Política
29/08/2018 - 08h21

A Batalha da Maria Antônia 50 anos depois: como votam USP e Mackenzie


Integrantes do diretório acadêmico da instituição presbiteriana mudaram de lado; hoje apoiam a esquerda e atuam junto ao DCE da Universidade de São Paulo



Quem passa pela arborizada Rua Maria Antônia, na região central da cidade de São Paulo, um dos locais com o metro quadrado imobiliário mais valorizado da capital e cheio de bares sempre lotados, dificilmente consegue imaginar que aquela pequena via foi palco de uma batalha estudantil entre universitários da USP e do Mackenzie, que terminou na morte do estudante secundarista José Guimarães, atingido por um tiro quando passava pelo local, marcando para sempre a história daquele quarteirão.
 
O ano era 1968, auge da ditadura militar: de um lado os alunos da USP eram ligados à esquerda e liderados pelo então presidente da União Estadual dos Estudantes, José Dirceu. Eles se reuniam no prédio da instituição, que abrigava a faculdade de filosofia na época. Do outro lado da rua, representando a direita conservadora, os alunos do Mackenzie se misturavam a policiais civis e militares infiltrados na instituição.
 
A batalha entre os pólos de direita e de esquerda chegou ao ápice no dia em que alunos da USP decidiram fazer um pedágio na rua para arrecadar dinheiro, impedindo o acesso ao Mackenzie. Os estudantes da instituição presbiteriana se sentiram incomodados, e a disputa começou: xingamentos, arremesso de ovos, pedras, pedaços de madeira (a universidade estava em obras). Até coquetel molotov entrou em cena, incendiando o prédio da USP.
 
Cinquenta anos depois da disputa conhecida como Batalha da Maria Antônia, a Faculdade de Filosofia, Letras, Historia e Ciências Sociais da USP (FFLCH) não funciona mais no antigo prédio, que, após o incêndio, realocou os alunos provisoriamente na Cidade Universitária, onde permanecem até hoje. O antigo prédio virou um centro cultural e de memórias da USP. Do outro lado da rua, o Mackenzie continua firme e forte com sua tradição, ocupando praticamente o quarteirão inteiro.
 
Mas muita coisa mudou nessas cinco décadas pós-batalha. Apesar de o Mackenzie ainda ser considerado uma instituição conservadora, os alunos do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e do Centro Acadêmico de Direito (CA), recém-eleitos, já não pensam como os estudantes de meio século atrás e hoje são, em sua maioria, ligados a partidos de esquerda, algo impensável no auge da batalha. Além disso, os diretórios acadêmicos da USP e Mackenzie atuam em parceria e já pensam nas atividades conjuntas em memória da batalha de 1968.
 
 
Veja.com
 
 

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