Sindical
05/11/2018 - 04h19

Sindicato defende "limpeza" na Docas


Proposta foi feita ao novo presidente da Codesp em reunião na última quinta-feira


 
Em seu primeiro dia à frente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp, a Autoridade Portuária de Santos), Luiz Fernando Garcia se reuniu com o corpo gerencial da empresa, representantes de operadores portuários e sindicalistas ligados às categorias profissionais que atuam na estatal. O executivo recebeu pedidos, entre eles, o de uma limpeza nos cargos comissionados da empresa e ainda a realização de uma auditoria em contratos existentes.
 
As duas medidas foram apresentadas por sindicalistas, que temem que o escândalo envolvendo a Docas seja o pontapé para o início do processo de privatização da empresa.
 
Garcia foi indicado para o cargo na última quarta-feira (31), após a prisão temporária, nesse mesmo dia, do então presidente da Codesp, José Alex Oliva, e do diretor de Relações com o Mercado e Comunidade, Cleveland Sampaio Lofrano. Os dois e o ex-superintendente jurídico da Docas, Gabriel Nogueira Eufrásio, foram alvos da Operação Tritão, da Polícia Federal (PF).
 
As investigações foram realizadas com o Ministério Público Federal, a Controladoria Geral da União, o Tribunal de Contas da União e a Receita Federal. Os órgãos apuram um suposto esquema de fraudes em contratações de serviços, classificado como “a maior organização criminosa do Porto de Santos”.
 
No lugar de Lofrano, assumiu o presidente do Conselho de Administração (Consad) da Codesp, José Alfredo de Albuquerque e Silva. Já a vaga ocupada por Eufrásio está vaga.
 
No entanto, o novo presidente e o novo diretor ainda não podem responder administrativamente pela empresa. Isto porque ainda é necessária a aprovação de seus nomes pelo Comitê de Elegibilidade, conforme a Lei nº 13.303, a Lei das Estatais, e pela Casa Civil. Por conta do feriado de hoje, este procedimento só deverá ser concluído na semana que vem.
 
Diante das recentes prisões no alto escalão da Codesp, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Administração Portuária (Sindaport), Everandy Cirino dos Santos, encaminhou cinco pedidos ao novo presidente da estatal. Um deles é a demissão de todos os funcionários da estatal indicados por políticos, como assessores dos diretores presos e outros executivos que não são de carreira.
 
Outro pleito é que seja feito um levantamento de todos os contratos firmados pela empresa. “Tem que ser feito um pente fino para ver a real situação e proibir extensões, aditivos ou reequilíbrios como os que já haviam sido denunciados pelo sindicato”, afirmou Cirino.
 
O sindicalista também pediu ao novo presidente que prestigie os funcionários da empresa. “A Codesp tem funcionários competentes e os setores da opinião pública têm que perceber que os servidores não estão envolvidos em maracutaias”.
 
Privatização
 
Para Cirino, uma das consequências da descoberta de um suposto esquema criminoso no Porto pode ser o início do processo de privatização da Docas. “Precisou acontecer o pior. E isto veio em um momento ruim, num período de transição política em que o presidente eleito (Jair Bolsonaro) falou do enxugamento da máquina e da possibilidade de várias privatizações”.
 
Na última quinta-feira (1º), nos corredores da empresa, o clima era de alívio entre os trabalhadores. Apesar do escândalo envolvendo a prisão dos executivos, o início da gestão de Garcia é visto como uma esperança de dias melhores. “Como ele já foi presidente do Consad, fez parte da estrutura do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, nós temos uma boa expectativa mas também apresentamos os nossos pedidos para os primeiros atos”, afirmou Cirino.
 
No entanto, ainda são grandes as incertezas relacionadas à composição do governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). E, com isso, há dúvidas sobre as próximas indicações ao comando da estatal. 


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