Mundo
23/07/2018 - 05h43

100 anos do fuzilamento do último Czar da Rússia


DNA de príncipe Philip da Inglaterra ajudou na identificação dos ossos da família real russa

 
Em 21 de julho de 1918, o mundo começava a tomar conhecimento da morte do último imperador da Rússia e de sua família. Telegramas com informações desencontradas sobre as circunstâncias que levaram os bolcheviques a fuzilarem o antigo Czar, Nicolau II - que caiu prisioneiro dos revolucionários com a Revolução de Outubro de 1917 - eram publicados nos jornais poucos dias após a execução do antigo monarca e de sua família, realizada em 17 de julho de 1918. Ainda hoje, completados 100 anos do fato, o evento é cercado por mistérios. Historiadores e cientistas vasculham fontes documentais, apuram pistas em investigações forenses e realizam análises genéticas buscando respostas sobre o fim dos Romanov. Na década de 1990, graças ao avanço das técnicas de análise de DNA os restos mortais de Nicolau II e sua família puderam ser identificados. Amostra de sangue de príncipe Philip, duque de Edimburgo e marido de Elizabeth II, rainha da Inglaterra, ajudaram na solução do mistério.
 
 
A morte do Czar. A edição de 21 de julho de 1918 do Estado trouxe a primeira notícia sobre a execução de Nicolau II. A decisão sobre sua morte aconteceu num momento em que a Rússia se encontrava mergulhada na guerra civil e os bolcheviques, que haviam tomado o poder em 1917, sofriam ataques de exércitos contra-revolucionários e tropas estrangeiras e temiam que seus inimigos pudessem se unir em torno da figura do monarca. O telegrama vindo de agências de notícias em Londres, publicado no Estado, dizia que diante da descoberta de “uma conspiração contra-revolucionária em Ecaterimburgo, visando o rapto do ex-czar, o Conselho Regional do Ural resolveu fuzilar o antigo imperador.” A notícia terminava dizendo que a ex-czarina Alexandra e o czaréviche Alexi, antigo herdeiro do trono da Rússia, haviam sido enviados para um local seguro. Hoje é conhecido o fato que todos os membros da família real russa, Nicolau II, sua esposa e seus cinco filhos, foram mortos na madrugada de 17 de julho de 1918 por ordem do próprio Vladimir Lenin, segundo documentos guardados nos arquivos da antiga União Soviética e divulgados apenas em 1989. Seus corpos foram desfigurados com ácido sulfúrico, para não serem reconhecidos, e foram enterrados, sem qualquer identificação, numa vala aberta na região dos bosques de Ecaterimburgo.
 
 
Décadas transcorreram até que alguma luz fosse jogada nos eventos daquela noite. Nos meses finais de 1918, notas e telegramas vindos da Europa ainda falavam sobre uma possível fuga da czarina e de algumas das princesas. Mesmo um ano após a morte dos Romanov, os jornais ainda se viam forçados a publicar notas confirmando seu falecimento. Um exemplo é a nota publicada em junho 1919 no Estado. Vinda de Berlim, a notícia dizia que eram infundadas as informações de que a czarina se encontrava com vida e que um telegrama oficial de Moscou declarava que toda a família do czar havia morrido. Mas, sem o conhecimento sobre o destino dos corpos e na ausência de maiores esclarecimentos, boatos e lendas sobre os momentos finais da família real russa cresceram. Nos anos 1920 e nas décadas seguintes, a ideia de que a filha caçula dos monarcas russos, Anastasia, havia sobrevivido ganhou força diante de reivindicações de mulheres que alegavam ser a grã-duquesa russa. A polonesa Anna Anderson, que faleceu em 1984, foi a mais convincente das impostoras. A lenda sobre a sobrevivência de Anastasia se tornou um dos mistérios mais célebres do século 20, inspirou filmes, como o clássico Anastasia (1956) com Ingrid Bergman, e até um desenho animado, Anastasia de 1997. Primeiro desenho de longa-metragem da Fox, a obra seguia a receita das histórias de princesas produzidas pela Disney e foi um sucesso de bilheteria.
 
 
Fim do mistério. Foi apenas em 1989, com a glasnost em marcha, que o Kremlin autorizou a divulgação da descoberta das ossadas da família imperial russa. O local onde os Romanov estavam enterrados foi descoberto em 1979, mas a informação só veio a público dez anos depois. Na década de 1990, análises genéticas comprovaram que os ossos encontrados eram mesmo do czar Nicolau II, da czarina Alexandra e de seus filhos. Os cientistas compararam o DNA presentes nos ossos encontrados com o de descendentes vivos. A pesquisa contou com a colaboração do príncipe Philip - marido da rainha Elizabeth, da Inglaterra - que cedeu material genético para as análises. Ele está entre os remanescentes da linhagem real da czarina, é seu sobrinho-neto por parte de avó, Alexandra era irmã da avó de Philip. Seu sangue permitiu a identificação dos restos mortais da czarina e de seus filhos. Os ossos do czar também foram comparados e identificados com DNA de parentes vivos.
 
 
O Estado de S. Paulo
 

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