Trabalho
20/02/2018 - 09h00

Serviço público dá estabilidade, mas exige vocação para servir


Ter um emprego estável é o sonho de quem presta concurso público. Mas, além de querer fugir da insegurança da iniciativa privada, é preciso pensar no que vem depois da aprovação.
 
A assistente financeira Gabriella Rubens, 29, passou em uma seleção, no meio de 2017, para trabalhar no setor administrativo de uma unidade médica pública. "Na ausência do gerente, eu ficava responsável por tudo."
 
Os pacientes chegavam bravos, reclamando da qualidade do serviço. "Os problemas da área foram me frustrando, estava tudo em cima de mim e eu não conseguia resolver." Ela deixou o cargo depois de cinco meses e começou a trabalhar em uma empresa de consultoria.
 
O que a atraiu para o funcionalismo foi a promessa de mudança de vida que ouvia quando trabalhava numa escola de cursos preparatórios. "Via muita gente com cargo alto em empresas e que estudava para concursos.
 
Depois de experimentar a carreira pública, percebeu que não gostava. "A pessoa não tem para onde crescer. Não é o meu perfil."
 
Conhecer bem as vagas que o edital oferece ajuda o profissional a não se decepcionar depois de ser aprovado.
 
"É fundamental que quem deseja ingressar em função pública não faça isso só pela estabilidade. Estabilidade é sinônimo de trabalhar a vida toda naquilo, então tem que escolher algo que goste muito", afirma Darlan Barroso, diretor pedagógico do Damásio Educacional, que prepara para concursos.
 
Se a pessoa não souber claramente quais são as atribuições da vaga, Gabriel Henrique Pinto, diretor da Central de Concursos, sugere uma conversa com quem já desempenha a função.
 
Desistências na carreira pública também poderiam ser minimizadas com melhor gestão de recursos humanos, segundo o professor Hélio Teixeira, da FEA (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade) da USP.
 
"Com poucas exceções, não há nesse setor uma gestão de RH que leve em conta a seleção, o treinamento e a progressão de carreira."
 
NOVOS CANDIDATOS
 
Hoje, mais profissionais vindos da iniciativa privada se somam aos concurseiros "de raiz", aqueles que almejam uma vaga no serviço público desde a faculdade.
 
"Desde 2016, temos notado que há muita gente sem experiência com concurso buscando estabilidade depois de uma demissão", diz Marco Antonio Júnior, presidente da Anpac (Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos) e diretor do Damásio Educacional.
 
Mas ele não acredita que todos esses novos candidatos vão ocupar cargos públicos. "O concurso é projeto de médio a longo prazo. Essas pessoas começam a estudar e na primeira oportunidade voltam à iniciativa privada."
 
Já Gabriel Pinto, da Central de Concursos, não notou aumento significativo na procura pelos editais, o que ele credita à crise institucional do país, que teria afastado candidatos do serviço público.
 
"As pessoas perderam um pouco da fé no governo", afirma. A descrença é ainda maior em concursos nos Estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, onde servidores tiveram salários atrasados.
 
APTIDÃO
 
A advogada de São Paulo Carla Ferreira, 34, está convencida que o cargo de delegada é o melhor para ela e estuda há um ano em busca de uma vaga.
 
"Decidi pela carreira policial porque é uma forma de contribuir com a segurança pública", diz.
 
Mãe de dois meninos, de cinco e dez anos, ela parou de trabalhar em 2006 e vê o concurso como uma maneira de voltar ao mercado.
 
Ferreira chegou a advogar em escritórios e percebeu que não era o que queria. "Trabalhei cuidando de quase 300 processos, era como uma fábrica, monótono", afirma.
 
Ela frequenta um curso preparatório e estuda cerca de seis horas por dia. "Tenho muitas responsabilidades, enquanto há gente só dedicada ao concurso, mas é preciso tentar até conseguir", diz.
 
Para Tania Casado, coordenadora do escritório de desenvolvimento de carreiras da USP, prestar um concurso exige responsabilidade. "O que menos precisamos é de pessoas que prestem só para garantir emprego. Tem que querer fazer algo para melhorar o país, a pessoa tem um dever com a sociedade."
 
HÁ VAGAS
Concursos com inscrições abertas
 
Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina
São oito vagas de nível médio e superior, para Florianópolis e Tubarão (SC). O salário vai de R$ 2.092 (assistente administrativo) a R$ 14.509 (médico fiscal). Inscrições até 9/3. Veja o edital
 
Ministério Público da Bahia
São oferecidas 20 vagas para promotor de Justiça. Os candidatos devem ser bacharéis em direito. O salário é de R$ 23.284. Inscrições até 8/3. Veja o edital
 
Ministério Público do Rio de Janeiro
Há 35 vagas de promotor de Justiça, para bacharéis em direito. A remuneração é de R$ 27.500. Inscrições até 6/4. Veja o edital no site do MP-RJ
 
Petrobras
A empresa tem 666 vagas de nível médio e superior, das quais 555 são para cadastro reserva. Atuação em nove Estados. A remuneração vai de R$ 3.745 a R$ 10.726. Inscrições até 5/3. Veja o edital
 
Polícia Civil da Bahia
São 82 vagas de delegado (bacharéis em direito), 880 vagas de investigador e 38 de escrivão. O salário de delegado é de R$ 11.389, enquanto o dos outros cargos é de R$ 3.915. Inscrições até 2/3. Veja o edital
 
Prefeitura de Itupeva (SP)
São dez vagas para médicos e veterinários. A jornada dos médicos é de 20 horas, com salário de R$ 7.277. A jornada dos veterinários é de 30 horas, com salário de R$ 4.671. Inscrições até 5/3. Veja o edital
 
Prefeitura de Juquiá (SP)
São 12 vagas para profissionais de nível fundamental, médio e superior. Os salários vão de R$ 967 (auxiliar administrativo) a R$ 6.833 (cirurgião-dentista). Inscrições até 6/3. Veja o edital
 
Prefeitura de Mairiporã (SP)
Oferece 163 vagas para profissionais de nível fundamental, médio e superior. A remuneração vai de R$ 1.159 a R$ 6.507. Inscrições até 26/2. Veja os editais
 
Procuradoria Geral do Município de Manaus
Oito vagas para procurador da cidade. Os candidatos devem ser bacharéis em direito. O salário é de R$ 19.343. Inscrições até 9/3. Veja o edital
 
Transpetro
São 1.806 vagas, sendo 156 com entrada imediata. Há postos em diversos Estados, de nível médio e superior. O salário vai de R$ 3.745 a R$ 10.726. Inscrições até 7/3. Veja o edital
 
Tribunal Regional do Trabalho de Pernambuco
Há vagas de analista judiciário, em cadastro reserva, e uma vaga para técnico judiciário, de nível médio e superior. O salário é de R$ 6.708 (técnico) e R$ 11 mil (analista). Inscrições até 6/3. Veja os editais
 
 
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