Sindical
09/03/2020 - 09h07

Codesp promove retrocesso na Usina de Itatinga


 
O atual presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Casemiro Tércio Carvalho, parece mesmo estar disposto a cumprir sua principal bandeira de gestão, ou seja, a privatização total da estatal que administra o Porto de Santos, começando por sua lendária Usina Hidrelétrica de Itatinga, responsável por parte da energia elétrica que abastece o complexo portuário.
 
O desmonte anunciado em abril do ano passado pelo marqueteiro mandatário da empresa, conforme matéria veiculada no periódico A Tribuna, de Santos, "Codesp planeja privatizar Usina de Itatinga", teve início na manhã desta sexta-feira (06) quando a Codesp, de forma abrupta e sem qualquer entendimento prévio com as lideranças dos trabalhadores, encerrou os serviços de transporte que há anos vinha sendo destinado aos empregados da empresa que atuam naquela unidade, localizada no município de Bertioga.
 
Anunciada no último dia 27 através de um simples "aviso", a medida provocou a insatisfação dos trabalhadores lotados naquela unidade e a indignação dos dirigentes sindicais. "Um retrocesso retumbante para uma gestão que se diz técnica, profissional, ética e blá blá blá, mas que novamente se mostrou totalitária ao agir em prejuízo de seus próprios empregados e seus respectivos dependentes, que notadamente necessitam desse transporte", protestou o vice-presidente do Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport), João de Andrade Marques.
 
Diz o comunicado: "Santos Port Authority - AVISO - ENCERRAMENTO DO SERVIÇO DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO PARTICULAR (ÔNIBUS) - De ordem superior, a Fiscalização da Santos Port Authority informa que a empresa REIBUS TURISMO que presta SERVIÇOS DE TRANSPORTE COLETIVO PARTICULAR AOS EMPREGADOS E FAMILIARES DA USINA HIDRELÉTRICA DE ITATINGA não terá seu contrato prorrogado, sendo a próxima quinta-feira, 05 de março de 2020, o último dia para a prestação do referido serviço."
 
A ausência de qualquer contato com as lideranças dos trabalhadores foi bastante criticada. "Lamentamos muito o fato de sequer termos sido contatados para ao menos tomarmos conhecimento do fato ou para que pudéssemos discutir a pauta atendendo aos interesses da Codesp sem, no entanto, prejudicar os trabalhadores e seus familiares, que lá se encontram em condições especiais e diferenciadas dos demais funcionários da Codesp", pontuou o líder sindical.
 
De acordo com o Sindaport, não existe transporte municipal fornecido pela Prefeitura de Bertioga que atenda os trabalhadores lotados naquela dependência da Codesp, cujos profissionais necessitam diariamente, inclusive os que labutam em regime de turno, se locomover até o chamado Portinho, local que dá acesso à usina. Para que os codespanos de Itatinga e seus dependentes possam ir aos mercados, bancos, escolas, lojas para vestuário e outros, Bertioga é a cidade mais próxima em termos de infraestrutura.
 
Nesse sentido, segundo o dirigente, além da experiência faltou sensibilidade aos gestores da estatal portuária. "Estamos falando de companheiros que labutam há décadas naquele local e constituíram famílias, com esposas que trabalham em Bertioga e demais localidades limítrofes, além dos filhos que estudam em escolas e universidades afastadas, enfim, uma rotina familiar totalmente dependente desse sistema de transporte, e que agora está seriamente comprometida. Deviam ter nos ouvido antes de cometerem esse desnecessário absurdo. Faltou diálogo e bom senso", disse João de Andrade. A interrupção do serviço atingiu pouco mais de 30 colaboradores da Codesp, além de outros 100 terceirizados.
 
Fora o aspecto social, a questão da segurança naquele percurso e imediações também é motivo de preocupação dos dirigentes do Sindaport. "Trata-se de local afastado do centro urbano, com trajeto longo e de terra, ladeado por mato alto e cheio de animais de várias espécies, pelos quais a partir de agora as pessoas terão que passar sob sol escaldante ou chuvas e alagamentos, sem falar na falta de iluminação e pouco policiamento naquela região distante", pontuou João Andrade.
 
Na última terça-feira, após tomar conhecimento da interrupção do serviço, o sindicato encaminhou ofício ao presidente da Codesp requerendo a manutenção do transporte coletivo na forma praticada até a última quinta-feira (5). "Se querem efetivamente exterminar a Usina de Itatinga, que o façam com serenidade, bom senso, inteligência, coerência e, sobremaneira, responsabilidade quanto ao envolvimento do material humano. De preferência, através do diálogo sempre saudável à luz das ideias, caso contrário, o retrocesso será inevitável", conclui Andrade.
 
 
 
Sindaport / A Diretoria
 

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