Turismo
14/02/2018 - 03h05

Conheça Nazaré, a cidade portuguesa das ondas gigantes


A surfista Maya Gabeira e sua onda de prováveis 24 metros colocaram as praias centrais do país em evidência para os brasileiros. Veja opções na região – para curtir swell ou marolinha

 
A cidadezinha costeira de Nazaré, em Portugal, tem atraído cada vez mais turistas que querem ver de perto a força de suas ondas. Todos os anos, nos meses de grandes ondulações no Atlântico Norte, a previsão do tempo é consultada para que as pessoas consigam apreciar os surfistas mais destemidos do planeta em ação.
 
E não é para menos. Em janeiro, ondas de mais de 20 metros chegaram à Praia do Norte e fizeram o principal cartão-postal da região ser renovado. A brasileira Maya Gabeira surfou uma onda estimada em 24 metros há duas semanas – está pleiteando reconhecimento do Guinness Book de maior onda surfada por uma mulher. Outro atleta, o português Hugo Vau, surfou recentemente uma montanha de água de aproximadamente 35 metros.
 
O sucesso turístico de Nazaré, que começa a dividir espaço na agenda dos turistas com lugares como Lisboa, Porto e Sintra, foi criado a partir do surfe. Em 2010, o norte-americano Garrett McNamara entrou de cabeça em um projeto que tinha como objetivo usar as imagens e vídeos das grandes ondas para divulgar a localidade como destino turístico. Deu certo.
 
McNamara conta, inclusive, que chegou a desdenhar do projeto. Ele recebeu e-mails com o convite por mais de cinco anos, até que sua mulher falou que ele deveria dar uma olhada. “Isso mudou minha vida. Eu pesquisei em todas as partes do mundo, procurei em muitos lugares, mas nenhum local tem um cânion submarino como Nazaré. Para se ter uma ideia, se em Supertubos, em Peniche, está dez pés de altura, em Nazaré está 50 pés. É um fenômeno.”
 
A cada temporada, mais e mais surfistas vão em busca da mítica onda de 100 pés (acima de 30,48 metros) ao mesmo tempo que mais e mais turistas aparecem neste destino na região central de Portugal. Tanto que a vila de pouco mais de 15 mil habitantes, que tinha na pesca sua principal fonte de recursos, já aposta nos viajantes para aumentar sua arrecadação.
 
A melhor vista das ondas gigantes é a partir do Forte de São Miguel Arcanjo, que fica no topo de um penhasco, com visão privilegiada do mar. É abaixo dele que termina o cânion submarino que faz com que as ondulações se transformem em enormes ondas quando chegam perto da costa.
 
Isso tudo ocorre por causa da geologia submarina no local. O “Canhão de Nazaré” é um desfiladeiro de 210 quilômetros que parte de 5 mil metros de profundidade. A 500 metros do litoral, começa a diminuir de profundidade e possibilita a formação de grandes ondas, para delírio dos viajantes que se posicionam no alto do morro com suas máquinas fotográficas.
 
Para todos. Mas esse trecho do litoral português também tem praias para surfistas iniciantes. Com temperaturas mais amenas no inverno, muitos viajantes dos países frios vão para lá a fim de surfar e poder entrar na água – claro que com roupas especiais de borracha nos meses mais frios.
 
Em Peniche, a 64 quilômetros de Nazaré, o surfe também tem uma centralidade e virou política pública. A prefeitura local apoia, incentiva e ajuda a patrocinar uma etapa do Circuito Mundial na praia de Supertubos – este ano vai ocorrer entre 16 e 27 de outubro. Há trechos de costa para aprendizes de surfe – com várias escolas – e para esportistas experientes em praias como a Papoa. E há ainda bons restaurantes – incluindo o Gauchão da Picanha, de comida brasileira. O prato típico é a sardinha assada, que está no cardápio dos principais estabelecimentos dessa pacata vila de quase 30 mil habitantes.
 
O centro histórico reúne igrejas dos séculos 16 e 17 e pode-se caminhar pela orla até a marina, passando pela bela Fortaleza de Peniche, que foi construída em 1557 e tem também um museu. O esporte em cima da prancha também se tornou um chamariz para atrair turistas e oferecer novas fontes de renda para quem vivia da pesca.
 
“Nazaré fica muito bem localizada, perto de Lisboa e Porto, com estradas confortáveis para chegar lá. Pertinho tem Figueira da Foz, em direção ao Porto, que tem ondas incríveis e é pouco falada. Além disso, na região tem muito turismo de interior, onde pode-se visitar fazendas”, indica o experiente surfista Carlos Burle, que todos os anos vai para Portugal em busca das ondas grandes.
 
Pelo interior. Se no litoral o esporte atrai e serve de cartão-postal, em direção ao interior a região central de Portugal cativa pela história e até religião. Em Fátima, a apenas 63 quilômetros de Nazaré, está o maior santuário católico de Portugal. Pertinho dali está Batalha, um mosteiro construído no século 14 que foi fundado por d. João I.
 
Mais perto de Peniche, Óbidos é uma vila medieval fundada no ano de 1195 e que leva o viajante a uma viagem no tempo. O professor Diogo Labiak Neves esteve lá quando fez doutorado na Universidade de Coimbra e se encantou. “Óbidos é especialmente interessante por ser uma cidade murada com jeitão de cidade pequena. Cercada por uma muralha medieval, a cidade pode ser visitada em um dia”, conta.
 
Ele lembra que os viajantes que pretendem dormir na cidade precisam ficar atentos por causa das poucas hospedagens disponíveis. Já no quesito gastronomia, Óbidos é uma fartura. “Há vários restaurantes pelas ruas da cidade e diversas lojas de artesanato e de lembranças para os turistas. Em especial pode-se aproveitar a para provar a Ginja de Óbidos, uma bebida alcoólica típica local, e azeites artesanais que às vezes os turistas dão sorte de encontrar por lá.”
 
SAIBA MAIS
 
Como ir: Nazaré fica a 122 km de Lisboa: trens partem da estação Rossio duas vezes por dia, 10,50 euros por trecho em média. A viagem dura pouco mais de 3 horas e o desembarque é em Famalicão da Nazaré. Do Porto, a 214 km do Porto, pegue o trem na estação São Bento e desembarque em São Martinho do Porto, ao lado de Nazaré; custa cerca de 22 euros e a viagem dura cerca de 4 horas. Site: cp.pt. 
 
Melhor época: a estação das grandes ondas vai de novembro a janeiro, inverno; para pegar praia, vá entre junho e agosto 
 
 
 
O Estado de S. Paulo
 

Comentários (0)


Fala Santos
E-mail: contato@falasantos.com.br
© 2010 Fala Santos. Todos os direitos reservados. site criado por