Turismo
16/10/2018 - 05h25

Turismo evangélico entra na mira de primeiro voo da Latam para Israel


Empresa estreia rota entre Santiago e Tel Aviv, com parada em SP; empresários também são público-alvo
 
No próximo 13 de dezembro, a Latam inaugura um novo destino internacional: Tel Aviv.
 
É a primeira vez que uma empresa aérea sul-americana opera um voo direto para Israel. E é o primeiro destino da Latam no Oriente Médio.
 
A expectativa da empresa é transportar mais de 65 mil passageiros por ano com três voos semanais com partida em Santiago, no Chile, e conexão no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.
 
A ideia é aproveitar a onda de peregrinos cristãos sul-americanos —principalmente brasileiros, entre eles evangélicos— que visitam cada vez mais a Terra Santa.
 
Esse público costuma visitar pontos turísticos importantes da Terra Santa, como o Monte das Oliveiras, a Basílica do Santo Sepulcro e Belém, cidade onde nasceu Jesus Cristo, que fica na Cisjordânia.
 
Na visão de negócios da companhia aérea também estão outros públicos tradicionais, como mochileiros israelenses, empresários e membros da comunidade judaica que viajam para a América do Sul.
 
Segundo dados do Ministério do Turismo de Israel, de janeiro a agosto de 2018, cerca de 33 mil brasileiros desembarcaram no país, um aumento de 18% em relação a 2017 e de 98% em relação a 2016.
 
Um terço dos turistas afirma estar realizando peregrinação cristã no país.
 
Em 2017, Israel recebeu 3,6 milhões de turistas —sendo 93 mil da América do Sul, incluindo 39 mil do Brasil.
 
Entre eles, 55,9% se declararam cristãos. Entre os cristãos, 21,5% se declararam evangélicos (12,2% do total).
 
Segundo Rodrigo Contreras, diretor-geral da Latam para Europa, Oriente Médio e África, Tel Aviv é um destino estratégico.
 
“Há uma cooperação econômica e cultural entre Israel e a América do Sul, principalmente com o Brasil”, afirmou Contreras.
 
Questionado sobre o foco da Latam no turismo de peregrinação cristã, o diretor da Latam disse que esse passageiro é certamente um alvo, bem como empresários e mochileiros.
 
“Não gostamos de chamar de peregrinação, chamamos mais de viagem cultural para Israel, mas certamente há uma expectativa”, afirmou Contreras.
 
A meta do Ministério do Turismo de Israel é aumentar os números de visitantes sul-americanos em 20%.
 
“Estamos em um incrível momento. O turismo em Israel passa por um florescimento. Os mercados da América do Sul estão sedentos por voos diretos”, diz Amir Levy, diretor-geral do Ministério do Turismo de Israel.
 
Entre 2010 e 2011, a companhia aérea israelense El Al operou voos direto de Israel para o Brasil, mas a empreitada durou menos de dois anos.
 
Entre os motivos para o fim da rota, o principal foi a falta de viabilidade econômica porque a empresa apenas transportava passageiros e não carga —parte fundamental para o sucesso da rota.
 
Questões de segurança, no entanto, também colaboraram para o fracasso, segundo informações não confirmadas pela El Al.
 
“Deveremos ter provavelmente um processo de check-in um pouquinho mais apurado. Buscamos assessoria de especialistas e autoridades”, disse João Murias, diretor comercial da Latam para o Sul da Europa e o Oriente Médio.
 
A Latam Airlines, criada em 2010 após a fusão entre a brasileira TAM e a chilena LAN, é a maior empresa aérea da América do Sul. Ela opera hoje 143 destinos em 26 países.
 
Recentemente, a empresa também inaugurou rotas para Roma e Lisboa. A próxima será Munique, em 2019, segundo a companhia.
 
“Esse novo voo reforça a nossa presença na aviação internacional e nos aproxima de nossa visão de ser uma das três maiores empresas de aviação no mundo”, afirmou Contreras.
 
A nova rota talvez ajude a melhorar os números da companhia aérea.
 
No segundo trimestre de 2018, a Latam registrou prejuízo de US$ 114 milhões (R$ 427 milhões) por causa da alta do preço dos combustíveis e do impacto da greve dos aeroviários no Chile, além dos reflexos da paralisação dos caminhoneiros no Brasil.
 
O Ministério do Turismo de Israel fornecerá à companhia sul-americana uma concessão de € 750 mil (R$ 3,2 milhões) como parte de um programa para incentivar a abertura de novas rotas para o país.
 
O voo de São Paulo até Tel Aviv vai durar de 13 a 14 horas.
 
Os executivos garantem que é possível encontrar passagens de ida e volta por US$ 731 (R$ 2.737,89) na classe econômica.
 
Atualmente, os voos de São Paulo para Israel custam, em média, US$ 1.200 (R$ 4.500) na classe econômica e podem durar até mesmo 24 horas, uma vez que todos fazem conexões na Europa que podem durar muitas horas.
 
 
Daniela Kresch
 

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