Cultura e Entretenimento
19/11/2018 - 02h07

Por que você deve conhecer Fleetwood Mac, da música de abertura de "O Sétimo Guardão"




Acordes densos, misteriosos e carregados de blues, cortesia do guitarrista Lindsey Buckingham, dão a letra e o clima da abertura da nova novela das 9 da Globo, "O Sétimo Guardião", que estreou na última segunda-feira (12). Para quem ficou curioso e não ligou o som à banda: a música escolhida para abrir a atração de Aguinaldo Silva é "The Chain", de 1977, um dos maiores clássicos do grupo inglês Fleetwood Mac.
 
Composta pelos cinco integrantes da banda, com letra da vocalista Stevie Nicks, a faixa é um dos momentos definidores do álbum "Rumours", que está na lista dos dez discos mais vendidos de todos os tempos. Ponto alto dos shows, a música também fez história como tema da vinheta da Fórmula 1 na TV britânica e, mais recentemente, também serviu de trilha para "Guardiões da Galáxia Vol. 2", um dos filmes mais vistos de 2017.
 
Os parágrafos acima dão apenas parte da dimensão que o Fleetwood Mac tem no mundo, um grupo tão importante quanto influente na história do rock, mas que, por algum motivo, jamais conseguiu repetir esse êxito em terras brasileiras. Em parte, isso se deve a um fato inglório: a banda é uma das únicas do rock clássico, ainda em atividade, que jamais pisou no Brasil. Em seu auge comercial, no fim dos anos 1970, shows internacionais eram exceção por aqui.
 
Independentemente disso, se você tem amor por rock, admira a verve do blues e não tem problemas com sonoridades mais radiofônicas, aquelas de  melodias de que grudam instantaneamente na cabeça, o Fleetwood Mac é uma banda simplesmente obrigatória. Vale e muito mergulhar em sua discografia, que é rica, eclética e repletas de pérolas e surpresas.
 
Veja abaixo cinco bons motivos para conhecer melhor o grupo além da novela.
 
Sumidade do blues rock
 
A primeira fase da banda do baterista Mick Fleetwood e do baixista John McVie (daí o nome Fleetwood Mac) é extremamente influente em sua seara, e ela pode ser resumida em nome e sobrenome: Peter Green. À frente do grupo entre 1967 e 1970, o guitarrista britânico desenvolveu à perfeição seu estilo calcado no blues rock, que mais tarde serviria de matriz para grande parte do que de mais relevante o rock dos anos 1970 produziu.
 
São dessa fase músicas como "Black Magic Woman", "Oh Well", "The Green Manalishi (With the Two Prong Crown)" e "Rattlesnake Shake", que já ganharam versões, respectivamente, de Santana, Black Crowes, Judas Priest e Aerosmith, entre muitos outros.
 
"Rumours"
 
Este pode não ser o melhor disco, mas é sem dúvida o mais emblemático e significativa obra do Fleetwood Mac. Serve como uma excelente porta de entrada. Lançado em 1977, dois anos após o ingresso do então casal Lindsey Buckingham (guitarra) e Stevie Nicks, aponta para uma sonoridade soft rock límpida, de arranjos detalhistas e, acima de tudo, muitíssimo bem produzidos. As composições abordam principalmente as tensões amorosas que rondavam os integrantes. Lindsey e Stevie Nicks estavam se separando e, em meio a traições, o casamento de Christine (teclados) e John McVie havia ruído durante a produção do disco.
 
A "novela" pop rendeu marcou época e rendeu pérolas como "Dreams", "Go Your Own Way", canções em que Stevie e Lindsey se alfinetam, e "Don't Stop" e "You Make Loving Fun", em que Christine fala de seu caso com um roadie.
 
Lindsey Buckingham
 
O Fleetwood Mac teve excelentes guitarristas/compositores, como Peter Green e o ótimo Bob Welch, mas Lindsey Buckingham, que liderou os trabalhos na fase de maior sucesso, merece atenção especial. Excelente cantor, compositor e arranjador, ele, que recentemente deixou o grupo, é um dos mais subestimados guitarristas do rock dos anos 1970.
 
Seu estilo de tocar, assim como o de Mark Knopfler, do Dire Straits, é inspirado no bluegrass americano. Dispensa o uso de palheta e prioriza uma técnica apurada de dedilhado, seja na guitarra ou no violão. Preste atenção em "Never Going Back Again", "Landslide", "Say Goodbye" e na impressionante "Big Love", especialmente em sua versão ao vivo.
 
Pioneirismo feminino
 
Formado na Inglaterra, mas com DNA dos integrantes americanos, o Fleetwood Mac foi uma das primeiras bandas a estourar mundialmente, em 1975, com uma vocalista mulher, Stevie Nicks, a fada-bruxa que adicionava melodia e misticismo às composições. Mas, desde 1970, a banda já tinha outra integrante feminina, a tecladista Christine McVie, veterana da cena blues rock britânica e dona de um aveludado timbre vocal. É a cereja do bolo das harmonias.
 
Repare nos vocais de apoio que ela faz em "The Chain", "Riahnnon" e "Dreams" (que voltou a fazer sucesso nos anos 1990 ao ser regravada pelo The Corrs).
 
Ecletismo sonoro
 
Do jazz rock ao folk, do hard rock ao rockabilly, do pop ao mais puro blues. Tudo isso pode ser encontrado nos discos do Fleetwood Mac, que ficou marcado por suas diversas vozes, formações e sobretudo inquietude estilística. Certos álbuns soam tão diferentes uns dos outros que parecem ter sido lançados por bandas diferentes.
 
Um pequeno guia prático da discografia: "Fleetwood Mac" (1968) e "Then Play On" (1969), para os mais bluseiros; "Bare Trees" (1972) e "Mystery to Me" (1973), para quem não abre mão de melodia; e "Fleetwood Mac", "Rumours" (1977) e "Tusk" (1979), para quem quer ter uma aula de como uma fórmula comercial pode ser definida, transformada e totalmente desconstruída no fim. Você provavelmente vai escutar esses discos por muito tempo.

 
 
Leonardo Rodrigues / UOL
 

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