Culinária e Gastronomia
11/12/2017 - 05h01

Vinícola Mosconi Bertani


Nos arredores de Verona, no Vêneto, norte da Itália, uma vinícola histórica e belíssima, situada no coração da região produtora do Valpolicella, teria sido o berço do clássico Amarone della Valpolicella

 
A Villa Mosconi Bertani é uma mansão neoclássica, cuja construção se iniciou em 1735. No local já havia uma antiquíssima adega, junto a um assentamento de um povo ancestral, anterior ainda à subsequente ocupação romana, onde hoje é a pequena cidade de Arbizzano di Negrar.
 
Em 1769, a família Mosconi adquiriu a propriedade inacabada e a completou. Os Mosconi deram grande impulso à produção de vinho naqueles tempos, tornando-se uma das maiores adegas do norte da Itália.
 
Na época, a vila havia se tornado um importante ambiente intelectual e literário, frequentado por personagens de importância da época, como poetas, escritores políticos, pensadores e artistas. Como toda propriedade histórica, nos anos 1920 a mansão sofreu com abandono, depreciações e vandalismo.

 
A família Bertani, em 1957, adquiriu e restaurou a propriedade e nela abrigou sua adega e vinícola. Recuperada e restaurada, viu de volta seu esplendor arquitetônico e sua requintada decoração, com belíssimos afrescos na sala principal e sua sucessão interminável de salas, que se estendem para ambos os lados, através das duas asas laterais à construção central. Hoje, a vinícola promove visitas guiadas, degustações e eventos, como casamentos, concertos eruditos, saraus e solenidades corporativas.
 
Há uma curiosa história relacionada a esta vinícola. O famoso e cobiçado vinho Amarone della Valpolicella teria sido inventado lá na Mosconi Bertani, segundo Giovanni Bertani, herdeiro e atual responsável pela administração da propriedade.

 
No ano de 1936, o enólogo responsável se esqueceu de esvaziar uma barrica na qual fermentava um mosto destinado à produção do vinho Recioto, um tinto doce elaborado com até quatro variedades de uvas passificadas (colhidas maduras e postas para secar). Graças ao esquecimento, as leveduras ganharam tempo e prosseguiram consumindo açúcar (e aumentando o teor alcoólico). Quando ele experimentou o vinho dessa barrica, viu que no sabor havia muito pouco açúcar – ou seja, o vinho havia deixado de ser doce e resultara num tinto seco e mais alcoólico, porém com um residual de açúcar. Foi assim que surgiu o Amarone della Valpolicella, um vinho que tem hoje centenas de produtores no norte da Itália e fãs ardorosos pelo mundo todo.
 
Estive duas vezes na Mosconi Bertani. Na primeira, uma manhã calma e luminosa de outubro, a colheita havia se encerrado e havia trabalho somente na cantina. Acompanhado do simpático Giovanni Bertoni, experimentei vários de seus vinhos, todos muito bem elaborados, com destaque para o notável Amarone, enquanto Giovanni me contava a história da propriedade, até os dias de hoje. Caminhando pela propriedade, sob um céu azul e uma temperatura agradável, conheci alguns de seus belos vinhedos ao redor, alguns murados.
 
Minha segunda visita foi durante a Vinitaly 2015, quando voltei à vinícola para uma recepção ao cair da noite, em um gélido entardecer de abril. Na primeira vez, a visita foi mais divertida.
 
Mosconi Bertani
www.mosconibertani.it • Località Novare 37024 • Arbizzano di Negrar • Verona – Italy • +39 045 602 0744
 
 
Paladar 
 

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