Educação
12/03/2019 - 03h39

Ensino à distância vira opção para mais ‘velhos’ acessarem cursos de nível superior


O formato de ensino à distância (EaD) oferecido por universidades no país tem atraído um público específico nos últimos anos: são adultos entre 25 e 50 anos, que não tiveram acesso ao ensino superior na adolescência, período tido como ideal para iniciar a formação após o ensino médio. A conclusão tem base em levantamento feito pela plataforma Quero Bolsa, voltada para a inclusão educacional, com base em números do Inep.
 
O cenário aponta uma tendência para os próximos anos, segundo o gerente de Relações Institucionais da Quero Bolsa, Rui Gonçalves. Diante da necessidade de muitos brasileiros, em especial os das classes de menor poder aquisitivo, de ingressarem no mercado de trabalho logo após a formação média, o diploma do ensino superior, desta forma, pode ser alcançado com custos menores e mais tempo.
 
— Notamos a capacidade do EaD de absorver esse público que ingressa na faculdade de forma tardia. O EaD dispõe de uma mensalidade menor, que se encaixa na renda, e oferece condições mais acessíveis de tempo e retorno — explicou Rui.
 
Empregado desde os 18 anos, Mozart de Menezes, de 42 anos, tem aproveitado as “facilidades” do ensino à distância de olho em uma nova ocupação no futuro. Na metade do curso de Ciência Contábeis, pela Estácio, Menezes pensa em atuar na área após sua formação:
 
— Trabalho em uma empresa metalúrgica, e não vejo como crescer. Já estou fazendo alguns contatos. Penso em atuar como contador assim que possível.
 
Diploma é equivalente ao do modelo presencial
 
O aumento da procura por cursos à distância tem a ver também com a desmitificação relacionada à qualidade da formação do aluno. Pelo entendimento do Ministério da Educação, os diplomas em cursos presenciais são equivalentes aos obtidos por meio de aulas à distância. Em processos de seleção, por exemplo, o modelo de ensino pelo qual passou o candidato raramente é motivo de questionamento por parte do empregador.
 
— Para o mercado de trabalho, não faz diferença. O diploma é o mesmo. Você vai passar por uma entrevista e se não te perguntaram, não há diferença. Por parte das empresas, a avaliação que existe, em muitos dos casos, é sobre a instituição de ensino, e não sobre o formato de formação — explicou Rui Gonçalves, gerente da plataforma Quero Bolsa.
 
Entre os estudantes, a avaliação é positiva diante dos resultados obtidos. Muitos aproveitam o tempo livre que têm em casa, já após o dia de trabalho, para focar nos estudos.
 
— Eu entro no trabalho às 8h e saio às 18h. Tenho um filho de 11 anos e preciso me organizar no que sobra do meu dia. Como as aulas estão disponíveis pela internet, prefiro estudar durante a madrugada — explicou Mozart de Menezes.
 
Mulheres são maioria
 
Levantamento da plataforma Quero Bolsa, com base em dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostra que as mulheres são maioria entre os estudantes que ingressaram no ensino superior nos últimos anos. O perfil é comum em muitos casos: mulheres mais velhas, responsáveis por maior parte da renda familiar, que necessitam retornar ao mercado de trabalho ou se recolocar para elevar a renda. É o caso, por exemplo, da ex-gerente de loja Telma Maria de Moura, de 58 anos, agora formada em Gestão Financeira, pela Universidade Salvador (Unifacs), por meio de ensino a distância.
 
Telma pensa em retornar ao mercado agora que tem o ensino superior. Ela lembrou que a conclusão da universidade não seria possível anos atrás ou em condições diferentes das oferecidas ao ingressar no curso.
 
— Vim para o Rio e logo consegui um emprego como vendedora. Fiquei mais de dez anos na empresa, o que ajudou na criação dos meus três filhos. Deixei o emprego e ingressei na faculdade. Os descontos e o formato me ajudaram muito — disse Telma, natural do Rio Grande do Norte.
 
Para Rui Gonçalves, do Quero Bolsas, todos têm a ganhar:
 
— A capacitação é fundamental. Pode ser a diferença em estar empregado ou na busca por uma vaga.
 
 
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