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06/05/2019 - 02h59

O fim do Grande Torino: Tragédia de Superga completa 70 anos de dor e saudades


Acidente aéreo com a equipe, pentacampeã nacional, mexeu com o país e deixou marcas profundas na cidade de Turim, no clube e no futebol italiano
 
 
Há 70 anos o mundo se despedia de um das maiores equipes de futebol até então. O Grande Torino, como era conhecido o esquadrão vinho de Turim, desapareceu em um trágico acidente de avião quando voltava de um amistoso contra o Benfica em Portugal. A Tragédia de Superga jamais foi superada pelos italianos. E, como em uma cicatriz de um machucado, intensificou ainda mais a relação de uma cidade com um clube.
 
Com a visibilidade do piloto debilitada por conta de um forte nevoeiro, o avião, que decolara de Lisboa, com escala em Barcelona, quando se aproximava de Turim se chocou contra uma parede da Basílica de Superga, no alto de uma colina na cidade: 31 pessoas que estavam no aparelho perderam suas vidas. Mas as consequências do acidente foram muito mais profundas do que isso. Destruiu famílias, acabou com uma seleção, marcou um clube e mudou para sempre o futebol italiano.
 
O Grande Torino
 
 
Destruída pela Segunda Guerra Mundial, a Itália viu no futebol o grande refúgio para suas frustrações. Mais do que isso. Era este o grande motivo da alegria de milhares de pessoas que se viam à beira da devastação causada pela fome e a falta de perspectiva com o futuro.
 
É neste contexto que, comandado por Valentino Mazzolla, o Torino encantava o país. Diferentemente do futebol jogado na Itália, os touros tinham preferência pelo jogo ofensivo e por isso atraíram a atenção do público. Estratégia marcada por esse estilo de jogo era o chamado "os 15 minutos do (estádio) Filadélfia", quando o time atacava o adversário por 15 minutos de maneira avassaladora. Com muita velocidade, a equipe imprimia um ritmo insano que encantava seus torcedores.
 
Tamanho domínio pode ser visto nas conquistas do Torino nesta época. O clube foi pentacampeão italiano, sendo quatro vezes seguidas (de 1945/46 a 1948/49), o último título dado pela Federação Italiana em homenagem aos falecidos no acidente. Em 1943, o clube se tornou o primeiro time a ganhar o campeonato e a copa em uma mesma temporada.
 
Quem se aproveitou do sucesso da esquadra de Turim foi a seleção italiana. Em 1947, em uma partida contra a Hungria, dez dos 11 titulares da Azzurra eram do Torino. A seleção, que tinha como base o clube grená, acabou enfraquecida na Copa do Mundo de 1950 após o acidente aéreo, quando perdeu seu principais jogadores. Na Itália, muitos falam que apenas o céu conseguiu parar esse time que nenhuma equipe italiana foi capaz de segurar.
 
O legado
 
 
No dia do funeral, os jogadores foram saudados por quase um milhão de pessoas que saíram às ruas para se despedirem dos heróis italianos. Mais do que jogadores, os atletas eram conhecidos na sociedade, donos de comércios locais e presentes em suas comunidades.
 
Desde então, o clube nunca conseguiu deixar para trás seu passado. O acidente aéreo passou a ser uma marca profunda no torcedor do Torino e na cultura local. As marcas esportivas, no entanto, são bastante visíveis. O clube só voltou a ser campeão italiano em 1971 e, posteriormente, em 1993 e viu seu rival, a Juventus, crescer e dominar o futebol no país. Em respeito pela data, os dois times decidiram antecipar o clássico da cidade para a última sexta-feira.
 
A tragédia de Superga foi uma metáfora dos tempos vividos na Itália à época. Da frustração com a guerra, a equipe do Torino deu alegria a um povo sofrido com a destruição e a desesperança. Mas, como tudo na vida, foi vítima do tempo. Neste caso, da maneira mais trágica possível.
 
Em memória de: Aldo Ballarin, Danilo Martelli, Dino Ballarin, Eusebio Castigliano, Ezio Loik, Franco Ossola, Giuseppe Grezar, Guglielmo Gabetto, Julius Schubert, Mario Rigamonti, Milo Bongiorni, Piero Operto, Romeo Menti, Rubens Fadini, Ruggero Grava, Virgilio Maroso, Valerio Bacigalupo, Valentino Mazzola.
 
 
Pedro Umberto
 

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