Mundo
30/10/2018 - 04h53

Não tem fruta para todo o mundo, alerta ONU


Produção atual seria insuficiente para garantir alimentação saudável para o planeta inteiro


 
Esqueça todos os apelos para trocar o consumo de carne por vegetais em busca de uma saúde melhor e um planeta sustentável. Uma nova pesquisa mostra que o mundo não está produzindo frutas e legumes suficientes para alimentar a todos.
 
Pesquisadores canadenses compararam a produção agrícola global com o tipo de dieta apoiada por nutricionistas — também estimulada por ambientalistas — e concluíram que existe um "desajuste fundamental" entre o que está sendo produzido e o que a população mundial realmente precisa.
 
"Nós simplesmente não podemos adotar uma dieta saudável sob o atual sistema agrícola global", disse o coautor do estudo, Evan Fraser, pesquisador da Universidade de Guelph. — "Os resultados mostram que o sistema global atualmente produz excesso de grãos, gorduras e açúcares".
 
No entanto, o planeta enfrenta uma escassez de frutas e vegetais, admitiu o pesquisador.
 
Uma levantamento recente estimulou os consumidores a ingerirem menos carne como uma estratégia para desestimular danos irreparáveis ao meio ambiente. A pecuária é responsável por cerca de 14,5% das emissões globais de gases do efeito estufa, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
 
O mundo corre o risco de enfrentar ondas de calor sufocantes, chuvas extremas e encolhimento das colheitas, a menos que sejam feitos esforços sem precedentes para manter a elevação da temperatura em 1,5 grau Celsius, de acordo com as Nações Unidas.
 
O estudo canadense, publicado esta semana na revista científica "PLOS ONE", calculou a quantidade de alimento que estava sendo cultivada em comparação com a recomendado pela guia "Healthy Eating Plate" da Universidade de Harvard.
 
O guia recomenda que frutas e vegetais formem metade de qualquer dieta. Cereais e integrais devem ocupar 25% do prato, e gordura e laticínios ficar com os outros 25%.
 
Fraser dividiu os grupos de alimentos em porções e descobriu que o mundo atualmente produz 12 porções de grãos por pessoa, em vez dos oito recomendados; cinco porções de frutas e vegetais em vez de 15; e quatro porções de açúcar em vez de nenhum.
 
Se nem a dieta nem as práticas agrícolas mudarem, o mundo precisaria de mais 12 milhões de hectares de terra arável e cerca de 1,3 bilhão de hectares de pastagens até 2050 para alimentar uma população projetada de 9,8 bilhões, acrescentou o estudo.
 
Lawrence Hadad, diretor executivo da Aliança Global para Melhor Nutrição (GAIN, na sigla em inglês), disse que as frutas e verduras estão ficando mais caras devido à fraca demanda, baixa produtividade e altas perdas em armazenamento e transporte.
 
— Para mudar essa dinâmica, o consumo de frutas e verduras deveria receber alta prioridade dos governos nos planos de nutrição e saúde — disse ele à Thomson Reuters Foundation.
 
Governos em todo o mundo têm promovido uma série de políticas de alimentação saudável, pedindo às populações cada vez mais obesas que substituam alimentos processados açucarados por mais frutas e vegetais para aumentar a longevidade e melhorar a saúde da população.
 
As frutas e verduras são fundamentais para combater a desnutrição, mas quase toda a pesquisa sobre desenvolvimento agrícola é focada em cereais, acrescentou Hadad, covencedor do Prêmio Mundial da Alimentação deste ano, fundado em 1986 e apelidado Nobel de Cereal.
 
 
Agências Internacionais
 

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