Trabalho
10/05/2018 - 09h08

O estranho trabalho de caçador de baratas no Vietnã


Há duas décadas, Ho Quang Khanh vende insetos para pescadores
 
Os esgotos e as imediações dos mercados tradicionais são os campos de caça de Ho Quang Khanh, um vietnamita de 60 anos que há mais de duas décadas ganha a vida caçando baratas para vendê-las como isca a pescadores. São dez da noite e Khanh sai de casa nos arredores de Ho Chi Minh (antiga Saigon) para começar sua peculiar jornada de trabalho, que terminará em duas ou três horas se tiver sorte.
 
O caçador de baratas caminha equipado com um pote de plástico e dois pedaços de paus similares a varas de pescar, em cujas pontas amarra trapos embebidos com bala líquida. O homem para perto das bocas de esgoto e introduz seus utensílios com cuidado até tocarem o fundo. "Agora só temos que esperar", disse Khanh.
 
Apenas um minuto depois, tira os paus, nos quais estão cerca de dez baratas que vai colocando no pote, agarrando-as com as mãos se for preciso.
 
"Me pagam 50 mil dongs (cerca de R$ 7,50) por cem peças e em uma noite, das dez até uma ou duas da madrugada consigo pegar cerca de 700", explicou.
 
Khanh vende suas presas a pescadores ou a restaurantes tradicionais construídos sobre palafitas em tanques nos quais os comensais capturam seus próprios peixes, e depois de 20 anos já não planeja ganhar a vida de outra maneira.
 
"Se tivesse mais dinheiro talvez montaria um negócio, venderia algo mais normal, mas este trabalho é simples e obtenho o suficiente para viver", assegurou Khanh. O homem encontrou esta saída profissional quando se viu forçado a deixar seu trabalho como fabricante artesanal de anzóis de pesca.
 
"Começaram a vender anzóis importados, que eram muito mais baratos que os artesanais e tinha que pensar em algo. Conheci dois pescadores que caçavam baratas para usá-las como isca e me ocorreu que podia ser uma boa forma de ganhar dinheiro", relatou Khanh.
 
"Às vezes também vendo para os donos de pássaros engaiolados ou os que têm aquários em casa. Há uma semana ganhei 500 mil dongs (R$ 75) em um dia porque um homem que vive fora da cidade me fez uma encomenda para alimentar seus peixes", contou.
 
Quando recebe pedidos grandes, vai para perto dos mercados, onde estes insetos são mais fáceis de encontrar e de maior tamanho ou trabalha também pela manhã na busca de baratas da terra.
 
"Para as da terra enterro uma casca de fruta durante uma semana em um parque perto da minha casa e quando volto só tenho que escavar um pouco para encontrar muitas sem esforço, mas me pagam a metade porque são menores. Normalmente as grandes estão nos lugares mais sujos", disse o 'caçador'.
 
Há dois anos compartilhava a ocupação com sua esposa, mas explicou que ela se cansou e prefere vender bilhetes de loteria na rua. Quando começou aprendeu de outros dois homens como faziam, mas eles se aposentaram e Khanh acredita ser o último a fazer este trabalho.
 
"Eu gosto e de toda forma não tenho outra coisa para fazer, se não o fizesse, ficaria em casa. Quando comecei, para muita gente parecia uma coisa estranha porque não é um trabalho habitual. Mas depois viram que me entrevistavam em jornais locais e que saía na televisão, portanto deixaram de fazer comentários", declarou.
 
É difícil para ele calcular quanto dinheiro ganha em um mês porque depende do número de pedidos, mas Khanh não se queixa e assegura ter o suficiente. "Se não tenho pedidos, às vezes saio do mesmo jeito, uso as baratas para pescar eu mesmo e em casa comemos peixe", destacou.
 
 
EFE
 

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Fala Santos
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