Saúde
02/02/2018 - 09h02

Vírus da febre amarela deve seguir caminho da Serra do Mar


Rota é baseada em corredor ecológico; cidades estão em lista de vacinação
 
Após entrar na região da Cantareira pela divisa com Minas Gerais, o vírus da febre amarela provavelmente seguirá seu caminho no Estado de São Paulo em direção à Serra do Mar, preveem as autoridades de saúde.
 
Por essa razão, cidades do litoral como Guarujá, Ilhabela e São Sebastião, entre outras, foram incluídas na campanha de vacinação com doses fracionadas, iniciadas no último dia 25. Desde então, cerca de 1 milhão de pessoas foram vacinadas no Estado.
 
Para Marcos Boulos, coordenador de Doenças da Secretaria da Saúde do governo Geraldo Alckmin (PSDB), a chegada ao litoral provavelmente não ocorrerá neste verão. "Se começar a aparecer casos na região de Angra dos Reis e Paraty, vamos saber", disse.
 
Por ora, isso não ocorreu. O litoral paulista não registra nenhum caso da doença, nem em humanos nem em macacos.
 
Casos, porém, já foram registrados no ano passado no Espírito Santo e, neste ano, em algumas cidades do Estado do Rio.
 
Boulos afirma que é possível que todo o Estado de São Paulo venha a ser considerado área endêmica, ou seja, com ocorrência contínua da febre amarela. Por isso, a ideia é vacinar a população de todas as cidades paulistas até o final deste ano –mas de forma gradual.
 
A secretaria ressalta que pessoas sem indicação da vacina não devem correr aos postos, até porque o Estado registra três mortes por reação adversa à vacina e tem mais 12 sob investigação.
 
Não devem tomar a imunização, por exemplo, crianças com menos de nove meses e pessoas imunossuprimidas.
 
Quem está fora da área de recomendação de vacina, ou não pretende viajar a alguma, deve esperar a orientação médica ou das autoridades de saúde para tomar a vacina.
 
CORREDORES ECOLÓGICOS
 
A previsão de rotas pelas quais a febre amarela pode avançar é feita desde o ano passado com base em corredores ecológicos: regiões de mata e rios por onde o vírus tem se disseminado.
 
Mapeamento feito pela secretaria mostra que o vírus avançou por esses corredores desde 2016, chegando em três entradas. A primeira, pela região de São José do Rio Preto, no noroeste do Estado; a segunda, por Poços de Caldas, no sul de Minas, e a terceira, pela região de Extrema, cidade mineira na divisa com cidades paulistas da região da Serra da Cantareira.
 
Essa terceira entrada seria a responsável pelos casos que ocorrem em cidades como Mairiporã (77) e Atibaia (17). O número de registros da doença no Estado aumentaram de 81 para 134 na semana passada, em relação à anterior.
 
Uma hipótese da área técnica para a volta da circulação do vírus é o aumento da área de reflorestamento do Estado, que teria crescido 16% na última década. Com isso, fragmentos de mata antes separados podem ter voltado a ter interligações.
 
TRANSPLANTE E REMÉDIO
 
Desde o início do ano, o Estado de São Paulo fez seis transplantes em pacientes com hepatite fulminante causada por febre amarela, cinco na capital, onde eles estão em recuperação, e um em Campinas, que não resistiu e morreu. A iniciativa é inédita no mundo.
 
O secretário David Uip afirma ainda que está em desenvolvimento um protocolo para uso de medicamento contra hepatite C (sofosbuvir) para uso em parte dos casos de febre amarela, como antecipou a Folha. Parte dos doentes já estaria recebendo o tratamento, em comum acordo com os médicos.
 
Segundo ele, a população de todo o Estado deve ser vacinada até o final, de forma gradual, com doses fracionadas.
 
A imunização também será incluída no calendário de vacinação de crianças do país todo, por decisão tomada no ano passado pelo Ministério da Saúde. A data de início da medida ainda será definida.

 
 
Folhapress
 

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