Esportes
19/02/2019 - 13h27

Remo: lazer, esporte e saúde




Impossível passar pela Ponta da Praia e não reparar naquelas grandes canoas “estacionadas” na calçada. Algumas brancas e ouras coloridas, mas todas imponentes.
 
É comum vê-las navegando ao lado de grandes navios e entre pequenos barcos de pesca, mas incomum é se imaginar dentro de uma, pois parece que é só para jovens e atletas.
 
Foi em uma tarde qualquer que recebi de um amigo o convite para remar, e de pronto aceitei, pois era totalmente novo, apesar dos já vividos 44 anos. Todos os esportes praticados por mim até então tinham a bola como centro das atenções.
 
Ainda estava escuro, por volta das 5h30, quando descobri que existia uma série de pessoas, de todas as idades, tamanhos e culturas, com o mesmo objetivo. Neste momento, tive o primeiro contato com a canoa havaiana.
 
Nas primeiras remadas, parece que nada sai do lugar, mas com o passar do tempo tudo se movimenta. Sua vida, sua saúde e sua vontade de ir mais longe, não só na distância, mas na sua capacidade de fazer o novo e diferente. Neste momento, descobri algo que me fazia bem, onde não havia competição entre os participantes. Lugar onde ninguém quer ser o melhor ou ganhar do outro. A vitória vem em forma de apreciação da natureza e sensação de liberdade, que apesar de tão perto, passa despercebida de nós na correria do dia a dia.
 
Pude observar que a atleta e campeã Thais Romiti não era só mais uma professora de canoa havaiana, descobri que é uma apaixonada pela canoa, pela natureza e em promover o esporte. Que sua paixão faz com que todos tenham um enorme cuidado e respeito pelo mar. Passa que a disciplina é a base de tudo. A cada “hip”, todo o time se movimenta com um sincronismo perfeito para alcançar um objetivo comum. Este comando é feito quase que com precisão cirúrgica pela Thais.
 
Descobri também que além de esporte a canoa é um forte instrumento de inclusão, autoestima e condicionamento para vítimas de câncer de mama. Também há grupos para pessoas com idade acima de 60 anos, o que comprova que a canoa vai além do esporte. É um incremento à saúde, um ponto de encontro. É um estilo de viver.
 
É unânime entre os participantes da canoa o agradecimento e reconhecimento ao atleta Fábio Paiva, que na década de 1990 introduziu o esporte em Santos e depois em todo o Brasil. Foi em Santos a primeira escola de canoa havaiana do País. O primeiro campeonato e o primeiro circuito brasileiro também aconteceram em águas santistas. Só nestes atos é possível ver a importância da cidade de Santos para o esporte em todo o Brasil.
 
Vivenciando tudo isto e pesquisando os benefícios do esporte junto à natureza, hoje posso dizer que me encontrei como um aluno e incentivador da canoa. E que, apesar de sempre admirar os esportes em geral, só pude me envolver de verdade em um quando coloquei o pé e a pá n’água. Ali encontrei colegas que logo viraram amigos.
 
Hoje vejo a bela Ponta da Praia com outros olhos. Observo cada canoa em seu lugar, esperando seus guerreiros e guerreiras para mais um dia de experiência e dedicação à saúde e ao esporte.
 
Cada canoa tem 14 metros de comprimento, mas não se pode medir o tamanho do bem que faz para todos que nela se adentram e vão mar afora.

 
 
A Tribuna / Aleandro Militão, jornalista
 

Comentários (0)


Fala Santos
E-mail: contato@falasantos.com.br
© 2010 Fala Santos. Todos os direitos reservados. site criado por