Cultura e Entretenimento
02/01/2018 - 03h25

Mutante, Rita Lee é rainha absoluta do rock nacional desde a década de 60


Roqueira irrequieta, que completa 70 anos, participou da Tropicália e tem hits que atravessam gerações, como ‘Mania de você’, ‘Esse tal de roque enrow’ e ‘Lança-perfume’

 
Seu nome é Rita Lee Jones de Carvalho, e ela ingressou cedo no mundo artístico: em 1963, aos 16 anos, já integrava um trio vocal feminino, o conjunto Teenage Singers, como conta a edição do GLOBO de 16 de janeiro de 1985. Três anos depois, encontra os irmãos Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, e com eles formou a lendária banda Os Mutantes, que participou do Movimento Tropicalista. Depois de seis anos como integrante, a paulistana foi expulsa do grupo pelo próprio marido, Arnaldo, por incompatibilidade artística. Juntamente com a amiga Lúcia Turnbull, resolvem fundar a banda Tutti Frutti, que durou até 1978, quando partiu, então, para uma parceria de sucesso que funciona até hoje, com o marido e músico Roberto de Carvalho.
 
Detentora de grandes sucessos, que lhe renderam o título de Rainha do Rock nacional, tem hits como "‘Esse tal de roque enrow", "Mania de você", "Lança-perfume", que está na boca de várias gerações. Com criatividade que extrapola a música, em entrevista ao GLOBO em 3 de dezembro de 1987, às vésperas de completar 40 anos, estava preparando um novo álbum, shows em Portugal, atuação em dois filmes, "Como a lua" e "Alice, que delícia", além de dois livros.
 
Com humor marcante, a roqueira, nascida em 31 de dezembro de 1947, já chocou muita gente com suas declarações, tendo confessado que experimentou de tudo: ácido, cocaína, heroína. Porém, diz também que sempre foi mãe dedicada: durante as três gravidezes dos filhos que teve com Roberto de Carvalho — Beto Lee ( 1977), João Lee (1979) e Antonio Lee (1981) — abraçou a maternidade com muito amor, como deixou evidente ao falar dos filhos para o jornal em 27 de abril de 1987: "todo tempo pra eles é pouco".
 
— Sou completamente ligada aos meus filhos e procuro não interferir em nada. Estou criando eles para serem independentes, sem ser a mãe moderninha ou a mãe chatinha.
 
Durante a primeira gravidez, em 1976, Rita Lee foi condenada a um ano em prisão domiciliar por porte ilegal de maconha. Na época a cantora negou que estivesse usando a droga, justamente por estar grávida, e conseguiu manter sua agenda de shows, mediante autorização judicial. Mas a roqueira conta que só veio a se livrar das drogas em 2006, após o nascimento da neta e de passar por uma clínica de reabilitação, que ela classificou de hospício ao GLOBO em 22 de maio de 2009, depois de 12 anos sem conceder entrevistas pessoalmente.
 
No campo político, Rita Lee sempre foi engajada. Já se declarou eleitora de Marta Suplicy, defensora das causas ecológicas, simpatizante do (Partido Verde); projetou um hospital para animais, um asilo alegre para velhinhos abandonados e uma creche. Mas nos últimos tempos tem estado decepcionada com a política nacional, conforme afirmou em 13 de agosto de 2017:
 
— A polarização está muito chatinha, não confio em nenhum dos lados. O voto obrigatório é o grande vilão do Brasil.
 
A cantora também já foi apresentadora de TV na década de 1990 na MTV e no GNT, quando participou de "Saia justa". O sucesso de suas músicas também extrapolaram o rock: o bloco carnavalesco Ritaleena, que desfila pelas ruas do bairro paulista de Pinheiros, executa os maiores sucessos da cantora nos mais variados ritmos, de marchinhas ao funk.
 
Em 2014, a história da artista foi parar nos palcos com o musical "Rita Lee mora ao lado", interpretada por Mel Lisboa e que ficou em cartaz por mais de dois anos. Após dizer que 2017 seria um ano sabático, Lulu Santos, impactado por "Rita Lee: uma autobiografia" (2016), quebrou a promessa e voltou aos estúdios para gravar o álbum "Baby baby", com regravações da cantora.
 
Rita Lee anunciou sua aposentadoria dos palcos, mas não da música, ao estrear na lendária casa de shows carioca Circo Voador, em janeiro 2012, alegando fragilidade física. Desde então, a artista se isolou em sua casa em São Paulo, reduziu o contato com a imprensa e o público, mas não parou de trabalhar um momento sequer. Após sua biografia virar um fenômeno de vendas, lançou o livro de contos "Dropz", que fala de forma sarcástica sobre terrorismo, feminismo e política, e anunciou mais uma produção cinematográfica, sem descartar um disco de inéditas.

 
 
Sandro Macedo
 

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