Portos
04/06/2018 - 02h57

Novo levantamento aponta prejuízo de R$ 1,5 bilhão no Porto de Santos após greve


Prejuízo leva em conta os cerca de 70 navios parados na barra e a movimentação de contêineres e granéis sólidos como milho e soja, que foi prejudicada com a greve.


 
Um novo levantamento da entidade que representa as agências de navegação, finalizado na noite de sexta-feira (1º), após os 11 dias de greve dos caminhoneiros, aponta que o prejuízo no Porto de Santos, no litoral de São Paulo, chega a R$ 1,5 bilhão. A paralisação bloqueou estradas em todo o país, impedindo o tráfego de caminhões, e bloqueou os acessos aos terminais do Porto por 11 dias.
 
Na manhã de sexta-feira, o Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), havia divulgado que o prejuízo era superior a R$ 370 milhões, valor calculado apenas na primeira semana de greve.
 
De acordo com o Sindamar, o levantamento leva em conta os cerca de 70 navios parados na barra, que aguardam autorização para atracar, e a movimentação de contêineres e granéis sólidos como milho e soja, que foi prejudicada com a greve. A expectativa é que as operações sejam normalizadas em 10 dias.
 
A Federação Nacional dos Operadores Portuários afirma que o prejuízo vai além do dinheiro. Com o atraso dos prazos de entrega das mercadorias, a imagem do país também fica prejudicada. "O prejuízo financeiro é absurdo, perda de credibilidade. Porque no mercado de comércio exterior, o comprador não fica esperando, ele vai buscar em outro lugar e nós vamos ter que exportar nossos produtos em outros momentos. No setor de operação e serviços, tempo perdido é perdido mesmo, não se recupera", explica o presidente da Federação Nacional de Operação Portuárias, Sérgio Aquino.
 
Nos terminais portuários, os trabalhadores tentam conciliar as cargas já programadas com as atrasadas e com o espaço disponível para armazenamento, que está ficando pequeno. Em um dos terminais do Porto de Santos, por conta da greve, 27 mil contêineres deixaram de ser movimentados.
 
Um agravante que promete continuar prejudicando as operações no Porto de Santos, e atrasando a normalização da logística, é a greve dos analistas da Receita Federal, que pararam no dia 21 de maio e devem voltar ao trabalho somente em 4 de junho. "Os contêineres de importação dependem de desembaraço aduaneiro, que por sua vez, depende que a Alfândega esteja na normalidade, mas os auditores estão em greve", lembra Aquino.
 
Greve
 
A greve dos caminhoneiros começou em 21 de maio em todo o Brasil. Os profissionais pediam a redução no valor dos combustíveis e o aumento do preço do frete. Na Baixada Santista e no Vale do Ribeira, a categoria também se mobilizou em rodovias e nos acessos ao Porto de Santos.
 
No sábado (26), por conta do decreto presidencial para a Garantia da Lei e da Ordem (GLO), o Navio-Patrulha Macaé (P70) atracou no cais santista com 22 fuzileiros como medida emergencial.


 
No domingo (27), outros 260 fuzileiros navais chegaram a Santos no Navio Doca Multipropósito Bahia (G40). Vindo do Rio de Janeiro, ele chegou com sete caminhões para transportar tropas, três blindados e dois helicópteros.
 
No início da manhã de quinta-feira (31), 1.500 militares da Marinha do Brasil, Exército Brasileiro e da Força Aérea Brasileira, com apoio da Polícia Militar do Estado de São Paulo e da Polícia Rodoviária Federal, chegaram ao local com veículos blindados para fazer a garantir da entrada e saída dos caminhões, que ainda estavam dentro dos terminais. Já de noite, a categoria decidiu encerrar a greve, após assembleia realizada no local.




G1 Santos
 

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