Mundo
29/10/2018 - 03h36

Conexão Austrália: país é uma monarquia, mas constitucional


Nesta edição da coluna, Fabiana Marinelo fala sobre relação da Austrália com a monarquia
 
Como é viver em um país onde a rotina da família real britânica faz parte do noticiário, das conversas e das atividades das crianças na escola? No texto de hoje, vou falar um pouco sobre a relação da Austrália com a rainha Elizabeth II e seus descendentes. Enquanto no Brasil, o assunto é o segundo turno das eleições e até a fragilidade do nosso sistema democrático, aqui se discute a visita de duas semanas do príncipe Harry e de sua mulher, Meghan. 
 
O tema do fim da monarquia tenta ocupar as manchetes sem sucesso. As pessoas querem mesmo saber é sobre a visita do casal real à Austrália e a outros países da região, como Fiji, Tonga e Nova Zelândia. O passo-a-passo dos dois é destaque nos jornais. O que eles vestem, comem, aonde vão e o que fazem pipocam a todo momento nas redes sociais. O fato de terem anunciado a gravidez de um novo bebê real virou febre por aqui.
 
É curioso ver, em pleno século 21, um país independente como a Austrália ainda ter essa forte relação com a monarquia. A reação das pessoas aqui com a família real pode ser comparada a de outras celebridades, mas com um pouco mais de exposição, uma vez que a mídia local explora muito o tema. A família real britânica, principalmente os jovens príncipes, suas esposas e filhos, recebe muita atenção. A própria rainha, que já está com 92 anos, é tratada com certa devoção. Nas escolas, as crianças aprendem sobre ela e o seu aniversario é feriado nacional.
 
A Austrália é uma monarquia constitucional e tem na rainha Elizabeth II a sua soberana. Isso significa que a rainha não está envolvida nas decisões diárias da economia ou política da Austrália, mas ela tem um representante legal, o governador-geral, e está presente em diversas cerimônias e atos simbólicos. Ela também pode decidir sobre questões jurídicas. A própria bandeira da Austrália carrega o símbolo da dominação inglesa a suas colônias, a Union Jack. Aqui existem inclusive grupos que defendem a troca do símbolo nacional por algo mais representativo do país, como a bandeira aborígine (dos povos nativos que aqui viviam antes da colonização). A bandeira nativa também é hasteada junto à australiana em diversas cerimônias.
 
É fato que os colonizadores aqui são muito mais presentes do que os portugueses no Brasil. E a relação da Austrália com a Inglaterra é bastante forte. No entanto, é complicado entender o que os australianos realmente pensam. O fato de o país ser uma monarquia constitucional não parece afetar a política ou os negócios da Austrália. O país tem uma economia consistente e há anos não enfrenta uma crise. Sendo assim, as pessoas são indiferentes à presença da família real no que diz respeito ao sistema político.
 
Pesquisa divulgada esta semana, na esteira da chegada do príncipe Harry e sua esposa Meghan, apontou que 52,4% de 1000 australianos entrevistados preferem que o país se torne uma república. Por outro lado, 25% não têm certeza sobre a mudança. As discussões sobre este assunto são mornas, principalmente porque a Austrália tem soberania em suas decisões e a presença da rainha não afeta o país.
 
Quando se trata dos Royals – como a família real é tratada por aqui –, existem, sim, seguidores (ou súditos?). Não tem como não se apaixonar pela nova geração da família. O queridinho por aqui é o príncipe Harry e o casamento dele com uma mulher mais velha, separada e com descendência negra torna o casal top 1 da família real na Austrália. A nova geração de Royals tem conseguido manter um bom número de fans, uma prova de que a estratégia da Inglaterra de dar palco aos jovens tem se mostrado eficiente não apenas em seu país de origem, mas também nas colônias.
 
 
Fabiana Marinelo
 

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