Trabalho
01/02/2018 - 09h38

Informalidade foi o motor do emprego no país em 2017, aponta IBGE


O trabalho informal foi o grande responsável pelos empregos gerados no país em 2017, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, o mercado de trabalho gerou 1,846 milhão de postos de trabalho no quarto trimestre de 2017, 2% a mais na comparação com mesmo intervalo do calendário anterior.
 
Desse total de empregos gerados, 598 mil vagas surgiram no setor privado sem carteira de trabalho assinada na comparação entre o quarto trimestre de 2016 e 2017. Esse grupo é formado por pessoas pessoas que trabalham para alguém ou para alguma empresa do setor privado sem o devido registro na carteira de trabalho.
 
"Existe claramente uma entrada expressiva de pessoas trabalhando principalmente em ocupações voltadas para a informalidade. Não temos ainda recuperação da carteira, não existe qualquer indício disso. Qualidade do emprego gerado, portanto, é questionável", disse Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.
 
A esses empregados somam-se mais 1,07 milhão de pessoas que passaram a atuar como trabalhadores por conta própria, sempre na comparação entre o quarto trimestre de 2016 e 2017. São pessoas inseridas no mercado como espécie de autônomos, sem funcionários, desde vendedores de quentinhas a motoristas de aplicativos. Sua maioria esmagadora sem CNPJ.
 
Ao mesmo tempo, o número de pessoas inseridas no mercado de trabalho com carteira de trabalho assinada encolheu, de 34 milhões para 33,3 milhões. Trata-se de uma redução de 2%, ou 685 mil pessoas a menos.
 
O setor público, por sua vez, tinha 251 mil pessoas a mais em seus quadros no quarto trimestre de 2017, frente ao mesmo período do ano anterior, alta de 1,6%.
 
Trimestre
 
O comércio e os serviços foram os principais destaques de contratações no país no quatro trimestre de 2017, perante os três meses anteriores. De outubro a dezembro, o país gerou 811 mil novos empregos, aumento de 0,9%.
 
O setor de comércio contratou 368 mil pessoas no último trimestre de 2017, em relação aos três meses anetcedentes. Isso representa um crescimento de 2,1% no total de pessoas ocupadas no setor. Frente ao mesmo período de 2016, a alta foi de 1,2%, o que significa 219 mil pessoas a mais no setor.
 
Os últimos meses do ano costumam ser o pico de emprego por fatores sazonais, como a contratação de pessoal extra para as vendas de fim de ano. Esses temporários, ou pelo menos parte deles, tendem a ser dispensados no início do ano seguinte.
 
A pesquisa mostra ainda que o setor de cabeleireiros, embelezamento e cuidados pessoais, chamado de "outros serviços" na pesquisa do IBGE, contratou 163 mil pessoas no quarto trimestre de 2017, frente ao três meses anteriores, alta de 3,6%. Perante igual intervalo de 2016, o aumento foi de 8,7%, em 375 mil pessoas. Trata-se de um grupo de atividade muito associado à informalidade.
 
A indústria também deu sua contribuição para o aumento de contratações no fim do ano. O setor gerou 117 mil postos frente ao terceiro trimestre de 2017, avanço de 1%. Para o IBGE, neste caso, a variação pode ser considerada estatisticamente estabilidade. Frente ao fim de 2016, o avnço foi de 4,6%, com mais 527 mil trabalhadores.
 
Em contrapartida, o número de pessoas empregadas na agricultura caiu de 8,621 milhões para 8,463 milhões na passagem do terceiro para o quarto trimestre de 2017, queda de 1,8%.
 
 
Valor Econômico
 

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