Portos
03/09/2018 - 09h33

Influência política pesa sobre companhias docas



 
Apesar da Lei das Estatais, criada em 2016 para dar mais transparência e segurança às ações de empresas públicas, de economia mista e subsidiárias, a influência político-partidária continua nas indicações para as diretorias das companhias docas federais.
 
Há entre os diretores das sete companhias docas técnicos com larga passagem pelo setor e, em menor fatia, funcionários de carreira da casa. Mas em ambos os casos são escolhidos na cota de parlamentares que compõem a base do governo onde as docas estão.
 
"Essas empresas deveriam ser privatizadas o mais rapidamente possível. As indicações agravam um problema não trivial: a dificuldade de as estatais se moverem de forma competitiva. Em uma República, são inadmissíveis. Demonstram o atraso político que caracteriza nosso país. Indesculpável e ilegal", afirmou Cláudio Frischtak, presidente da Inter.B Consultoria.
 
Ministro dos Portos por seis meses antes de a pasta ser incorporada ao Ministério dos Transportes, em 2016, Helder Barbalho (MDB-PA), candidato ao governo do Pará, mantém influência no setor. O secretário nacional de Portos é Luiz Campos, ex-senador e indicado ao cargo com apoio do clã Barbalho. Filiado ao MDB, Campos indicou uma diretora da Companhia Docas do Pará (CDP). Via assessoria, disse que "não só indicou na CDP, mas todas as outras [docas]".
 
Helder é filho e herdeiro político do senador Jader Barbalho (MDB-PA). Na CDP, avalizou o nome de Parsifal Pontes para a presidência. O dirigente pediu recentemente licença de 45 dias do cargo por motivos pessoais. É cotado para integrar a campanha de Helder.
 
Mas não é só o MDB que manda nos portos. Na Codesp, que administra o porto de Santos, as diretorias são ocupadas por um indicado de Helder, além dos deputados José Priante (MDB-PA), Marcelo Squassoni (PRB-SP), Milton Monti (PR-SP) e Nelson Marquezelli (PTB-SP), para ficar em um exemplo.
 
Helder disse que Campos foi indicação do MDB do Senado, que Parsifal foi do MDB do Pará e que o indicado na Codesp "é um técnico competente que tem desenvolvido trabalho de qualidade".


Valor Econômico
 

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