Meio Ambiente
05/09/2018 - 04h40

Bitucas de cigarro, essa praga que assola litorais do planeta, hora de dar um basta


Chegou a vez de comentarmos as bitucas de cigarro e nossos hábitos insustentáveis.O mundo científico, e ambientalista, continua discutindo um só assunto neste momento: a capacidade de resiliência dos oceanos, versus a capacidade da humanidade em destruir e poluir, às vezes de forma tão violenta que provoca a extinção. Alguém poderia perguntar, ‘por que os oceanos?’ Simplesmente porque são os mais importantes ecossistemas do planeta. Foram eles que permitiram a vida na Terra, além da existência dos ecossistemas terrestres. Como já se diz com alguma frequência: ‘sem o azul, não haveria o verde’. Mesmo assim, nossa capacidade destrutiva não para de surpreender.
 
"Nunca, em toda a história da vida na Terra, uma espécie alterou tanto o planeta, e em uma escala tão rápida, quanto a humanidade. Mudamos os cursos de rios, alteramos a composição química da atmosfera e dos oceanos, domesticamos plantas e animais a ponto de sermos considerados uma “força tectônica” no planeta. Esse impacto é tão forte que alguns cientistas estão propondo mudar a época geológica – deixaríamos o holoceno, que começou com o fim da era do gelo, e passaríamos ao antropoceno, a época dominada pelo homem"
 
O autor da trecho acima é Carlos Nobre, cientista brasileiro, membro do painel do IPCC.
 
Depois dos canudinhos de plástico, chegou a vez das bitucas de cigarro
 
Até o, por vezes, atrasado Brasil respondeu ao desafio dos canudinhos de plástico. Ao menos as elites reagiram, já o Estado, ou o poder público, este continua dormindo. Podemos verificar isso ao lermos sobre novidades, como cadeias de lanchonetes que já não oferecem canudos de plástico, restaurantes mudando fornecedores, etc. Parece incrível, especialmente porque a grande mídia continua praticamente fora deste movimento mundial. Mas a sociedade paulista se mexeu. Não é pra menos. Só nos Estados Unidos são produzidos 500 milhões de canudinhos por dia! Imagine o absurdo. Depois de usado por cinco minutos, às vezes menos, ele fica obsoleto e acaba entupindo algum canto do planeta, de onde nunca mais vai sair. O plástico não se desfaz, no máximo se quebra em micropartículas…Mas tem outro tipo de lixo que parece ser aceito por todo mundo: as bitucas de cigarro.
 
Cerca de cinco trilhões de pontas de cigarro poluindo os litorais do planeta
 
Projeto Terramar: “As proibições aos canudos de plástico inspiraram uma guerra mundial contra a poluição plástica nos oceanos. A próxima batalha a ser travada é a limpeza do item que  mais emporcalha as praias do planeta: pontas de cigarro. As bitucas de cigarro são uma forma de poluição  que pode ser reciclada! Isso é, cerca de cinco trilhões de pontas de cigarro atualmente sujando nossos litorais poderiam ter outra história.”
E conclui: “O colapso das pontas contribui para os microplásticos nos oceanos e também libera toxinas na água.
 
A Organização Mundial da Saúde (OMS), o número estima o número de fumantes no mundo é de 1,6 bilhão. Essa enormidade de pessoas joga fora 7,7 bitucas de cigarro por dia. Ou seja, 12,3 bilhões de bitucas descartadas diariamente.
 
No Brasil não é diferente
 
Uma rápida pesquisa confirma a incidência das bitucas nas praias brasileiras. O site garopabamidia.com.br, diz que “bitucas de cigarro é o lixo mais encontrado nas praias de Garopaba e Imbituba.”
 
Ubatuba, litoral norte de São Paulo. Site da prefeitura: “a secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de Ubatuba realizou  mutirão de limpeza  na Praia do Perequê Açu. Dezesseis sacos de lixo foram  coletados. Garrafas pet, sacolas plásticas, copos plásticos, micro resíduos (bitucas de cigarro, tampa de garrafa, canudos, papel de balas etc) predominam entre uma grande variedade de resíduos.” www.rc24h.com.br: “Mais de duas mil bitucas de cigarro, deixadas por banhistas, foram recolhidas por voluntários, na praia do Peró, Cabo Frio, onde foi realizada Ação Ambiental 2016 da Região dos Lagos.”
 
E assim ocorre em todo o País.
 
Ingredientes químicos vazados para o ecossistema
 
“Os filtros contêm milhares de ingredientes químicos: arsênico, chumbo, nicotina e etil-fenol, que vazam para ambientes aquáticos. Em estudo de laboratório, um único cigarro colocado em um litro de água matou metade de todos os peixes marinhos e de água doce expostos.”
 
O TerraMar explica: “Com o objetivo de unir esforços desarticulados para conter a poluição do cigarro em todo o mundo, a campanha #NoMoreButts do Projeto TerraMar se concentra em duas questões. A poluição por cigarro é a única forma ‘socialmente normal’ de se descartar lixo. Todo mundo faz isso à vista de todos e ninguém diz nada. Nós queremos mudar isso.  A TerraMar trabalha com pessoas físicas, empresas e limpezas de praia para ajudar a coletar e reciclar o lixo de cigarro. O que é possível graças a uma parceria com a TerraCycle – líder mundial na coleta e redefinição de resíduos complexos.
 
Como funciona a campanha #NoMoreButts
 
“As pessoas podem simplesmente enviar suas bitucas, via correspondência, diretamente para a usina de reciclagem, baixando nosso frete grátis. E para dar às pessoas outra opção além de jogar lixo em lugar errado, elas também podem adquirir ‘cinzeiros de bolso que extinguem a brasa e isolam o cheiro.”
 
“Pontas de cigarro são o item mais comumente encontrado durante limpezas de praia. Agora, as pessoas envolvidas nas limpezas têm a capacidade de reciclar as bitucas de cigarro que encontram – e amplificar a mensagem para evitar o lixo, em primeiro lugar, compartilhando fotos e vídeos.”
 
Vamos participar?
 
“Você não jogaria uma garrafa de água pela janela do seu carro, então por que jogar uma ponta de cigarro quando ela pode ser reciclada?” Obs. do Mar Sem Fim: é óbvio que a campanha em discussão só acontece nos Estados Unidos. Usamos o exemplo para alertar as pessoas sobre as curiosidades que foram expostas. Por exemplo, “a poluição por cigarro é a única forma ‘socialmente normal’ de se descartar lixo. Todo mundo faz isso à vista de todos e ninguém diz nada.” Verdadeiro. Está na hora da gente não aceitar mais este comportamento. Se as pessoas não se tocam que o mundo mudou, compete a nós lembrá-las, afinal, é a nossa casa, temos direito a uma ‘casa limpa’. E outra boa lembrança: “um único cigarro colocado em um litro de água matou metade de todos os peixes marinhos e de água doce.”
 
 
Mar Sem Fim
 

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