Política
27/12/2017 - 03h21

Vice-líder do governo na Câmara defende 'tête-à-tête' com deputados para aprovar reforma da Previdência


Beto Mansur contabiliza até 320 aliados na base, mas admite que nem todos confirmaram o voto favorável à proposta


 
O vice-líder do governo na Câmara, deputado Beto Mansur (PRB-SP), esteve no Palácio do Planalto nesta terça-feira para tratar das novas negociações referentes à aprovação da reforma da Previdência. O parlamentar, que calculou prazo de 45 dias para realizar as tratativas junto aos membros do Congresso, encontrou com o presidente Michel Temer para apresentar um levantamento dos parlamentares favoráveis e contrários à proposta da reforma da Previdência.
 
De acordo com Mansur, apesar de ainda não ter um número oficial, parte dos deputados indecisos já demonstraram interesse em acompanhar o governo.
 
— A gente vai buscar fechamento por parte dos partidos, isso é importante. E lógico, fazer o tête-à-tête, mesmo por telefone, porque os parlamentares não estão aqui (em Brasília) — detalhou.
 
O deputado disse ter conversado com o novo ministro de articulação política do governo, Carlos Marun, a fim de criar um cronograma e concentrar o trabalho dos números de apoiadores à proposta. Além disso, Mansur pretende detalhar os anseios políticos de cada parlamentar para poder "fechar os apoios dos diversos partidos". O vice-líder do governo ressaltou que ainda existem "pendências", mas que essas "são normais".
 
— São coisas que precisam ser cumpridas. É isso que está se fazendo e que eu acredito que vá ter resultado positivo. Vou procurar passar dados diários para o Marun para ele ver quem é contra ou a favor. Na base tem voto suficiente para que a gente possa entrar com 315, 320 votos. O que a gente precisa é convence-los (deputados da base) para votarmos a Previdência.
 
O deputado considerou que segurar a apresentação do texto final pode ser uma estratégia importante. De acordo com ele, a partir do momento que o teor da proposta é aberto ao público, novas críticas, opiniões e pedidos de alteração poderão ser feitas.
 
— Eu tenho uma opinião estratégica. Já que não leu texto (no plenário da Câmara antes do recesso parlamentar), se você apresenta agora, a proposta vai ficar recebendo crítica, opinião, até lá na frente. 
 
— Até disse para o Arthur (Maia, relator da reforma da Previdência na Câmara): Não mexe em nada, deixa isso quieto. Passou o dia 19, vamos apresentar— acrescentou.
 
CHANTAGEM
 
Mais cedo, Temer esteve com o novo ministro Carlos Marun. Um dos assuntos pautados na reunião também foi a reforma da Previdência. Ao deixar o local, o ministro admitiu que a liberação de verbas solicitadas por governadores para quitar as dívidas dos estados pela Caixa Econômica Federal está condicionada ao apoio dos representantes estaduais ao texto da reforma.
 
Questionado sobre a reação do governo ser um tipo de chantagem para garantir os votos necessários no plenário da Câmara, o ministro desconversou. Em seguida, afirmou que não se trata de chantagem, mas de "ação de governo".
 
— Realmente o governo espera daqueles governadores que têm recursos a serem liberados, financiamentos a serem liberados, uma reciprocidade no que tange a questão da Previdência. Mas olha, eu não entendo que seja chantagem do governo atuar no sentido de que um aspecto tão importante para o Brasil se torne realidade, que é a modernização da Previdência — declarou o ministro.
 
Em caminho contrário, Mansur disse não existir "nenhum condicionamento":
 
— Isso não tem nenhum cabimento. Pode ser uma posição do próprio ministro, mas o que eu estou entendendo junto à base é de que a gente vai trabalhar no convencimento para buscar esse apoio - enfatizou o vice-líder do governo.


Extra
 

Comentários (0)


Fala Santos
E-mail: contato@falasantos.com.br
© 2010 Fala Santos. Todos os direitos reservados. site criado por