Mulher
18/07/2018 - 04h47

Instrução do Vaticano dispensa virgindade das ‘esposas de Cristo’


Associação de virgens consagradas diz que documento é ‘profundamente decepcionante’
 
A publicação da instrução “Ecclesiae Sponsae Imago”, que disciplina a Ordem das Virgens, está provocando polêmica na Igreja Católica. Trata-se do primeiro documento com orientações para esse grupo de mulheres, que não são freiras nem vivem em conventos, mas juram castidade e consagram a virgindade, sendo conhecidas como “esposas de Cristo”. Entretanto, uma parte do texto provocou surpresa ao dar a entender que a virgindade literal não é requisito para a ordem.
 
O documento de 39 páginas apresenta normas detalhadas, incluindo a preparação de dois anos antes da consagração. As virgens consagradas, diz o texto, são “a imagem da Igreja como Esposas de Cristo”, que é demonstrada “da forma única na vida daquelas mulheres que, com amor conjugal, são dedicadas ao Senhor Jesus na virgindade”. Elas “experimentam a fertilidade espiritual de um relacionamento íntimo com ele e oferecem os frutos deste relacionamento à Igreja e ao mundo”.
 
Entretanto, numa das normas que trata dos requerimentos para a consagração, a “condição de virgindade é apresentada a partir do rico simbolismo de seus fundamentos bíblicos, no marco de uma visão antropológica solidamente fundamentada na Revelação Cristã. Nesta base, as diferentes dimensões, física, psicológica e espiritual, são integradas e consideradas em sua conexão dinâmica com a história de vida da pessoa”.
 
“Neste contexto, deve-se ter em mente que o chamado para dar o testemunho do amor virginal, conjugal e frutífero por Cristo não é redutível ao símbolo da integridade física”, coloca o documento. “Assim, ter conservado o corpo em perfeita continência ou ter praticado a virtude da castidade, embora de grande importância, não são pré-requisitos essenciais”.
 
5 MIL MULHERES PELO MUNDO
 
Em comunicado, a Associação Americana das Virgens Consagradas, que reúne 235 virgens consagradas pelos EUA, afirma que a “tão esperada instrução sobre a Ordem das Virgens é profundamente decepcionante em sua negação da virgindade integral como fundação essencial e natural da vocação da virgindade consagrada”.
 
“É chocante ouvir da Igreja Mãe que a virgindade física talvez não seja mais considerada um pré-requisito essencial para a consagração para uma vida de virgindade”, diz o comunicado. “A tradição da Igreja assegura de forma firme que uma mulher deve ter recebido o presente da virgindade — que é tanto material e formal — para receber a consagração das virgens”.
 
Diferente das freiras, as “esposas de Cristo” não vivem em conventos, nem usam roupas especiais. Elas trabalham, têm uma vida fora da Igreja, mas não são casadas e oferecem a virgindade como presente para Jesus Cristo. A estimativa é que a Ordem das Virgens reúna cerca de 5 mil mulheres espalhadas pelo mundo.
 
 
Agências Internacionais
 

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