Tecnologia
16/07/2018 - 05h36

Biometria facial chega aos ônibus de Santos em agosto


Ideia é flagrar o uso indevido, por pessoas que não são de fato os titulares do cartão com direito à meia passagem
 
Um sistema de reconhecimento facial acoplado ao leitor de bilhetagem eletrônica passará a funcionar em agosto nos ônibus municipais de Santos, com o objetivo de coibir fraudes na utilização do cartão-transporte. A ideia é flagrar o uso indevido, por pessoas que não são de fato os titulares do cartão, do direito à meia passagem concedido a estudantes e à gratuidade a usuários com deficiência.
 
Na prática, é aquela mãe, pai, irmão, amigo ou parente de um estudante ou um deficiente auditivo, visual ou mental, por exemplo, que usa o cartão-transporte do beneficiário para andar de ônibus. Se você se identificou com esses exemplos acima, saiba que, mesmo parecendo uma situação corriqueira, usufruir de um direito que não é seu se trata de fraude. A identificação de utilização indevida poderá acarretar em bloqueio do cartão.
 
Todos os veículos das 40 linhas já têm as câmeras instaladas e devidamente testadas. A iniciativa de implantação do sistema antifraude é da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Santos), com custo absorvido pela permissionária, a Viação Piracicabana.
 
Objetivo
 
Sistemas deste tipo existem justamente para corrigir distorções causadas pelo usufruto indevido das isenções. O preço que o usuário paga na passagem de ônibus é resultado de uma complexa equação que considera custos operacionais, combustível, manutenção e lucro da empresa concessionária, como em qualquer outro negócio rentável.
 
Mas no caso do transporte público, quanto mais pessoas passam gratuitamente (e nessa conta entram os idosos) ou pela metade do preço na catraca, mais os passageiros que arcam integralmente com a passagem serão onerados com futuros aumentos de tarifa.
 
Segundo a CET-Santos, de maio de 2017 a maio deste ano, 3,2% das passagens são gratuitas a pessoas com deficiências. Outras 6% são passes escolares. Já idosos representam 24,6% e têm catraca liberada. Logo, mais de um terço usufruiu de algum tipo de isenção.
 
“Vamos descobrir daqui para frente se esse número é o real, a partir do momento em que identificarmos se os usuários (beneficiários) são mesmo os donos do cartão que está sendo usado”, afirmou Rogério Vilani, diretor-presidente da CET-Santos.
 
Ele ressaltou que o foco do acompanhamento são as passagens com isenção de tarifa nesses dois grupos de usuários.
 
“Não vamos controlar, por exemplo, pessoas que vendem o cartão-transporte da empresa nos pontos de ônibus, porque isso não causa impacto financeiro e não representa evasão de receita, fator de desequilíbrio do sistema em desfavor de quem paga tarifa integral”.
 
Sistema opera na passagem pela catraca
 
O sistema instalado é capaz de captar a imagem do usuário ao passar pela catraca. Ele fará a comparação com a imagem realizada no momento do cadastro, a partir de medições geométricas da face por características inalteradas, independentemente se a pessoa passou a usar barba ou óculos, por exemplo.
 
Se identificada diferença no reconhecimento facial, será feita uma verificação visual e, confirmada a fraude, o usuário será contatado para fazer novo cadastro com foto em até sete dias. Se não o fizer, o cartão é bloqueado.
 
Após recadastramento, se houver reincidência na fraude, o cartão será bloqueado por 60 dias. A segunda e terceira reincidências causarão bloqueio de 120 e 360 dias, respectivamente. A tecnologia é nacional, da empresa Prodata Mobility Brasil, e já está em uso em outras cidades.
 
O diretor-presidente da CET-Santos conta que sistemas como este passaram a ser soluções para casos, expostos em congressos de mobilidade, que ‘beiravam o absurdo’. Em um deles, o índice de passagens com algum tipo de isenção chegava a 60% do total.
 
 
Da Redação
 

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