Cultura e Entretenimento
24/09/2018 - 03h14

Mostra em São Paulo traz inéditos de Rafael


Conjunto exposto traz mais de 50 gravuras da Fundação Biblioteca Nacional
 
Uma parte importante da exposição “Rafael e a definição da beleza — Da divina proporção à graça”, inaugurada esta semana e em cartaz até 16 de dezembro, no Centro Cultural Fiesp, em São Paulo, veio do acervo da Fundação Biblioteca Nacional, no Rio. São mais de 50 gravuras produzidas no ateliê de Rafael Sanzio (1483-1520) por seus discípulos para difundir a obra do mestre renascentista entre artistas, colecionadores e mecenas da época. Oriundo da Real Biblioteca Portuguesa, esse tesouro chegou ao Brasil na bagagem de Dom João VI, em 1808, quando o imperador português aportou no país fugindo das guerras napoleônicas.
 
— Nos séculos XV e XVI, Portugal era um dos grandes impérios da Europa. Natural que guardasse esse tipo de tesouro. Por isso, é importante que esse acervo seja difundido e visto pelo maior número de pessoas — diz Helena Severo, presidente da Fundação Biblioteca Nacional.
 
Com curadoria de Elisa Byington, a exposição está dividida em oito módulos que buscam explicar, por meio da obra de Rafael e seus seguidores no ateliê do artista em Roma, a mudança de conceituação do belo na arte durante o Renascimento. Do uso da proporção áurea e seus parâmetros matemáticos até o julgamento subjetivo das formas, o trabalho desenvolvido pelo mais jovem entre os três grandes artistas do período (os outros são Leonardo da Vinci e Michelangelo Buonarroti) serve como fio condutor dessas transformações.
 
Marketing das gravuras
 
Além das gravuras, o visitante tem a oportunidade de ver obras de várias coleções italianas e brasileiras, como as oriundas da Galleria Borghese e do Palazzo Barberini, em Roma, e da Fundação Eva Klabin, no Rio. Duas paradas são fundamentais no percurso estabelecido pela curadora. A seção “Uma nova beleza”, que reúne três madonas com menino produzidas no ateliê, inéditas no Brasil. Entre elas, “Madonna con bambino” (1520), atribuída ao artista. E a seção “Fortuna das tapeçarias”, que traz “Pesca milagrosa” (5m x 6m), tecida em Flandres a partir de cartões desenhados pelo jovem renascentista e destinada a uma parede da Capela Sistina.
 
Pouco conhecido do grande público, o conjunto da Fundação Biblioteca Nacional, reunido no módulo “Instrumentos da fama”, explica como Rafael viu na gravura um poderoso instrumento de propaganda de seus trabalhos. Foi a estampa de “A morte de Lucrécia”, feita por Marcantonio Raimondi, em 1510, que impressionou o renascentista.
 
Rafael passou, então, a fazer desenhos para serem gravados em metal. Marcadas pela inscrição “Raphael Invenit” (invenção de Rafael, na tradução do latim), as matrizes eram produzidas por gravadores, mas tinham o artista como proprietário e detentor de direitos.
 
— Ao contrário dos alemães, os artistas italianos não eram gravadores. Eles delegavam a outros artistas, que copiavam de desenhos feitos pelos mestres. Por isso a importância dessa coleção da Biblioteca Nacional, inclusive como instrumento de estudo. Embora esteja em situação melhor do que o Museu Nacional, vítima de uma tragédia inominável e irreparável, a biblioteca poderia ser melhor aparelhada para difundir seu acervo — diz Elisa.
 
 
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