Esportes
03/04/2018 - 08h19

Preencher o álbum da Copa do Mundo custa R$ 560


Segundo matemático, colecionador precisa comprar pelo menos 280 pacotes para ter certeza que terá todas as figurinhas; reajuste no preço do pacote ficou acima da inflação no período

 
Copa do Mundo de futebol invoca imediatamente algumas lembranças. O 7 a 1 do Mineirão, o "é tetraaaaaaaa" de 1994 e, claro, o álbum de figurinhas da Copa, editado e comercializado ininterruptamente no Brasil desde 1970 pela italiana Panini.
 
Falando especificamente do álbum, o que pouca gente considera é o investimento necessário para preencher e guardar a lembrança. Não basta dividir 682 (o número de espaços em branco no álbum) por cinco (a quantidade de figurinhas em cada envelope). É preciso considerar as figurinhas repetidas, a distribuição dos lotes pelas bancas de jornal e outras variáveis estatísticas.
 
Para o matemático Sebastião de Amorim, professor do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica da Unicamp, para levar a brincadeira até fim, são necessários 280 envelopes que, vendidos a R$ 2 cada, dá um desembolso total de R$ 560.
 
Somando o álbum, a fatura fecha em R$ 567,90. Segundo o matemático, essa perspectiva representa uma probabilidade de 99,2%. Ou seja, é o valor para ter praticamente certeza que o álbum será totalmente preenchido.
 
Para chegar a esse valor, Sebastião Amorim, é bom que se diga, não considerou o troca-troca de figurinhas entre os colecionadores – parte da brincadeira para muitos. "A probabilidade de completar o álbum com 137 pacotes (que é o número mínimo para se alcançar as 682 figurinhas) é trilhões de vezes menor do que a de ganhar a Mega Sena com uma aposta simples", calcula o Amorim.
 
Inflação da Copa. Sem querer desestimular ninguém, outra particularidade econômica do álbum de figurinhas da Copa da Rússia de 2018 é também o preço do produto. O colecionador está pagando 100% mais caro neste ano do que em 2014, quando o envelope custava R$ 1. Como comparação, a inflação oficial do País nesse período de quatro anos ficou na casa dos 28%.
 
Questionada sobre a alta nos preços, a editora Panini, que tem sede na Itália, afirma que os preços dos produtos no Brasil são compatíveis com os valores praticados nos países da América Latina. Segundo eles, o preço reflete todos os investimentos da empresa nas diversas plataformas para o lançamento da coleção de 2018, incluindo aplicativos e álbum digital.
 
A edição deste ano é a 13ª produzida ininterruptamente pela Panini, que tem parceria com a Fifa desde 1970. Só para o Brasil, a tiragem inicial dos álbuns foi de 7 milhões. Até o dia 20 de abril, vêm sendo produzidos diariamente 8 milhões de pacotes de figurinhas em Barueri, onde fica o parque gráfico da empresa que atende toda a região da América Latina.
 
 
O Estado de S. Paulo
 

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