Cultura e Entretenimento
28/03/2018 - 06h00

Há 45 anos, a novela 'Mulheres de Areia' marcaria a história de Itanhaém


Escrito pela vicentina Ivani Ribeiro, folhetim ocupou a Praia dos Pescadores durante 11 meses

 
Nesta segunda-feira fez 45 anos que os cerca de 600 metros de extensão da Praia dos Pescadores, em Itanhaém, foram palco de um dos maiores sucessos televisivos do Brasil: a primeira versão da novela "Mulheres de Areia", exibida de 26 de março de 1973 a 5 de fevereiro de 1974, na extinta TV Tupi.
 
Ao lado do Rio Itanhaém e próxima à Praia do Sonho, a Prainha (como também é conhecida a Praia dos Pescadores) era bem mais selvagem na época da novela, mas o local ainda conserva sua atmosfera caiçara, com barcos coloridos atracados e gaivotas (veja galeria de fotos, mais abaixo). 
 
As gravações em preto e branco davam um ar mais dramático à Prainha, que aparecia com destaque já na abertura da novela, com Eva Wilma correndo nas águas, a Ilha das Cabras ao fundo, tocando "Last Love", da Phonoband, como música-tema.
 
As imagens da atriz se revezavam com cenas de mãos esculpindo uma figura feminina na areia – na verdade, eram as mãos do ator e escultor Serafim Gonzalez (1931-2007), que viveu em Santos e fazia as esculturas que, na ficção, eram de Tonho da Lua (Gianfrancesco Guarnieri –1934-2006).

 
Isso explica o título da novela escrita pela vicentina Ivani Ribeiro (1922-1995), que marcou os telespectadores brasileiros e, principalmente, os moradores de Itanhaém.
 
A novela foi tão especial para a cidade que, em 28 de novembro de 1975, a Prefeitura e a Associação Comercial homenagearam-na com a inauguração de um monumento perto do local das gravações.
 
De autoria de Gonzalez, a estátua representava Ruth, personagem principal da novela, vivida por Eva Wilma. Ruth era a irmã gêmea (e boazinha) da malvada Raquel.
 
Destruída por vândalos, a estátua original foi substituída por outra, em fibra de vidro, feita pelo filho de Gonzalez, Daniel (morto em 2011). O monumento continua no local, mas já passou por restauros.
 
Volta à infância

 
Para quem acompanhou de perto as gravações de "Mulheres de Areia", a Prainha nunca mais foi a mesma desde então. Para a funcionária pública Dulcineia Fão, de 55 anos, pisar aquelas areias é voltar a um pedaço muito feliz da infância. Nascida em São Paulo, filha de uma costureira com um militar, ela se mudou ainda criança para Itanhaém. Tinha 9 para 10 anos quando se mudou para o Litoral e começaram as gravações. Ela ajudava o pai numa banca de pescados na Prainha.
 
“A novela virou um símbolo para a cidade. Quem não conhecia Itanhaém, naquela época, ficou conhecendo”, destaca Dulcineia, que veio de família humilde.
 
“Éramos de poucos recursos. Então, ver artista de novela era uma coisa maravilhosa. Aqui ficava lotado de gente assistindo. Precisava ter policiamento. A Eva Wilma vinha num fusquinha e eu me lembro de uma ocasião em que os fãs, enlouquecidos, quase tombaram o carro dela”.
 
Dulcineia assistia à novela numa tevê que chuviscava muito. “A gente alugava uma casa que dividíamos com o proprietário do imóvel. Quando o nosso aparelho não pegava, a gente pedia para o dono da casa aumentar o volume da tevê dele, para ficarmos
ouvindo a novela”, lembra ela, que, certa vez, foi surpreendida pelo pai com um calhamaço de papel. Eram os scripts da novela, que os atores jogavam fora após as gravações. Ela perdeu os papéis em enchentes que atingiram sua antiga casa.
 
Ex-prefeito
 
Na inauguração do monumento às "Mulheres de Areia", em 1975, compareceram os atores Carlos Zara, Eva Wilma, entre outros. O prefeito da época, o santista Orlando Bifulco Sobrinho, enalteceu o fato de as gravações terem sido em Itanhaém e agradeceu
aos artistas: “Foram 11 meses de glória e divulgação para a nossa cidade, graças ao trabalho de vocês”, disse na ocasião.
 
Hoje, aos 80 anos de idade, Bifulco dedica o tempo livre a pintar as paisagens de Itanhaém, especialmente a Prainha, que marcou tanto o seu primeiro mandato (de 1973 a 1977). “Vinha muita gente de fora assistir às gravações, especialmente de Santos”, lembra ele.
 
Entre essas pessoas estava o casal Sônia e Nilson Sartori, que pegou um ônibus da Cidade para assistir às gravações. “Era o começo da novela e não tinha muita gente. O meu marido fez fotos naquele dia (uma das imagens ilustra esta matéria)”, conta Sônia.
 
Assista à abertura da novela

 
VER GALERIA
 
 
Carlota Cafieiro / A Tribuna On-line
 

Comentários (0)


Fala Santos
E-mail: contato@falasantos.com.br
© 2010 Fala Santos. Todos os direitos reservados. site criado por