Cultura e Entretenimento
22/05/2018 - 10h49

Pesquisadores decifram páginas inéditas de diário de Anne Frank


Com fotografia digital, pesquisadores solucionam mistério das páginas cobertas e descobriram trechos que abordam sexo e piadas atrevidas

 
Depois de mais de 70 anos, pesquisadores decifraram o conteúdo de duas páginas do diário de Anne Frank que haviam sido escondidas debaixo de um papel pardo, anunciou a Fundação Anne Frank, em Amsterdã. A descoberta foi possível graças à fotografia digital.
 
As páginas escritas pela jovem judia continham piadas atrevidas e uma explicação franca sobre sexo, contracepção e prostituição. "Os textos nos aproximam mais da garota e da escritora Anne Frank. Ela era uma jovem de 13 anos em plena puberdade”, afirmou o diretor da fundação, Ronald Leopold.
 
Anne escreveu as páginas que foram ocultadas em 28 de setembro de 1942, menos de três meses depois de ela e a família se esconderem dos nazistas no fundo de uma casa em Amsterdã. Provavelmente temendo que alguém pudesse ler o que escreveu, Anne cobriu as páginas com papel pardo.
 
O conteúdo das páginas permaneceu um mistério por décadas. Nelas, além de um texto sobre sexualidade feminina, os pesquisadores descobriram quatro piadas sobre sexo, que Anne classificou como sujas.
 
Em uma das passagens, a jovem descreveu como uma menina de cerca de 14 anos menstrua, dizendo que esse "é um sinal de que ela está pronta para ter relações com um homem, mas não se faz isso antes de casar". No trecho sobre prostituição, Anne afirma que todos os homens normais têm relações "com mulheres que abordam nas ruas".
 
Especialistas disseram que os novos textos, quando analisados no contexto diário como um todo, revelam mais sobre a evolução de Anne como escritora do que sobre seu interesse por sexo.
 
Anne escreveu em outras partes do diário sobre sua sexualidade florescente e seu corpo. Essas passagens haviam sido censuradas por seu pai antes da publicação do diário em 1947, mas aparecem em edições mais recentes.
 
Para decifrar as páginas, pesquisadores do Instituto para Guerra, Holocausto e Estudos de Genocídio fotografaram as páginas, iluminadas por um flash, e depois usaram um software de processamento de imagens para decifrar as palavras.
 
Anne escreveu em seu diário por mais de dois anos durante a Segunda Guerra Mundial. Em agosto de 1944, o esconderijo da família foi descoberto e eles foram deportados para o campo de extermínio de Auschwitz. Somente o pai de Anne, Otto Frank, sobreviveu. Anne e a irmã morreram no campo de concentração de Bergen-Belsen no início de 1945, provavelmente de tifo. Anne tinha 15 anos.
 
Depois da guerra, Otto publicou o diário da filha, que se tornou um símbolo de esperança e resiliência. A obra foi traduzida para dezenas de idiomas. A casa onde a família se escondeu em Amsterdã foi transformada em museu e é uma das atrações turísticas mais populares da cidade.
 
 
Deutsche Welle
 

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