Sindical
24/05/2018 - 10h54

Vias do Porto de Santos, SP, ficam desertas após bloqueios de caminhoneiros


Falta de caminhões no principal porto brasileiro ocorre devido à greve nacional da categoria, que começou na segunda-feira (21). Estivadores devem aderir à paralisação.
 
A Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) informou que, desde segunda-feira (21), quando começou o protesto de caminhoneiros por todo o país contra o aumento do diesel, o Porto de Santos, o maior do Brasil, não registra acesso de veículos rodoviários de cargas em suas instalações. Em paralelo, os estivadores anunciaram que devem aderir ao movimento nos próximos dias.
 
O Porto de Santos é o maior da América Latina, principal porta de saída e entrada de produtos agropecuários. Diariamente, passam pelo cais santista, em média, 8 mil caminhões. Mas, segundo a Codesp, há três dias nenhum caminhão entra ou sai do complexo. A falta de movimento se deve à manifestação de transportadores rodoviários nas vias de acesso ao porto.
 
Apesar disso, as operações de atracação e desatracação de navios, e embarque e descarga de mercadorias ocorrem normalmente. Os terminais estão operando com produtos armazenados ou que chegam por ferrovia e dutovia, sem qualquer comprometimento.
 
No entanto, segundo o Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), a paralisação dos caminhoneiros autônomos já causa reflexos negativos na atividade, com os armadores/agentes estendendo a deadline para depositar as cargas nos terminais para não perderem os embarques.
 
O sindicato afirma que há enorme preocupação quanto aos futuros carregamentos, já que, com os bloqueios nas estradas, os exportadores não conseguem retirar os contêineres vazios nos terminais, o que provocará perda de embarques.
 
Dois terminais que atuam no Porto de Santos, por falta de combustível, uma vez que caminhões-tanque estão sendo impedidos de continuar viagem para o seu destino, devem paralisar as suas operações até o meio da tarde desta quarta-feira.
 
O Sindamar ainda explica que as cargas à granel na exportação também sofrem o impacto da paralisação, que provocará reflexos negativos na balança comercial, afetando diretamente o agronegócio e setores da indústria que correm o risco de terem as suas linhas de produção afetadas.
 
Também em nota, o Sindicato dos Operadores Portuários (Sopesp) avalia como preocupante a manifestação. "Com o travamento dos acessos rodoviários, os terminais estão impedidos de receber ou expedir cargas. A situação se aproxima do caos logístico. Se continuar a paralisação os prejuízos serão irreparáveis a todos os envolvidos na cadeia logística e à economia do país".
 
Estivadores
 
Os estivadores e os operários portuários de capatazia poderão paralisar suas atividades, na próxima sexta-feira (25) ou sábado (26), em solidariedade aos caminhoneiros autônomos. O anúncio foi feito pelo presidente do Sindicato dos Estivadores, Rodnei Oliveira da Silva, conhecido como ‘Nei’, em discurso na tarde de terça-feira (22), no bairro Alemoa, onde estão concentrados os grevistas.
 
Nesta quarta-feira (23), diretores e trabalhadores das duas categorias participaram do ato público diário dos caminhoneiros, no chamado ‘retão da Alemoa’, nas proximidades do terminal da BTP, Brasil Terminais Portuários.
 
Greve
 
Pelo terceiro dia consecutivo, os caminhoneiros autônomos permanecem realizando protestos nos acessos ao Porto de Santos contra o preço dos combustíveis. Os profissionais impedem a passagem de caminhões nas duas margens do cais, em Santos e Guarujá. Equipes da Polícia Militar e da Guarda Portuária acompanham o protesto, que não registrou ocorrências ou necessidade de intervenção, segundo informações oficiais divulgadas pelas corporações.
 
Na terça-feira, os caminhoneiros bloquearam o acesso ao pátio, em Cubatão (SP), que faz a triagem de veículos comerciais que seguem em direção aos terminais do Porto de Santos. Os caminhoneiros também reivindicam o não pagamento nas praças de pedágio do eixo erguido e as melhorias nos locais de parada.


G1 Santos
 

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