Esportes
20/08/2019 - 04h29

Recordista mundial, santista se prepara para o Mundial de Natação de Surdo


Duas horas diárias de treino na água, de terça a sábado, e mais preparação física de duas a três vezes por semana. O nadador santista Guilherme Maia (Fupes), 30 anos, está com a mente e o corpo focados no Campeonato Mundial de Natação de Surdos, que reunirá, entre os dias 25 e 31 deste mês, 250 atletas de 29 países no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo.
 
É lá que ele objetiva manter seu recorde mundial conquistado na Surdolimpíada, em Samsun, na Turquia, em 2017, quando venceu a disputa em 1 minuto e 52 segundos nos 200 metros nado livre. Mas o atleta também tem outra meta com a potencial vitória: fortalecer e dar visibilidade à comunidade surda no esporte. “No Brasil, geralmente o foco é no futebol, mas agora teremos um mundial de natação para surdos. Quero mostrar à comunidade surda, principalmente às crianças, que elas também podem participar de um esporte, para que todos vejam que somos capazes. É muito bom representar Santos no Mundial, porque minha família é daqui. Estou confiante e agradeço ao meu treinador pela motivação”, diz o atleta, que tem apoio da Fupes desde 2018.
 
No total, Maia participará de seis provas, diz o treinador e amigo de longa data, seu ‘xará’ Guilherme Monteiro. “Nosso objetivo é que ele consiga baixar o tempo, mantenha o ouro e o recorde mundial. Acreditamos que ele conquistará de duas a três medalhas, mas tomara que eu esteja errado e que a gente consiga mais”, brinca.
 
A rotina de exercícios, realizada no Tênis Clube (Boqueirão), foi intensificada para o Mundial, assim como foi para o campeonato na Turquia, quando ele ganhou ouro na prova dos 200m livre e bronze, nos 100m. “Tentamos manter a mesma base e só colocamos alguns incrementos de força e de intensidade para ele ter melhor desempenho. Agora, no período pré-competição, ele vai descansar um pouco mais para chegar em sua melhor forma física”, acrescenta o treinador, contando que são seis atletas brasileiros que participam do torneio mundial na Capital.
 
COLEÇÃO DE MEDALHAS
 
Considerado o melhor nadador surdo do Brasil, Maia coleciona medalhas. São cerca de 800 que revelam sua relação com a natação desde a infância. “Estão todas guardadas, é a minha história. De todas, a mais importante é a da Olimpíada na Turquia. Fiz até uma tatuagem para registrar esse momento”.
 
A natação entrou na sua vida quando tinha 1 ano e 2 meses. “Era um sonho da minha mãe ser nadadora. Ela o transferiu para mim e foi me ensinando”. Com 4, participou do seu primeiro campeonato e teve a primeira frustração no esporte. “Perdi, fiquei nervoso, chorei, mas não desisti. E aí eu falei que queria nadar e até hoje eu amo. Dentro da água é uma terapia. As pessoas tomam remédio e eu nado”.
 
Foi a natação que também gerou a amizade dos ‘Guilhermes’. “Nos conhecemos desde os 13 anos, quando começamos a nadar juntos no Clube Internacional de Regatas. Depois, fizemos juntos faculdade de educação física. Mantivemos contato e, a partir de 2017, começamos a montar um treino para a Olimpíada. Ele bateu o recorde mundial e conseguiu conquistar um feito histórico para o Brasil”, comemora o treinador, que sempre sonhou em ser técnico de natação para alto rendimento, revelando ainda que Maia é seu melhor amigo.
 
 
Da Redação
 

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