Turismo
29/04/2020 - 09h23

Coronavírus alcança 64% das cidades litorâneas do Brasil com 322 mortes


Dos 268 municípios à beira-mar listados pelo IBGE, 171 já registraram casos com registro positivo para Covid-19
 
 
Em pouco mais de um mês, a Covid-19 avançou não só sobre centros urbanos. Desde o início da pandemia, a doença vem se alastrando pelas cidades litorâneas e reservas ambientais do país. Lugares como Fernando de Noronha e praia dos Carneiros, em Pernambuco, assim como Ilhabela, em São Paulo, ou Garopaba, no litoral catarinense, são alguns dos paraísos onde o registro de casos confirmados assusta moradores locais.
 
Para evitar aglomerações, os governos estaduais estão proibindo a presença de pessoas nas praias. De 268 cidades classificadas pelo IBGE como litorâneas, pelo menos 171 já tiveram registro positivo por coronavírus, o que significa 64% dos municípios à beira-mar.
 
Nesses locais, já foram contabilizados 4.874 casos confirmados da doença e um total de 322 mortes. O levantamento foi feito com o auxílio da base de dados do Lagom Data, que compilou informações das secretarias estaduais e do Ministério da Saúde até a noite da última sexta-feira.
 
O litoral norte de São Paulo soma 38 casos confirmados da doença e quatro mortes. Ilha Bela registra três casos já confirmados.
 
Na Bahia, a doença se espalha pelas praias do litoral sul. Pelo menos oito cidades da região somam 145 casos de coronavírus e seis mortes. Ilhéus se tornou o epicentro da Covid-19 naquela região do estado. São 134 casos confirmados e três mortes. Vizinho, o município de Uruçuca tem 14 casos e mais três mortes.
 
Um dos principais destinos turísticos do país, Porto Seguro tem 17 diagnósticos positivos. Foi para lá que, ainda no início da pandemia, um empresário infectado se refugiou, no início de março, após ter sido diagnosticado com a doença no hospital Albert Einstein, em São Paulo.
 
O paciente viajou a Bahia para participar de uma festa com os amigos e foi flagrado por agentes de endemias de sunga, na praia, com os amigos. Ele acabou processado pelo governo baiano por transmitir a doença a um dos funcionários de sua mansão em Trancoso, região nobre de Porto Seguro.
 
Nas proximidades da capital baiana, outras seis cidades somam 68 casos e 5 mortes. A que chama mais atenção com 40 casos confirmados e cinco mortes é é Lauro de Freitas, seguida de Camaçari, com 35 diagnósticos positivos.
 
"Aqui as pessoas são muito  humildes e dependem muito do turismo. Os pequenos como bugueiros, jangadeiros, bares e restaurantes estão passando dificuldades. Ou dão férias, ou demitem. Tivemos que cancelar as reservas da Páscoa. Estamos parados há 45 dias sem receita", afirma Florismar Junior, de 50 anos, dono de uma pousada no município.
 
'DEMANDA REPRIMIDA' É ESPERANÇA EM FUTURO DO SETOR
 
O presidente da Embratur, Gilson Machado, que também é dono de pousada em São Miguel dos Milagres, reconhece que a situação do turismo é grave, mas procura demonstrar otimismo com a possibilidade de recuperação.
 
Machado afirmou que a Medida Provisória (MP) 948 deu fôlego para hotéis, empresas de turismo e eventos não devolverem o dinheiro das reservas durante a pandemia para não impactar no fluxo de caixa das empresas. Muitos empresários ressaltam que a medida ajudou, embora tenha sido anunciada semana após o início da pandemia, sem evitar a primeira onda de cancelamentos.
 
"O impacto no turismo foi bíblico. Os prejuízos são grandes, principalmente nas pequenas cidades com hotéis de charme como Maragogi, São Miguel dos Milagres, Porto de Galinhas, e Ilha Bela, em São Paulo. Embora o caixa dos empresário do setor esteja zerado, boa parte dos hotéis e pousadas deram férias aos funcionários, alguns entraram no programa do governo para redução de salário. A demissão  em massa ainda não ocorreu. Confiamos que a demanda reprimida possa nos ajudar na volta depois, já que ninguém aguenta mais ficar em casa", diz Machado.
 
No Rio Grande do Norte, já há um caso confirmado em São Miguel do Gostoso, destino que ganhou projeção nos últimos anos por causa dos fortes ventos que atraem praticantes de esportes de kitesurf e windsurf. Lá, as visitas de turistas estão proibidas desde o dia 23 de março. Só é permitida a entrada de moradores, trabalhadores  da prefeitura e prestadores de serviço.
 
 
Época
 

Comentários (0)


Fala Santos
E-mail: contato@falasantos.com.br
© 2010 Fala Santos. Todos os direitos reservados. site criado por