Turismo
25/07/2018 - 04h45

Alcatrazes forma guias e se prepara para receber turistas no litoral de SP


Arquipélago é maior ninhal de aves marinhas do Sul e Sudeste brasileiro

 
Eram 11h da última sexta-feira (20), um dia ensolarado, quando um grupo que reunia biólogos, guias turísticos e donos de agências de turismo chegou ao destino final de sua “formatura”: o Arquipélago dos Alcatrazes, no litoral norte de São Paulo.
 
Considerado o maior ninhal de aves marinhas do Sul e Sudeste brasileiro, o local foi palco do encerramento do curso para os 126 profissionais que poderão, a partir das próximas semanas, explorar turisticamente o lugar. 
 
A data, porém, ainda não foi definida, pois ainda faltam alguns ajustes técnicos, como a instalação de poitas em seu entorno (equipamento que permite o fundeio de barcos).
 
Por décadas, o arquipélago foi usado pela Marinha para exercícios de tiro. O local será aberto ao turismo náutico, contemplação de aves e mergulho e se transformará na primeira reserva marinha de vida silvestre a ser aberta à visitação pública, diz o ICMBio, órgão federal que faz a gestão do local com a Marinha.
 
A iniciativa fomentará também o turismo marítimo entre Angra dos Reis (RJ) e Guarujá (SP), trecho que concentra milhares de embarcações de passeio. A visita em terra continuará proibida, assim como qualquer tipo de pesca.
 
A partir da abertura para o turismo, os visitantes terão a oportunidade de observar aves marinhas, tartarugas, golfinhos e, com sorte, baleias. 
 
Para visitar o arquipélago, segundo o ICMBio, os turistas deverão procurar uma das 20 agências de turismo cadastradas pelo órgão, espalhadas pelo litoral norte. A permanência de embarcações em seu entorno continua proibida.
 
Os profissionais formados receberam, por quase um ano, informações sobre regras das unidades de conservação, estudos sobre legislação ambiental e conhecimentos sobre a fauna e flora. Do grupo, 80 foram habilitados para realizar mergulhos e os 46 restantes para visitas embarcadas, segundo a analista ambiental do órgão, Sílvia Neri Godoy.
 
“Podemos estar diante de um caso único no mundo, em que um lugar como Alcatrazes é preparado antes de ser aberto ao turismo. Normalmente o que ocorre é a necessidade de criação de regras para um turismo que já ocorre de forma desordenada”, diz Calixto Figueiroa, analista ambiental do ICMBio-Alcatrazes.
 
Na sexta-feira, quando a reportagem acompanhou o passeio, os que mergulharam puderam encontrar corais, raias e tartarugas marinhas.
 
Alguns também relataram ter ouvido sons característicos de baleias. Os ruídos podem reverberar por quilômetros no fundo do mar. Nesta época é comum aparecerem baleias no local, que é rota de migração para Abrolhos (BA), onde elas se reproduzem.
 
“É bem impressionante a quantidade de peixes”, disse a bióloga Jaqueline Dutra, 35, mesmo após um mergulho raso. Ela é guia de turismo e monitora em Ubatuba.
 
Para a educadora ambiental e guia Vania Abreu, 32, também de Ubatuba, ficou perceptível a concentração de espécies marinhas e que Alcatrazes funciona como uma produção de estoque natural para outros lugares onde é permitida a pesca.
 
Os cursos foram ministrados por representantes de USP, Unifesp, Marinha, Naui (associação de instrutores submarinos), Instituto Argonauta de Ubatuba e Fundacc (Fundação Educacional e Cultural de Caraguatatuba).
 
As operadoras de turismo já foram certificadas, mas donos de embarcações particulares deverão obter autorização do ICMBio, que promete fiscalizar o cumprimento das regras e coibir eventuais abusos.
 
O nome Alcatrazes vem de como eram chamadas espécies de gaivotas marinhas. Uma das hipóteses é que o batismo veio do viajante alemão Hans Staden, que passou dez meses como prisioneiro dos índios Tubinambás, no século 16. Na ocasião, ele navegou por ilhas do litoral paulista.
 
O arquipélago é preservado em razão de restrições de uso estabelecidas pela Marinha na década de 1980. 
Em 2016 houve a criação do Refúgio de Alcatrazes, ampliando a proteção da área. O refúgio abriga o maior ninhal de aves da espécie fragata marinha do Atlântico Sul. 
 
A área é relativamente isolada de répteis anfíbios, o que cria o ambiente seguro para reprodução de aves, como fragatas, atobás e gaivotões.
 
De acordo com o ICMBio, há 1.300 espécies de animais no local, das quais 93 estão sob algum grau de ameaça de extinção. As ilhas são local de descanso de tartarugas marinhas ameaçadas, além de serem encontrados no entorno tubarões, raias e golfinhos.

 
 
Folhapress 
 

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