Educação
27/12/2019 - 08h27

Aluna de Guarujá vence 6ª Olimpíada de Língua Portuguesa


Maria Eduarda de Moraes Silva foi uma das duas vencedoras de todo o estado de São Paulo
 
Uma das alunas da Escola Estadual Domingos de Souza Prefeito, em Guarujá foi uma das duas vencedoras de todo o estado de São Paulo na 6ª Olimpíada de Língua Portuguesa, com o tema ‘O lugar onde vivo’. Maria Eduarda de Moraes Silva, orientada pela professora Ana Paula da Conceição da Silva, saiu vitoriosa na categoria Crônica, para o qual inscreveu o texto ‘Meu morro’.
 
Participaram desta edição mais de 42 mil escolas de todo o país, com alunos do 5º ano do ensino fundamental até a 3ª série do ensino médio, de quase 4.900 municípios. Somente no estado foram 645 municípios e 4.614 escolas inscritas.
 
Também do estado de São Paulo, foi premiada a aluna de Piracicaba, Laura Helena Amorim Pinheiro, na categoria Artigo de Opinião.
 
A iniciativa, promovida pelo Itaú Social e o Ministério da Educação (MEC), tem o intuito de colaborar para que professores da rede pública aprimorem as práticas de ensino de leitura e escrita. A partir da metodologia do Programa Escrevendo o Futuro, os professores realizam as oficinas de produção de texto com seus alunos.
 
Na categoria voltada aos professores, quatro paulistas foram premiados na categoria Relato de Prática, dos municípios de Urupês, Olímpia, Guarulhos e Limeira. Voltada exclusivamente aos docentes, reconhece as experiências com a realização das oficinas de texto, descrevendo aprendizagens, descobertas, desafios e reflexões.
 
A 6ª edição da Olimpíada de Língua Portuguesa reconheceu 20 produções de todas as regiões do país, quatro em cada categoria: poema (5º ano do Ensino Fundamental), memórias literárias (6º e 7º anos), crônica (8º e 9º anos), documentário (1º ano do Ensino Médio) e artigo de opinião (3º ano do Ensino Médio).
 
O concurso iniciou em fevereiro, com a abertura das inscrições para professores e alunos. Recebeu 171.037 inscrições de todos os estados e teve adesão de 87,5% dos municípios brasileiros – total de 4.876 cidades. A principal novidade foi a inclusão do gênero documentário para alunos do 1º e 2º anos do Ensino Médio.
 
Como premiação, as escolas dos alunos vencedores receberão acervo para reforço da biblioteca.
 
A iniciativa conta com a parceria da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), da Fundação Roberto Marinho e do Canal Futura.
 
Confira abaixo a crônica vencedora de Maria Eduarda de Moraes Silva.
 
MEU MORRO
 
O morro acorda sempre apressado, agitado. Num desce e sobe vielas e escadas, pessoas seguem suas vidas ao mesmo tempo em que portas e janelas se escancaram e melodias, risadas saltam soltas daqui e acolá.
 
Dona Josefa, com seu cigarro já aceso, está de pé à porta de seu barzinho, curtindo suas músicas sertanejas; e não se demora muito pra ver a Brenda, dos salgadinhos, aos gritos com os filhos da Michele, que insistem em jogar bola na frente da sua barraca… Está declarada a confusão. Mas bom mesmo é passar pela dona Maria, a quitandeira – me delicio só de olhar todas aquelas frutas cheias de cheiros e sabores.
 
Os dias são quase todos assim: entre idas e vindas, “sobes e desces”, vou e volto da escola. E nessa volta, loucura mesmo é passar pelo “Caminho das Índias” – é assim que chamam a Cachoeirinha na hora do rush – Pensa num lugar agitado, cheio de gentes, gritos e buzinas? Aff!! Salve-se quem puder! Mas… Chego lá na minha casa, chego lá…
 
Já é noite no Morro do Macaco. As luzes tomam seu lugar e, aos poucos, tudo vai se aquietando… Bem aos poucos. Não vejo mais a Brenda nem dona Maria que, pelo horário, já fecharam suas vendinhas. Dona Josefa – agora sentada na sua cadeira de plástico vermelha – mantém o bar aberto até tarde da noite.
 
Continuo a subida e, lá pelo meio do caminho, um grito sai avisando: — Os “cara” tão subindo!!! Coooorre, coooorre!! Tão subiiindo!!
 
O susto paralisante foi logo desfeito pelo apavoramento do povo. Quem pela rua estava, correu desesperado, assim como eu, pra se esconder em algum lugar. Os disparos pareciam vir de todos os cantos do morro. Portas e janelas agora fechadas, amedrontadas pelo caos armado. Tiros, muitos tiros e um último grito seguido de um choro sentido e doloroso…
 
— Meu filho nããããããoo!!! Mataram meu menino…
 
O silêncio reinou por alguns instantes e, aos poucos, via-se a cena final: uma mãe e o corpo coberto de sangue de um moço baleado.
 
No dia seguinte, o morro acorda sempre apressado, agitado. Num desce e sobe vielas e escadas, pessoas seguem suas vidas. Enquanto a noite ficou ali… Estendida no chão.
 
 
Da Redação
 

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