a estudar na Escola Técnica de Música e Dança.
 
No ano de 2015, a jovem passou a fazer parte do corpo artístico da Banda Sinfônica de Cubatão, quando também iniciou o bacharelado na FIAM-FAAM. Se lembra quando, ainda criança, ouviu a Banda Sinfônica pela primeira vez em uma apresentação ainda na cidade de Peruíbe. Não fazia ideia do que era aquela vida de artista, mas ficou extremamente encantada. "Aquele som maravilhoso que saía da Sinfônica me fisgou. Ali, tive certeza de que era isso que eu queria fazer para o resto da vida. E me perguntava: Será que um dia estarei ali, sentada em uma daquelas cadeiras, tocando com a Banda Sinfônica de Cubatão?". E hoje, a artista comemora a vida que tem e a oportunidade de ainda ser colega da musicista Cláudia Santos, clarinetista que ensinou a Suzane as primeiras notas musicais. Reserva dois finais de semana por mês para retornar a Peruíbe e matar saudades dos pais e do irmão pequeno.
 
O maestro Rodrigo Vitta, regente titular da Banda Sinfônica, destaca o esforço de Suzane. "É muito bom ver que nossos artistas continuam conquistando o Brasil, muitas vezes com limitações financeiras. A Suzane é uma prova de que determinação é essencial nessa carreira. Fiquei muito feliz quando tive a notícia que ela conquistou o 1º lugar no Concurso", disse o maestro. Rodrigo também viveu uma maratona no Festival: abriu o evento com a apresentação frente à Banda Sinfônica de Cubatão, semana passada, em concerto no Museu da Casa Brasileira e regeu a Orquestra Sinfônica e Coro Acadêmico da FIAM-FAAM, faculdade em que leciona, em apresentações durante toda a semana, em vários espaços paulistanos, também integrando a Semana Eleazar de Carvalho.
 
Semana Eleazar de Carvalho - Aconteceu até 6 de novembro, em diversos espaços de São Paulo com concertos, concursos de solistas e regentes e oficinas. O Festival homenageou o maestro Eleazar de Carvalho, um dos maiores nomes da música erudita no Brasil. Cearense, Eleazar esteve à frente das maiores orquestras do mundo, entre as quais as Filarmônicas de Berlim, Viena, Nova York e Boston. Ele trouxe para o Brasil o modelo do Festival de Tanglewood, onde foi professor de regência.
 
 
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